Vasp 169

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Na madrugada de 8 de fevereiro de 1982, o Boeing 727-2A1 PP-SNG da extinta companhia aérea Vasp, sigla de voo VP 169,Caso VASP – Voo 169. Fenomenum. Acesso em 08/08/2010. pilotado pelo Comandante Gerson Maciel de Britto, decolou do Aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza, destinando São Paulo, com escala no Rio de Janeiro. Seus tripulantes e passageiros protagonizaram um importante registro ufológico, amplamente documentado.

Pouco tempo após a decolagem, um grande objeto luminoso passou a acompanhar o avião durante cerca de uma hora e vinte minutos, realizando revoluções. O objeto foi testemunhado pela tripulação e pelos passageiros, por outra aeronave próxima e também registrado pelo radar de Brasília.

O caso rapidamente tomou a imprensa depois da confirmação do evento por alguns passageiros ao repórter Amorim Filho, da Rádio Bandeirantes AM. A notícia alastrou-se para outras mídias e, com o tempo, as manchetes foram se tornando mais sensacionalistas. O jornal O Dia do Rio de Janeiro teria sido o primeiro a exagerar no tom, com uma chamada que dizia Disco Voador persegue avião da Vasp. O jornal A Luta, também do Rio, teria ido ainda mais longe, estampando na primeira página: Disco Voador ataca avião da Vasp.A noite em que um UFO perseguiu um 727 da Vasp. Grandes Mistérios da Ufologia, 20 de junho de 2008. Acesso em 07/08/2010.

Para iniciarmos uma abordagem adequada do caso, é oportuno primeiro conhecermos alguns dos seus registros históricos.

Relatório de Voo

O Relatório do Voo (jpg-zip, 0.92 MB),Agradecimentos à Revista UFO pela disponibilidade do relatório. documento interno da Vasp, foi um dos primeiros documentos oficiais do caso e continua mantendo sua importância como registro escrito mais próximo do evento. Ele foi encaminhado pelo comandante Gerson Maciel de Britto ao comandante geral da Vasp Wladimir Vega, dois dias após o incidente. Segue a transcrição. Trechos foram numerados para facilitar posterior referência.

VASP VIAÇÃO AÉREA SÃO PAULO S.A.

Edifício VASP – Aeroporto de Conconhas – Fonde 240-2011 – São Paulo

CGC 60703923/0001-31

São Paulo, 10 de fevereiro de 1982.

D O: Comte. Gerson Maciel de BRITTO

A O: Comte. WLADMIR Vega

GERENTE DO DEPARTAMENTO DE OPERAÇÕES DA VASP – 0%

REF. : RELATÓRIO DO VÔO 169/0802 – 1982.

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[1] OBS.: Este relatório visa dar conhecimento a essa Chefia, do fato verificado e registrado na data supra. Ao setor competente, analisá-lo tecnicamente afim de encaminhá-lo ao Ministério da Aeronáutica e demais órgãos especializados que possam interessar-se pelo assunto, com o propósito de extrair dados à estudos e/ou análises coerentes com a finalidade de que estão estruturados e a que este relato se propõe.

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[2] Decolamos à 1h50′ com subida em rota e o vôo transcorreu-se sem novidades durante 1h22′ e a 33′ da cidade de Petrolina, fixo da nossa navegação na aerovia UR 1, quando observei à esquerda da aeronave e ao centro da janela (2), um foco luminoso, semelhante inicialmente a Runway e/ou Landing lights de outra aeronave. [3] Como não havíamos recebido qualquer informação desde que voávamos na jurisdição da FIR RECIFE, quando das transmissões dos fixos PETROLINA, BODAS e KONSA, da respectiva RÁDIO RECIFE, sobre qualquer tráfego que estivesse voando fora de aerovia para cruzamento com a UR 1, como também qualquer missão especial da Força Aérea naquele setor, e não ter havido cópia nas transmissões em 126.9 para cruzamento com a UW 10 e UW 42, mesmo estando nós em contato bilateral com aquela rádio, surpreendeu-nos. [4] Comecei a sinalizar com os nossos faróis, reduzindo a iluminação da cabine para melhor observação. Mesmo com difícil possibilidade, talvez um tráfego não controlado. [5] Esperamos a resposta à ampla sinalização que fazíamos, além das luzes normais para cruzeiro noturno do Boeing 727/200, que certamente daria a entender tratar-se de outra aeronave e por outra, voávamos em aerovia. [6] Obviamente, qualquer aeronave teria observado e responderia como normalmente ocorre, como é evidente também, deveria estar sintonizada em 126.9, para voar naquele nível e estar próxima a uma aerovia. Não houve correspondência aos nossos sinais e nada transmitido às cegas em 126.9. [7] A minha tripulação técnica, fazia observações conjuntas, constatando o fato e sem entender o que poderia ser. Desde o primeiro contato visual do foco, pela forma da incidência luminosa, parecia estar voltado em nossa direção e com aparente nível, ligeiramente acima do nosso, pois que visto primeiramente mais ou menos no centro da janela (2). [8] Como era noite clara, luar pleno, e as condições de tempo com visibilidade ilimitada em reta, poder-se-ia também ver com melhor focagem de vista, a camada obscurecida e rarefeita da atmosfera, cujos limites com relação ao espaço límpido acima era bem delineado. O foco mantinha uma posição relativa ao nosso deslocamento na velocidade de Mach. 80. [9] A intensidade da luz era compacta, muito viva e contrastava sobremaneira com a luminosidade de Vênus e demais estrelas, bem mais tênues, possivelmente, em decorrência do luar que fazia. [10] Desejo frisar que Vênus é o já velho conhecido planeta de luminescência mais branda, fixa e com posição definida pela rotação da Terra e tom sempre azulado. [11] O foco que observávamos, efetuava deslocamentos no sentido vertical acima do seu ponto de origem e abaixo, com relação ao seu eixo. Se fossemos medir no painel da janela onde era observado, daria aproximadamente uns 15 cms do centro. [12] Eu, o Co-piloto Alberto e F/E. Cesarino, sempre atentos e muito intrigados, com expressões que vinculavam aquele estado de surpresa. [13] Algo muito interessante, era a perspectiva do foco com o setor estelar e as mutações de cores, como pigmentado em vermelho e laranja em sua periferia (toda) com o núcleo e demais porções do mesmo predominando o branco e o azulado. [14] Era incrível o potencial de luminescência e a velocidade relativa que desenvolvia nos deslocamentos, verticais e longitudinais de seus eixos no plano de simetria com o horizonte e com nossa aeronave. [15] O piloto automático ligado e o avião estabilizado, não dava margens de dúvidas, quanto à informações ilusórias de movimentos. [16] Após o fixo KAKUD, e em contato com CENTRO BRASÍLIA, voando no FIR/UTA BRASÍLIA, foi solicitado informes sobre tráfegos naquele setor, ainda não conformados com o que víamos e não conseguíamos definir, e relatamos então a BRASÍLIA, com todos os detalhes. [17] Como BRASÍLIA nada tinha a informar, pedimos que algum tráfego voando naquele setor e em contato com aquele órgão tentasse observar também aquele fenômeno, pois já assim podaria ser qualificado. [18] BRASÍLIA informou-nos, então o tráfego do AEROLÍNEAS ARGENTINAS 169, que voava atrás do nosso tráfego a uma distância significativa, para Buenos Aires. Esse tráfego foi questionado a respeito, e confirmou a nossa observação. (vide gravação). [19] O foco aparentava afastar-se no plano horizontal e reassumir o ponto anterior, reaproximando-se a velocidade muito grande. [20] A intensidade e dimensão diminuía e aumentava em ciclos alternados, e também com as mutações de cores. [21] Mais tarde era a aeronave TRANSBRASIL 177, que estava na freqüência com BRASÍLIA e após questionada, confirmava a observação com todos os detalhes por nós informados. Voava ele de Brasília para o Rio de Janeiro. [22] Alternadamente, fiquei a sinalizar com faróis, procurando um contato qualquer e possível como resposta, fosse o que fosse, mas já àquela altura, conscientizando-me que deveria tratar-se de um objeto não identificado, com tecnologia muito avançada e que não poderíamos prever, forma tipo ou tamanho. Só com possibilidades incríveis de velocidade e deslocamento e cores variadas, predominando o branco azulado e pigmentado perifericamente em vermelho e laranja. [23] Após as confirmações de duas (2) aeronaves em cursos distintos, além da nossa, com ângulos de observação diferentes, iguais tomadas de detalhes, evidentemente, deparávamos com um fenômeno real e irrefutável. [24] Para o nível de conhecimento do que dispúnhamos e cadastrados para a ciência e tecnologia atual, aquilo que víamos era uma verdade insofismável ao sentido da visão, cuja performance não poderíamos aquilatar. [25] Propus-me inclusive a mentalizar uma forma telepática, para um enlace qualquer via sinais no equipamento rádio que dispúnhamos (VHF), por sinal síncrono, alternados ou alternantes com a sinalização que fazíamos, ou mesmo mensagens em nosso idioma ou outro que entendêssemos, ou mesmo outra forma qualquer, mas que pudesse ser identificada como resposta. [26] Nesta condição, e após Belo Horizonte, 3 ou 4 minutos depois, ocorreu o que poderia classificar como o clímax do fenômeno OVNI. [27] Uma realidade em tamanha evidência, que não poder-se-ia mais negar aquela verdade inconteste. Estava alí, a luz da razão e da própria honestidade de quem o visse. [28] Equilibrado psicologicamente, por já ter experiências anteriores e conhecedor do projeto UFO, acompanho-o durante muitos anos, mas sempre na condição de observar o confronto direto, [29] foi que, naquela clarividência, conclamei ao restante da tripulação e passageiros, porém de forma a não criar tumulto ou atropelo, à presenciarem também àquela aproximação máxima do OVNI, em todo o seu esplendor, [30] e então, coincidentemente ou não, o CINDACTA chamou-nos (gravação), informando detectar um ponto em nossa posição nove (9) horas e há oito (8) milhas da nossa aeronave. [31] Confirmava-se mais uma vez a aproximação do OVNI, cuja imagem que impressionava há bastante tempo aos nossos olhos, o fazia também na tela do RADAR. [32] Acompanhou-nos lateralmente, com resplandecência na cabine (parabrisas), durante um bom espaço de tempo e durante nossa descida e quando atravessamos a camada de nuvens sobre a serra, podíamos notar, sempre lateralmente o Objeto, com iluminação viva, difundindo-se quando essa camada era rarefeita e eclipsando-se, quando mais compacta. [33] Isto até (2) duas milhas do marcador externo da pista 14 do Galeão, quando mudou de posição lateral para frontal do avião, estimadamente sobre o fundo da baía e a um nível de mais ou menos 6.000 FT (perspectiva estimada). [34] Informamos ao Controle Rio e pedimos que tentasse detectá-lo ao que não foi possível. [35] Só tiramos a observação do mesmo para a manobra do pouso. Mais ou menos 3 minutos antes (0434′). [36] Na etapa subseqüente, já amanhecendo, não tivemos mais nenhum contato até o pouso em São Paulo. [37] Em complemento não houve interferência no sistema da aeronave.

[38] Sem mais a declarar, qualquer detalhe que julguem necessário e por ventura não tenha sido esclarecido,

(Assina) Comte. Gerson Maciel de BRITTO

Reportagem do Jornal Nacional

Vasp 169 – Jornal Nacional

Uma Matéria do Jornal Nacional (YouTube)VASP 169, Matéria do JN. Vídeo hospedado no YouTube. Contate-nos caso tenha problemas de disponibilidade.  telejornal de maior audiência na época, traz outros dados. Nela, é possível obter, em ordem cronológica de apresentação, as seguintes informações:

39. O acompanhamento do voo Vasp 169 por um estranho objeto voador foi confirmado pelo comandante e por alguns passageiros (4 segundos de vídeo);

40. O avião estava praticamente cheio, com mais de 150 passageiros (12 segundos);

41. O primeiro sinal estranho ocorreu após 1h22min de voo (14 segundos);

42. O avião sobrevoava mais ou menos na região de Bom Jesus da Lapa, no interior, ao sul da Bahia (16 segundos);

43. O Boeing estava voando a 9.400 metros de altura e a mais de 900 km/h (28 segundos).

44. O comandante Gerson de Britto tinha, na ocasião, 45 anos de idade e 30 anos de aviação (35 segundos).

45. A luz estranha apareceu do lado esquerdo da aeronave (40 segundos).

46. O comandante Britto já teria passado por outras experiências da mesma natureza (45 segundos).

47. O comandante Britto comunicou o acontecimento aos passageiros (47 segundos).

48. O objeto tinha uma luminosidade muito forte (50 segundos).

49. O objeto se aproximava e se afastava do avião (53 segundos).

50. O objeto alternava entre as cores laranja, branca, azul e vermelha (55 segundos).

51. O objeto foi visto com nitidez por alguns pasageiros (1 minuto e 4 segundos).

53. O objeto tinha cinco pontas luminosas em torno da estrutura em forma de aro (1 minuto e 6 segundos).

54. Passageira confirma que a luz era forte, azul clara, semelhante a uma lâmpada de mercúrio (1 minuto e 14 segundos).

55. A aeronave foi acompanhada pelo objeto durante 1h22min, até 3 minutos antes do pouso (1 minuto e 23 segundos).

56. O comandante afirma que o objeto também foi visto por uma avião da Transbrasil e outro da Aerolíneas Argentinas (1 minuto e 31 segundos).

57. O radar do Ministério da Aeronáutica também registrou o objeto a 14 km da asa esquerda do avião (1 minuto e 35 segundos).

58. O comandante tentou fazer contato com o objeto, sinalizando várias vezes com os faróis de asa da aeronave (1 minuto e 46 segundos).

59. Após os sinais, o objeto se aproximou da aeronave até cerca de 8 milhas, sendo detectada pelo radar de Brasília, o que o comandante identificou como uma possível resposta (1 minuto e 53 segundos).

60. O comandante tentou fazer contato por mentalização, atribuindo talvez também a isso a possível resposta por aproximação do objeto (2 minutos e 9 segundos).

61. O comandante afirma não estar criando fantasia, não tendo interesse para isso (2 minutos e 11 segundos).

Depoimento do Comandante Gerson Britto

Depoimento (1997)

Desde o acontecimento, a história foi contada muitas vezes. É grande o número de periódicos da época que vinculou a notícia. Em 1997, quinze anos depois do ocorrido, o comandante Gerson Britto gravou um depoimento onde conta a história completa, em seus principais elementos.

Feito em tom de desabafo e cumplicidade, o depoimento é emocionalmente denso. Ele simplifica diversos detalhes, como a hora exata da decolagem, arredondada para as duas da manhã. Contudo, sua natureza mais pessoal do que técnica acrescenta uma dimenção importante ao relato: a humana.

Ele está dividido em dois arquivos de vídeo. No Depoimento do Comandante Britto, Parte 1 (YouTube)Depoimento do Comandante Britto – Parte 1. Vídeo hospedado no YouTube. Contate-nos caso tenha problemas de disponibilidade. constam, em ordem cronológica de apresentação, as seguintes informações:

62. A experiência ocorreu há 15 anos (5 segundos).

63. O voo partira de Fortaleza com destino a São Paulo e escala no Galeão, Rio de Janeiro (9 segundos).

64. A decolagem teria sido às 2 horas da manhã (15 segundos).

65. Houve tempo bom durante toda a rota (19 segundos).

66. Após aproximadamente 1 hora de voo, sobre Petrolina-PE, o objeto apareceu à equerda da aeronave (22 segundos).

67. Inicialmente, parecia ser um avião com faróis acesos (35 segundos).

68. Por obrigação de ofício, ele passou a monitorar o suposto avião para tentar determinar seu curso em relação à sua aeronave (46 segundos).

69. Ele verifica que o objeto mantinha uma distância constante relação à aeronave (1 minuto e 24 segundos).

70. Ele verifica que o objeto altera suas cores em padrões incomuns: vermelho, abóbora, azul (1 minuto e 37 segundos).

71. Esse comportamento o intrigou, aumentando seu interesse em acompanhar o objeto (2 minuto e 8 segundos).

72. Ele entrou em contato com o Controle Aéreo de Recife, questionando sobre a existência de algum outro voo na região, informação que normalmente ele teria ao sair de Fortaleza (2 minuto e 13 segundos).

73. Recife responde desconhecer qualquer tráfego na posição referida (2 minuto e 47 segundos).

74. Devido à mutação de cores, o comandante descartou a hipótese de um avião, o que aumentou seu estado de alerta (2 minuto e 57 segundos).

75. Não houve mudança nos parâmetros de voo pois, a essa altura, o comandante não julgava o ponto de luz como potencial ameaça (3 minuto e 9 segundos).

76. O ponto luminoso, para surpresa das pessoas na cabine, passa a fazer movimentos extremamente rápidos, revezando entre sua posição fixa à esquerda e a várias milhas a frente (3 minuto e 23 segundos).

77. O avião estava a pouco mais de 900 km/h (3 minuto e 40 segundos).

78. Era possível ter uma referência angular relativa da posição do objeto através do radar (3 minuto e 57 segundos).

79. O comandante supos uma distância entre 50 e 100 milhas nos deslocamentos do objeto à frente da aeronave, coberta em frações de segundo (4 minuto e 10 segundos).

80. Os movimentos do objeto ao longo das enormes distâncias eram perceptíveis pela diminuição do tamanho do foco luminoso (4 minuto e 26 segundos).

81. Se mantinha a indefinição do que seria o objeto (4 minuto e 37 segundos).

82. Passou a ser considerada a possibilidade de um aparato tecnológico superior ao nosso (4 minuto e 42 segundos).

83. A aproximação a uma distância fixa e os rápidos deslocamentos ocorreram durante muito tempo (4 minuto e 54 segundos).

84. Ao chegar a jurisdição do CINDACTA, o comandante fez contato com Brasília, como fez com Recife (5 minuto e 5 segundos).

85. Brasília informa não ter conhecimento de tráfego no local indicado, nem possuir detecção no radar (5 minuto e 26 segundos).

86. Comandante solicita à Brasília requisitar observação de outros voos da região (5 minuto e 41 segundos).

87. Um avião Jumbo, Aerólineas Argentinas, voo 169, confirma observação, declarando não saber do que se tratava (5 minuto e 58 segundos).

88. Uma aeronave da Transbrasil, deslocando-se de Brasília para o Rio de Janeiro, corrobora com o relatado pelo Vasp 169, tendo-o observado durante muito tempo (6 minuto e 18 segundos).

89. O CINDACTA não dá instruções de alteração no trajeto do voo, e o Vasp 169 mantém sua trajetória (6 minuto e 47 segundos).

90. Sustentava-se a observação constante do ponto luminoso (6 minuto e 58 segundos).

Na Depoimento do Comandante Britto, Parte 2 (YouTube)Depoimento do Comandante Britto – Parte 2. Vídeo hospedado no YouTube. Contate-nos caso tenha problemas de disponibilidade. continuação do arquivo anterior, constam, em ordem cronológica de apresentação, as seguintes informações:

91. Na altura de Belo Horizonte, o objeto passa a aproximar-se mais da aeronave. O movimento é perceptível visualmente, pelo aumento da área luminosa (6 segundos).

92. O CINDACTA contata o voo, afirmando detectar um ponto no radar, a 16 milhas náuticas, na posição 9 horas da aeronave, exatamamente a posição visual do objeto (27 segundos).

93. O comandante questiona o fato do objeto não ter sido detectado no radar antes (31 segundos).

94. Ressalta como 16 milhas náuticas é uma distância muito próxima em aeronáutica (58 segundos).

95. Já tendo assumido há algum tempo tratar-se de algo acima da nossa tecnologia, o comandante identifica, dentro do intenso foco luminoso, o que seria o perfil discóide de uma nave, com tamanho estimado de 2 aviões jumbo juntos (1 minuto e 43 segundos).

96. Não recebendo instruções para modificar os parâmetros de voo, ficam apenas observando o objeto (2 minuto e 14 segundos).

97. Convencido da natureza alienígena do acontecimento e entusiasmado com o que lhe parecia ser uma tentativa pacífica de contato, o comandante mentaliza uma mensagem de boas vindas (2 minuto e 36 segundos).

98. Manifesta-se, no comandante, o desejo de convocar os demais membros da tripulação e passageiros para observar o fenômeno (3 minuto e 41 segundos).

99. Os membros da cabine acompanharam os eventos desde o princípio (3 minuto e 50 segundos).

100. O fenômeno iluminava o interior da aeronave com tom azul, como uma intensa lâmpada fluorescente (4 minuto e 2 segundos).

101. O comandante convida todos no voo para a observação, coisa que foi realizada sem qualquer tumulto (4 minuto e 10 segundos).

102. Alguns passageiros tentaram colher fotografias, que tiveram sua qualidade prejudicada pela grossura dos painéis das janelas (4 minuto e 41 segundos).

103. Dois bispos a caminho da Confência de Itaici, Dom Aloísio Lorscheider e um acessor, teriam se recusado a observar o fenômeno, tendo comentado com uma passageira que não queriam saber nada sobre o assunto (5 minuto e 6 segundos).

104. O comandante interpreta o comportamento como um indicativo de que, talvez, um membro da Igreja Católica não quisesse ser envolvido como uma testemunha de um fenômeno ufológico, mesmo entendendo que esses fenômenos possam existir (5 minuto e 31 segundos).

105. Desde a pasagem por Belo Horizonte, o objeto voltou a manter a distância fixa de 16 milhas da aeronave, ainda sendo possível divisar o grande perfil discóide (5 minuto e 50 segundos).

106. O objeto acompanhou o voo até os procedimentos de descida (6 minuto e 16 segundos).

107. Perto da Serra do Mar, onde seria realizado o início da manobra de aterrissagem na pista do Galeão, existiam nuvens nebulosas, mas o objeto continuava podendo ser visto pelos espaços entre as nuvens (6 minuto e 28 segundos)

108. Próximo ao ponto marcador externo de descida, o OVNI afastou-se na direção do fundo da Baía de Guanabara a cerca de 6.000 pés, tendo esse movimento sido acompanhando pelo Engenheiro de Voo e o Primeiro Oficial, na cabine, enquanto o comandante se concetrava nos procedimentos de pouso (6 minuto e 54 segundos).

109. O afastamento do objeto ocorreu há apenas cerca de 3 minutos antes do pouso (7 minuto e 46 segundos).

110. Com o avião no solo, os passageiros desejosos passaram a propalar o acontecimento, tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo (7 minuto e 54 segundos).

Gravação do Controle Aéreo de Brasília

Cindacta I, em 1982

As Gravações do Controle Aéreo (pdf-zip, 2.4 MB),Agradecimentos à Revista UFO. já mencionadas (trecho 18 e 30), correspondem à comunicação do Vasp 169 com o controle de voo do CINDACTA I em Brasília, documentação que posteriormente veio a ser liberada ao público. A transcrição do dia 8 de fevereiro, juntamente com as do dias 9 e 10, foram encaminhadas, por solicitação, para a Primeira Subchefia do Estado Maior da Aeronáutica pelo Ofício nº 003/SCO/C-219/82, de 3 de junho de 1982.

Segue a transcrição do dia do acontecimento. Os trechos foram numerados para facilitar posterior referência.

6:45h

111. VP 169 – Brasília, o Vasp uno meia nove.

112. ACC BS – Vasp uno meia nove prossiga.

113. VP 169 – Mogol quatro cinco, três uno zero Belo Horizonte zero oito, uno meia nove.

114. ACC BS – Ciente, acione código meia sete zero zero, Vasp uno meia nove.

115. VP 169 – Uno meia nove.

6:49h

116. VP 169 – Brasília, o Vasp uno meia nove.

117. ACC BS – Vasp uno meia nove prossiga.

118. VP 169 – Poderia informar se há algum tráfego no seu escopo ai na posição nove horas do Vasp uno meia nove?

119. ACC BS – Desconheço, Vasp uno meia nove.

120. VP 169 – Estamos observando uma, aparentemente uma aeronave mas, a iluminação muda sistematicamente de cor; é alaranjado, vermelho, ou branco, aparentemente pareceu um tráfego com as luzes acesas mas como está com uma variação de cores muito acentuada nós estamos até desconfiados que seja alguma coisa diferente.

121. ACC BS – Ciente, não temos tráfego nenhum nessa posição nesse momento.

6:50h

122. VP 169 – É então vamos saber para identificar o que sejam, tem alguma outra aeronave nesta região decolando que esteja com o radar de Brasília?

123. QD 177 – É o Vasp?

124. VP 169 – Afirmativo.

125. QD 177 – Onde é que você está?

126. VP 169 – Nós estamos na proa de Belo Horizionte dez minutos fora.

127. QD 177 – Positivo. Nós estamos passando a posição susto agora.

128. VP 169 – Positivo, é que nós estamos observando aqui na posição nove horas, um aparente, era um aparente tráfego mas em parece que não é não, é uma ampultação… de cores na posição nove horas do Vasp uno meia nove.

6:52

129. VP 169 – Brasília é o Vasp uno meia nove.

130. ACC BS – Vasp uno meia nove, mantenha escuta./ – Argentina uno meia nove Brasília. / – Argentina uno meia nove Brasília. / – Vasp uno meia nove Brasília.

131. VP 169 – Na escuta.

132. ACC BS – Prossiga.

133. VP 169 – Vasp uno meia nove informa que ouviu o argentina reportar que está estimando a posição mogol aos cinco cinco, está mantendo três cinco zero.

134. ACC BS – Ele não está conseguindo QSO com este Centro. Poderia fazer uma ponte pedindo para acionar o código quatro meia quatro dois?

135. VP 169 – … inclusive chamar a frequência uno dois cinco ponto meia.

7:04h

136. ACC BS – Vasp uno meia nove, passagem Belo Horizonte zero oito, uno meia nove, Vasp.

137. VP 169 – Uno meia nove.

7:05h

138. VP 169 – Brasília é o Vasp uno meia nove.

139. ACC BS – Vasp uno meia nove prossiga.

140. VP 169 – Poderia solicitar ao argentina se está observando essas amputações que estamos observando no radar na nossa posição, no momento oito horas?

141. ACC BS – Confirme, o argentina ver o que?

142. VP 169 – Nós informamos ter observado uma sinalização possivelmente… de uma aeronave, mas Brasília contestou que não estava recebendo e não tem nenhum tráfego nesta posição, agora estamos voltando a observar uma luminosidade muito intensa e mais ou menos próxima do Vasp uno meia nove e eu queria saber se tem outra aeronave que está percebendo também.

143. ACC BS – Ok, aguarde.

144. VP 169 – Ciente.

7:06h

145. ACC BS – Brasil uno sete sete Brasília.

146. QD 177 – Uno.

147. ACC BS – Ok, o Brasil uno sete sete, o tráfego da Vasp uno meia nove está a vinte e cinco milhas sul de Belo Horizonte, nível trezentos e dez, confirme se observa alguma luminosidade nas proximidades do tráfego.

148. QD 177 – Estamos avistando aqui realmente uma nuvem bastante grande e aparentemente fixa e seguinte como o Vasp está reportando.

149. ACC BS – Ok Brasil uno sete sete./ – Argentina uno meia nove Brasília.

150. AR 169 – Adiante Brasília, uno meia nove.

151. ACC BS – Ok, o tráfego do Vasp uno meia nove está no momento trinta milhas sul de Belo Horizonte no nível três três zero. Indaga se observa alguma luminosidade próximo do tráfego dele.

152. AR 169 – Repita por favor; se essa aeronave…

153. ACC BS – Ok, argentina uno meia nove confirme se observa alguma luminosidade nas proximidades do bloqueio Belo Horizonte.

154. AR 169 – Alguma luminosidade no bloqueio Belo Horizonte?

155. ACC BS – Afirmativo.

156. AR 169 – Negativo, estou com pouca visibilidade nesse momento por nebulosidade.

7:11h

157. VP 169 – Brasília, Vasp uno meia nove.

158. ACC BS – Prossiga uno meia nove.

159. VP 169 – Olha, agora a sinalização foi informada que está intensa, muito intensa como se fosse uma aeronave com as “runways” ligadas, eu gostaria que Brasília verificasse esta observação para efeito de dados possivelmente, ok?

7:12h

160. ACC BS – Ok, Vasp uno meia nove.

161. VP 169 – Obrigado.

7:16h

162. ACC BS – Vasp uno meia nove na frequência de uno dois quatro oito na minha escuta para descida, uno meia nove, Vasp.

163.

164. VP 169 – Uno meia nove.

7:17h

165. ACC BS – Vasp uno meia nove, quando pronto “esberado” para cento e vinte, Vasp uno meia nove.

166. VP 169 – Uno meia nove ciente. Brasília poderia solicitar ao Argentina para efetuar nova observação quanto essa luminosidade que estamos observando?

167. ACC BS – Ok, ele está com a radial dois quatro zero de Belo Horizonte, está na proa de Campinas já estabilizada a trinta milhas à Sudoeste.

168. VP 169 – Positivo.

169. AR 169 – Favor, Vasp uno meia nove aqui é Argentina uno meia nove.

170. VP 169 – Na sua escuta Argentina.

171. AR 169 – Favor em que posição vem a luminosidade?

172. VP 169 – Estou a setenta e uma milhas de piraí, de Caxias e nós estamos observando na posição nove horas do Vasp, nos bloqueios a sete minutos Belo Horizonte.

173. AR 169 – A nove horas de sua posição?

174. VP 169 – Nossa posição nove horas no momento.

7:18h

175. AR 169 – Você está aproando Campinas?

176. VP 169 – Estou aproando Barra do Piraí, no Rio de Janeiro.

177. AR 169 – A Barra. / – É mais ou menos a sua altura ou mais abaixo?

178. VP 169 – O Vasp uno meia nove livrou três uno zero para uno dois zero.

179. ACC BS – Ciente, Vasp uno meia nove, informo que estou recebendo um ponto desde cinquenta milhas sul de Belo Horizonte, um ponto exatamente na posição nove horas, seguindo o impulso exato do Vasp uno meia nove.

180. VP 169 – Afirmativo Brasília, ciente, obrigado.

181. ACC BS – Ok, o afastamento dele na posição nove horas é de, em torno de oito milhas.

182. VP 169 – Afirmativo, oito milhas do Vasp, positivo?

183. ACC BS – Positivo, ele está oito milhas na posição nove horas, ele segue precisamente o Vasp uno meia nove.

184. VP 169 – Ok.

185. QD 177 – O Brasil, uno sete sete, poderia informar a distância para Porto, piraí?

186. ACC BS – Ok, o Brasil uno sete sete, a sua distância para piraí é cinquenta milhas, está liberado para cento e trinta, o seu tráfego é o Vasp uno meia nove que está na sua posição onze horas, vinte e seis milhas.

7:20h

187. QD 177 – Positivo, essa luminosidade que o Vasp vem reportado nós estamos observando está na nossa posição onze horas, ok?

188. ACC BS – Ok.

189. AR 169 – Não será Vênus?

190. QD 177 – É, mas Brasília tá recebendo no radar.

7:22h

191. ACC BS – O Vasp uno meia nove, transponder zero sete zero zero, descendo cento e vinte controle em uno dois zero três.

192. VP 169 – Uno meia nove ciente.

Final da transcrição do dia 08 de fevereiro de 1982.

As transcrições dos dias 9 e 10 registram o impacto emocional do acontecimento no comandante Britto. Em diferentes oportunidades, ele pede confirmação à Central de Controle sobre a posição de objetos, depois diagnosticado por ele próprio como o planeta Vênus ou aeronaves.

Também registram seu desejo de ser preservado da imprensa, certamente em virtude ao grande assédio sofrido depois da repercussão do avistamento.

OVNI segue Boeing da VASP da Bahia até o Rio

Matéria do Jornal do Brasil, em 9 de fevereiro de 1982 (jpg, 340 KB),OVNI Segue Boein da VASP da Bahia até o Rio. Jornal do Brasil. Terça-feira, 9 de fevereiro de 1982. Primeiro caderno. Original disponibilizado por Arquivos do Insólito. Acesso em 11/08/2010. que traz mais dados. Os destaques transcrevem ou resumem informações grifadas no arquivo disponibilizado para download.

Destaque 1:

[193] Três minutos antes de pousar na pista 14 do Galeão, o comandante Gerson viu o OVNI pela última vez e alertou a torre. [194] Uma esquadrilha de caças da FAB decolou imediatamente da Base Aérea de Santa Cruz, mas nada encontrou. [195] Porém, ao descer no Galeão, antes de seguir para São Paulo, o comandante foi informado de que há dois dias uma estranha sinalização vem sendo observada e que existe até um grupo de caças em ‘standby’, preparado para qualquer eventualidade.

Destaque 2:

196. O comandante Gerson teria 22 anos de aviação, 12 anos como comandante de jato, e 16.000 horas de voo.

Destaque 3:

197. O avião 169 da Aerolíneas Argentias entrou na frequência de contato confirmando o avistamento.

Destaque 4:

198. Durante a descida, o objeto desaparecia sob as nuvens da Serra do Mar, reaparecendo quando o avião estava a 2 milhas do marcador externo da pista de pouso, na posição 11 horas.

Destaque 5:

Radar Mostra Ponto Luminoso

199. O Centro Integrado de Defesa e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta) informou ontem ao Ministério da Aeronáutica que os seus radares não detectaram nenhum objeto matrerial durante as notificações e descrissões do comandante Gerson Britto com a torre de controle. Entretanto, afirmam que no final da conversa, que durou mais de uma hora, o radar confirmou um ponto luminoso perto do avião.

200. Segundo as informações do Cindacta, transmitidas à imprensa pelo chefe do Departamento de Relações Públicas da Aeronáutica, Tenente-Coronel Norberto de Castro Brum, o tal ponto luminoso não significa exatamente um objeto material, mas sim “a manifestação de um intervalo que pode vir a ser um alvo”, um ponto aleatório muitas vezes observado no radar.

201. Por telefone, o chefe do Departamento de Relações Públicas também ditou o diálogo do controle com o comandante, gravado pelo sistema Dacta:

Piloto – VASP 169 chamando (Brasília atende e ele pergunta); Poderiam nos informar se tem um objeto luminoso no escope (radar)? Estamos observando – continuou- uma aeronave aparentemente. Parece que está no nosso mesmo tráfego.

O Controle – Não temos tráfego nessa posição.

Piloto – Não sabemos ao certo o que seja e solicito que se informe do avião Transbrasil.

202. O controle liga para o avião Transbrasil – Vôo VASP 169 solicita observar a aeronave e vê se confirma objeto luminoso.

Transbrasil – Sim, estamos observando objeto luminoso (nas mesmas características que foram transmitidas pelo VASP).

203. Em seguinda, o controle entrou em contato com o avião das Aerolíneas Argentinas, mas o piloto do avião disse não estar observando nada.

Destaque 6:

204. O Vasp 167 entrou em contato com a Torre do Destacamento de Proteção de Vôo do Galeão às 4h20m, cujo radar detectava uma áera de 100 quilômetros. O Tenente Tristão Mariano, que integrava o turno, disse que o comandante Britto apenas perguntou se tinham detectado algum ruído, em seguinda comunicando que já tinha transmitido todos os detalhes para Brasilía. O controlador da Torre deu as respostas de praxe.

Destaque 7:

205. Oficiais levantaram a possibilidade de confusão, com o objeto tendo sido confundido com um balão de nível constante, de 90 metros, aluminizado para alvo do radar. Após a subida controlada mecanicamente, o balão despejaria areia e cairia por terra. Ele é usado para medir radiação ultra-violeta, raios x e temperaturas. As experiências seriam realizadas pelo Instituto de Atividades Espaciais de São José dos Campos, São Paulo.

Destaque 8:

“Fora, uma luz intensa”

206. Eliane Belashi, orientadora pedagógica, passou as férias em Fortaleza com o marido e voltou ontem ao Rio no mesmo avião. Disse que não ficou apavorada com o OVNI. E contou a experiência:

207. – O vôo foi muito bom. Por volta das 4h da madrugada eu estava tentando dormir, pois não consigo dormir em viagens e pensei que as luzes do avião estavam se acendendo. Quando abri os olhos enxerguei uma luz intensa do lado de fora, exatamente onde eu estava sentada, ou seja, a asa esquerda. O clarão era realmente muito forte e, pouco depois, o comandante acordou os passageiros pelo rádio para comunicar o que estava acontecendo.

208. – Ele disse – prosseguiu a passageira – que queria que testemunhássemos aquilo porque o radar não havia detectado que objeto era aquele, que ele já havia comunicado à torre que o objeto o estava seguindo há uns 10 minutos, sempre irradiando e emitindo lampejos, a cerca de oito milhas (quatro quilômetros) de distância do avião, que ficou inteiramente iluminado por dentro.

209. – Os passageiros – continuou – passaram para o lado esquerdo para ver o objeto. Logo que ele acordou as pessoas houve um certo suspense, uma confusão, todos falando ao mesmo tempo. Quando descemos ele pedio para que fizéssemos um registro, pois ele iria comunicar o acontecimento à Polícia Federal. Pouco antes de pousarmos no Rio, o objeto sumiu. O que era aquilo? Sinceramente não sei. Mas era muito estranho. Eu não me perturbei, até por um aquestão de filosofia espiritualista que reje a minha vida. E concluiu: “acho que assim como nós temos nossos aviões, eles podem ter os deles. Dom Aloísio estava no vôo, mas não chegou a falar com ele. Embracou em Fortaleza junto com outros cinco padres e sentaram-se na frente. Se falou alguma coisa, eu não ouvi”.

UFOS – Há algo no céu atrás dos aviões de carreira

Matéria da Revista Manchete, nº 1557, de 20 de fevereiro de 1982 (jpg, 570 KB).Revista Manchete, nº 1557, de 20 de fevereiro de 1982. Original disponibilizado por Arquivos do Insólito. Acesso em 11/08/2010. Os destaques transcrevem ou resumem informações grifadas no arquivo original disponibilizado para download.

Destaque 1:

210. O Vasp 169 contatou o avião da Aerolíneas Argentinas pelo rádio, tendo ele confirmado a vizualização do objeto.

Destaque 2:

211. Às 4h, a base aérea de Santa Cruz também foi alertada pelo comandante a respeito do OVNI.

Destaque 3:

212.O comandante Britto tinha 30 anos de voo, sendo 22 anos na companhia Vasp.

Destaque 4:

213. Alguns bispos no voo trocaram impressões sobre o acontecimento com o comandante.

Destaque 5:

214. O comandante Britto teve outras três experiência com objetos não indetificados. A primeira, num voo noturno entre Teresina e Fortaleza, em 1964. O segundo, durante o dia, na segunda metade da década de 1960 ou no início da década de 1970: uma esfera metálica sobre o avião, a cerca de 1 km de distância. A terceira, em 1980, tendo sido confirmada a presença do objeto pelos radares em terra. Esses eventos levaram o comandante a ter interesse prévio pela literatura ufológica.

Mapa esquemático da rota

Cortesia do Comandante Britto

215. Consta que o desenho acima foi confeccionado pelo Comandante Britto. Ele corresponde ao conjunto do relato e traz informações importantes sobre a rota. Tivemos acesso a ele pelo site Fenomenum.Caso VASP – Voo 169. Fenomenum. Acesso em 05/09/2010.

A AERONÁUTICA DEVE EXPLICAÇÃO

Entrevista do Comandante Britto publicada pelo Correio Braziliense, de 04 de agosto de 1995 (jpg, 908 KB), por ocasião de avistamento semelhante ao do Vasp 169 ocorrido em Bariloche, na Argentina.Correio Braziliense de 04 de agosto de 1995. O CASO VASP – Vôo 169. EBE-ET, Acesso em 05/09/2010. Agradecimentos a Roberto Beck pela disponibilização da cópia da matéria original. Para alguma informação sobre o caso argentino, enquanto não temos uma análise dedicada, veja Caso AAR- Voo 674, em Fenomenum. Acesso em 22/11/2010. Segue transcrição com trechos numerados para facilitar posterior referência.

216. Até hoje os ufólogos brasileiros consideram o caso do vôo da VASP uma das maiores provas de que a existência de disco voadores não é uma história inventada. Nesta entrevista ao Correio Braziliense, o piloto Gerson Maciel de Britto , de 59 anos (à época) que hoje está aposentado, conta o que viu naquela noite.

217. Correio Braziliense – Qual foi a sua emoção ao ver que um UFO se aproximava do avião?

218. Comandante Britto – Não tive pavor ou medo, nem outro sentimento que não fosse de entusiasmo.

219. CB – Poderia descrever o momento do encontro?

220. Britto – Saimos de Fortaleza 02,00h. Por volta de uma hora depois, vimos um ponto de luz branco, mais ou menos como o descrito em Bariloche, na Argentina. Em seguida houve uma mutação de cores alaranjada, azuladas e esverdeadas. O interessante é que se deslocava dentro de condições físicas desconhecidas: parava e acelerava.

221. CB– O UFO os acompanhou durante toda a viagem?

222. Britto – Ele se manteve próximo do avião durante 01,25h. Sempre se deslocando e mudando de cores. Muito passageiros o fotografaram. O objeto se afastou de nós quando já estávamos chegando ao Rio de Janeiro.

223. CB – O Centro Integrado de Defesa e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta) alegou que se tratava de anomalia eletrônica ou mesmo do planeta Vênus.

224. Britto – Isso foi uma coisa para desconversar. Tudo o que aconteceu foi gravado e está nos arquivos do CINDACTA. A Aeronáutica deve uma explicação à sociedade brasileira sobre esse fenômeno. Em 1986, alguns caças também foram interceptados por UFOs e o ministro Moreira Lima (Da Aeronáutica) prometeu apresentar um relatório sobre o caso que até hoje não apareceu.

225. CB – Os seus depoimentos não lhe prejudicaram a carreira de piloto?

226. Britto – Não prejudicaram porque não houve como contestar o que aconteceu. Quando 150 pessoas dos mais variados níveis culturais e profissionais vêem o mesmo que você, ninguém pode contestar.

Ovni é visto de três aeronaves

Matéria da Folha de São paulo, em 9 de fevereiro de 1982 (jpg, 1.04 MB),Ovni é visto de três aeronaves (jpg, 1.04MB). Folha de São paulo, 9 de fevereiro de 1982. Profundos agradecimentos a Mário Pravato Júnior. traz outras informações. Os destaques transcrevem ou resumem passagens grifadas no arquivo disponibilizado para download.

Destaque 1:

227. Apesar do registro do CINDACTA, autoridades desmentem a detecção do objeto pelo radar e defendem que o piloto da Aerolíneas Argentinas afirmou não ter visto nada de anormal.

Destaque 2:

228. O Ministério da Aeronáutica afirma que o objeto não poderia deixar de ser detectado pelos radares que se superpõem na área.

Destaque 3:

229. O Ministério da Aeronáutica atribui oficialmente a ocorrência a um balão meteorológico ou a reflexões e refrações da lua.

Destaque 4:

230. O comandante Britto fez um relatório sucinto do acontecimento para o Ministério da Aeronáutica e para a NASA.

Destaque 5:

231. A passageira Silésia del Rosso fez um extenso depoimento sobre o objeto, mas outros passageiros evitaram contato com a imprensa.

Destaque 6:

232. A passageira Silésia del Rosso descreve ter visto um objeto muito brilhante, com cinco pontas, mas que não tinha nenhum raio luminoso: “Não tinha, assim, nenhum facho colorido; era uma coisa quase estática, me parece até parado no ar, com muito brilho, muita luz”.

Destaque 7:

233. O comandante Britto afirma que já teria se “preparado psicologicamente para um contato”, pois já teria tido três experiências anteriores com OVNIs.

Destaque 8:

234. A passageira Silésia del Rosso afirma que duas moças que viajavam ao seu lado e desembarcaram no aeroporto do Galeão – RJ, chegaram a fotografar o objeto.

Destaque 9:

235. O passageiro Dom Aluísio Lorscheider afirma, no dia 8 de fevereiro de 1982, em Itaici, que não viu o objeto: “Eu estava dormindo e pensei: deixa esse disco voador para lá”.

OBJETO VOADOR NÃO IDENTIFICADO

Matéria do Jornal da Tarde, em 9 de fevereiro de 1982 (jpg, 8.71 MB),Objeto Voador Não Identificado (jpg, 8.71 MB). Jornal da Tarde, 9 de fevereiro de 1982. Profundos agradecimentos a Mário Pravato Júnior. traz informações complentares. Os destaques transcrevem ou resumem passagens grifadas no arquivo disponibilizado para download.

Destaque 1:

236. Haviam 143 passageiros a bordo do Vasp 169.

237. O comandante Britto fez um apelo aos passageiros para que divulgassem os acontecimentos.

Destaque 2:

238. Tendo descartado explicações triviais, o comandante Britto pediu à Brasília que confirmasse a presença do objeto com outra aeronave, sendo confirmada pelo Aerolíneas Argentinas. A informação foi posteriormente negada pelo CINDACTA, que confirmou o testemunho do Transbrasil.

Destaque 3:

239. Procurando a maior veracidade possível para o que estava vendo, o comandante alerta seus seis comissários e os passageiros. Posteriormente, a aeronave da Transbrasil também confirma a observação.

Destaque 4:

240. A passageira Silésia Del Rosso lembra ter ficado “empolgada” com o acontecimento.

241. Conforme Silésia, José Terceiro, bispo-auxilair de Fortaleza, e Milton, bispo de crato, seguindo o exemplo de dom Aloísio Lorscheider e vários outros religiosos, não saíram de seus lugares. “Primeiro ficaram um pouco descrentes, não procurando olhar pela janela, por que na nossa frente estava dom Aloísio. Mas depois perguntaram, ficaram interessados em saber o que eu tinha visto”.

Destaque 5:

242. Ao sobrevoar o Belo Horizonte, o Vasp foi envolvido por uma formação de nuvens, tendo o contato visual com o objeto sido interrompido. Ele voltou a ser visivel frontalmente e acima do avião, ocorrendo novas tentativas de comunicação, inclusiva a mental, quando o objeto aproximou-se, sendo possível delinear um perfil discóide. Foi o momento de maior aproximação, tendo ocorrido a detecção pelo radar de Brasília.

Destaque 6:

243. A luminosidade do objeto variava de fraca para intensa o tempo todo, sem no entando ofender à visão. Ele fazia várias evoluções, semicirculares, parabólicas e longitudinais.

Destaque 7:

244. Paulo Belache e Eliane Belache, moradores do Rio de Janeiro, avistaram a luz na direção da asa esquerda. A princípio pensaram tratar-se de luzes do próprio avião, mas era mais forte, do tamanho de uma bola de futebol, conforme Eliane.

245. A passageira Eliane Belache recorda que o apelo do comandante para os passageiros observarem o objeto aconteceu por volta das 4h15min.

Destaque 8:

246. Britto recordou as suas outras três experiências com OVNIs. A primeira foi em 1964, quando ainda era co-piloto de um Curtiss-Commander, entre teresina e Fortaleza. Doze anos depois,já comandando um Viscount entre Campo Grande e São Paulo, Britto teve sua primeira experiência diurna:

247. – Isso foi também observado por meu primeiro-oficial: vimos uma esfera metálica sobre nossa aeronave numa possibilidade de quatro a cinco mil pés acima do nosso nível de voo (de 1.300 a 1.600 metros). Então informamos Brasília, que não teve condições de detectá-la porque naquela época o alcance do radar não atingia aquela área. Mas um Varing internacional confirmou a visão também.

248. Em 1979, garante Britto, que já comandava aeronave de jato puro, o OVNI também foi visto por um jato executivo Learjet e um Transbrasil, sobre Governador Valadares. Essa ocorrêcia, diz o piloto, foi à noite e muito parecedia com a de ontem de madrugada. Depois disso Brito acabou-se transformando em um estudioso do assunto.

Destaque 9:

249. Técnicos do Ministério da Aeronáutica afirmam que “ponto”, na fraseologia técnica, não identifica um “alvo”, podendo não caracterizar a existência de um corpo, de modo que a declaração do CINDACTA não confirma que um objeto estranho seguiu o Vasp.

Destaque 100:

Era Meteoro. Ou Vênus.

[249.1] A reação do astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, diretor do Observatório Nacional, instalado no Rio, foi de descrédito.

[249.2] Para ele, o objeto avistado poderia ter sido “um meteoro, o planeta Vênus, ou um satélite artificial que acabava de entrar na atmosfera”. [249.3] Rogério Mourão afastou inicialmente a possibilidade de que se tratasse de Vênus, que passou a ser visto de madrugada, depois do dia 21, diante da experiência do piloto Gerson Britto, “que já deveria estar habituado com esse tipo de visão”.

[249.4] Acredito que os efeitos luminosos acompanhados tanto por passageiros como tripulantes tenhm sido causados pela entrada, na atmosfera, de um satélite artificial. [249.5] Ao penetrar na atmosfera, o satélite fica incandecente e deixa um rastro de fogo no céu que, à distância, pode ser confundido com um meteoro.

[249.6] Na sua opinião, sem informações mais detalhadas, como a velocidade, a altitude e a falta de fotografias do objeto luminoso, torna-se difícil fazer uma avaliação cinetífica do fenômeno, que pode ser ainda um relâmpago globular, que exibe as mesmas caracteísticas, e ocorre com frequência em qualquer época do ano.

[249.7] “A hipótese mais plausível é que seja um meteoro, já que tanto o piloto como os tripulantes descrevem o objeto como uma espécie de bola de fogo que se verifica, igualmente, com certa regularidade, na alta atmosfera. [249.8] Quanto à possibilidade de ser o planeta Vênus é também possível, já que o objeto surgiu do lado oeste, de madrugada, na altura da linha do horizonte”.

Outros dois pilotos viram objeto voador

Comte Mário Pravato, do Transbrasil, à direita

Matéria de O Estado de São Paulo, em 10 de fevereiro de 1982 (jpg, 6.28 MB),Outros dois pilotos viram objeto voador (jpg, 6.28 MB). O Estado de São Paulo, em 10 de fevereiro de 1982. Agradecimentos a Mário Pravato Júnior. traz outras informações. Os destaques transcrevem ou resumem passagens grifadas no arquivo disponibilizado para download.

Destaque 1:

[250] Os comandantes Milton Missaglia e Mário Pravato, que pilotavam anteontem de madrugada um Boeing 727/100 da Transbrasil, entre Belo Horizonte e Rio de Janeiro, confirmaram ontem, no aeroporto de Congonhas, todas as informações prestadas à imprensa pelo comandante Gerson Maciel de Brito, da Vasp, sobre o objeto não identificado que acompanhou seu avião entre Petrolina, em Pernambuco, e o Rio de Janeiro. [251] Milton Missaglia tem 30 anos de idade, voa há 10 pela Transbrasil e tem experiência de oito mil horas de vôo. Ele informou que realizava o vôo 177, entre Manaus e Rio, com escala em Brasília.

[252] “Era um vôo econômico-noturno e tudo transcorria normalmente até que passamos a observar aquele objeto luminoso logo após Belo Horizonte. [253] De início – prosseguiu Milton -, pensávamos que se tratasse do planeta Vénus, que sempre observamos nos vôos noturnos. Mas, a partir da informação do Centro de Radares de Brasília, de que detectara um ponto localizado a oito milhas do Boeing da Vasp, mudei de opinião. [254] Então, procuramos fixar o máximo possível aquela luminosidade à procura de maiores detalhes”, informou Milton Missaglia.

[255] Já o comandante Mário Pravato, que era o primeito oficial do vôo 177 da Transbrasil, informava que há muito tempo vinha acompanhando pelo rádio as informações que o comandante Britto solicitava ao Cindacta. [256] Pravato, que tem 36 anos de idade, 10 anos de Transbrasil e sete mil horas de vôo, prestou o seguinte depoimento:

[257] “Comecei a observar a luminosidade do objeto mais ou menos às 3h40 da madrugada. Foi aí que percebi maior intensidade de luz. [258] Confirmo tudo o que o comandante Brito informou na segunda-feira. [259] Lembro perfeitamente quando o Centro de Informações de Brasília chamou o comandante da Vasp e pediu a posição do “disco” com referência à sua aeronave. [260] Logo em seguida, Brasília nos chamou (o boeing da Transbrasil) pedindo a posição dessa luz com referência à nossa aeronave. [261] Após checar essas informações, Brasília informou que detectou na tela de seus radares um ponto que se encontrava a oito milhas da aeronave da Vasp.”

[262]O comandante Mário Pravato não teve qualquer dúvida, ontem, ao endossar o relato de seu colega Gérson Britto, da Vasp, sobre as comunicações que manteve com o Cindacta:

[263] “Ouvimos com clareza cinco (termo usado na aviação para designar som nítido e perfeito), tanto a comunicação do comandante da Vasp com Brasília e vice-versa”, disse ele. [264] “Inicialmente eles diziam que não estavam captando qualquer objeto em sua tela. [265] Mas, depois de terem solicitado ao avião da Vasp e ao nosso (da Transbrasil) informações sobre a posição do objeto, chegaram a um ponto, na tela de seu radar, a oito milhas do Boeing da Vasp.”

[266] O objeto avistado, segundo o comandante Pravato, “era uma coisa muito linda, uma luz muito forte, com a forma arredondada e bem maior que o tamanho de uma televisão em cores”. [267] O que mais chamou a atenção do comandante foi o tipo de luz e claridade intensa emitida pelo objeto. [268] Sobre as evoluções do objeto, constatadas pelo comandante da Vasp, Pravato acredita que, por sua posição, o comandante Britto tinha melhores condições de observá-las.

[269] “A única impressão que tivemos foi a de que aquele objeto estava realmente acompanhando o Boeing da Vasp.”

Destaque 2:

270. Sobre os supostos jatos enviados para interceptar o OVNI, conforme o coronel Luís Carlos Picorelli, o comando não recebeu nenhum pedido para decolagem, não tendo nenhum dos jatos da esquadrilha da FAB decolado na madrugada de segunda-feira para tal finalidade.

Destaque 3:

271. Técnicos do CINDACTA admitem, com base nas declarações das testemunhas, que o objeto observado porderia ser não identificado, mas a uma grande distância, não sendo possível a captação por radar.

Destaque 4:

272. Aeronáutica adota uma política de cautela, procurando dar todas as informações sem desmentir as testemunhas.

Destaque 5:

273. Ainda com base apenas na análise das comunicações do comandante Gérson com o controle de vôo, os técnicos notaram que a luz que ele dizia estar vendo não se moveu do ponto em que era vista de dentro do avião, quando o aparelho mudou de rumo.

274. O comandante recebeu recomendação do Controle para mudar o rumo da proa, e o ângulo de visão da luz, vista pelo comandante, também modificou. Ele ficou visível, de acordo com o comandante Gérson, num mesmo ângulo relativo à mudança da proa, fazendo crer que a luz estava parada.

Destaque 6:

275. O major José Orlando Belon do CINDACTA levou os jornalistas até a tela do radar que estava, às 3 da manhã de terça-feira, controlando o voo 169. Ali ele mostrou que o “ponto” que o controlador informou que estava vendo, dizendo que ele é uma “anomalia eletrônica”, ou seja: um defeito técnico que aquele tubo de imagem apresentava. Ao mostrar o ponto, o major Belon fez ver que nas outras telas, ao lado (na sala de controle de tráfego existem 18 telas, controlando outras áreas do Cindacta), não aparecia o ponto.

276. O major explicou que essa não é a primeira vez que a tripulação de um avião informa ao controle de vôo que seu avião estava sendo seguido por uma luz ou objeto, cuja imagem não era detectada pelos radares. Contou ele que, há dois anos, receberam um comunicado de outro comandante da Vasp, que fazia a rota Goiânia-Brasília, informando que estava vendo uma luz estranha no céu. Em Anápolis, por onde o avião passou nessa rota, o Cindacta recebeu, depois a notícia de que, em terra, várias pessoas também viram essa mesma luz no céu. Porém, nos radares, não apareceu nenhum sinal.

277. Os técnicos do Sindacta também disseram ontem que é muito comum, entre janeiro e fevereiro, ouvirem ou receberem informações de pessoas em terra ou pilotos, de que observaram, luzes estranhas.

Destaque 7:

278. Ministério da Aeronáutica informa que não existe um departamento técnico específico para analisar informações como as relatadas, mas admite que pode haver pesquisa caso se confirme a identificação simultânea por radar.

Destaque 8:

279. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e presidente da Comissão Brasileira de Atividades Aeroespaciais, órgão ligado ao Conselho de Segurança Nacional, general-de-exército Alacyr Frederico Werner, manifesta sucintamente seu ponto de vista a respeito da existência de “discos voadores”, na forma de um conhecido ditado espanhol: “Yo no creo en las brujas, pero que las hay, las hay“.“Eu não creio em bruxas, mas que elas existem, exitem.”

O Estranho Objeto: Brasília fala com cuidado

Matéria do Jornal da Tarde, em 10 de fevereiro de 1982 (jpg, 4.7 MB).O Estranho Objeto: Brasília fala com cuidado (jpg, 4.7 MB). Jornal da Tarde, 10 de fevereiro de 1982. Agradecimentos a Mário Pravato Júnior. Traz várias informações semelhantes às já transcritas do Estado de São Paulo da mesma data, acrescentando:

Destaque 1:

280. Declaração do piloto Mário Pravato referindo-se ao objeto: “Era uma coisa linda como nunca vi antes. Uma luz forte, potente, de forma arredondada, algo como… um aparelho de tevê colorido”.

281. O voo 177 da Transbrasil fazia o trecho Manaus-Rio, com escala em Brasília, voando 15 minutos atrás do Vasp 169.

Destaque 2:

282. Antes de confirmar a presença do objeto à Brasilia, o comandante Pravato já acompanhava os diálogos entre o CINDACTA e o Vasp 169, tendo inciado a observaão da luminosidade do objeto aproximadamente ás 3h40min.

283. O jato da Aerolíneas Argentinas encontrava-se cerca de 30 minutos atrás do Transbrasil.

Destaque 3:

283.1. O objeto estava do lado esquerdo da aeronave da Transbrasil, a 120 km de distância, tinha luzes fortes e cores intensas – vermelho com um facho de luz amarela interiormente. Os comandantes Missaglia e Pravato avistaram o objeto durante cerca de 40 minutos e também tentaram estabelecer contato com ele, fazendo sinais com os faróis do avião, mas sem sucesso.

Entrevista do comandante Mário Pravato

entrevista (1999)

Mário Pravato comandava o voo Transbrasil nº 177. Ele testemunhou o objeto seguindo o Vasp 169 e forneceu diversos depoimentos aos Jornais após a ocorrência. Muito tempo depois, já em 1999, prestou seu último depoimento público sobre o caso, ao programa Invasão Extraterrestre da TV de Concórdia de Santa Catarina, antes do seu lamentável falecimento em 2004.

Essa Entrevista do Comandante Mário Pravato (YouTube)Entrevista do Comandante Mário Pravato. Vídeo hospedado no YouTube. Contate-nos caso tenha problemas de disponibilidade. apresenta algumas falhas, como a data equivocada atribuída ao evento pelo apresentador – 22 de fevereiro de 1982, mas disponibiliza outros dados importantes. Visivelmente constrangido diante das câmeras e com um cuidado talvez excessivo em não utilizar um jargão técnico, o arquivo traz, em ordem cronológica de apresentação, as seguintes informações:

284. O voo Transbrasil fazia a rota Manaus-Brasília-Rio-São Paulo (1 minuto e 42 segundos).

285. O Vasp fazia a rota Fortaleza-Rio (1 minuto e 56 segundos).

286. O Aerolínias Argentinas fazia, provavelmente, a rota Miami-Buenos Aires (1 minuto e 59 segundos).

287. As três aeronaves – Transbrasil, Vasp e Aerolínias Argentinas – passaram sobre Belo Horizonte (2 minutos e 16 segundos).

288. A altura de voo das três aeronaves – Transbrasil, Vasp e Aerolínias Argentinas – era de aproximadamente 10 mil metros (2 minutos e 29 segundos).

289. O objeto foi observado à esquerda do Transbrasil (2 minutos e 40 segundos).

290. O objeto era muito estranho, pois se encontrava na mesma linha do avião e não junto das estrelas (2 minutos e 50 segundos).

291. O avistamento pelo Transbrasil durou cerca de 15 minutos (3 minutos e 10 segundos).

292. O Transbrasil perdeu o objeto de vista quando ao iniciar a descida para pousar no Rio de Janeiro, logo depois de Belo Horizonto, após entrar numa camada de nuvens (3 minutos e 16 segundos).

293. Pravato acredita que houve omissão do Aerolíneas Argentisnas, ao não querer se manifestar sobre o objeto (3 minutos e 41 segundos).

294. O comandante diz já ter vistos “objetos estranhos” várias vezes, pricipalmente na rota Manaus-Brasília e Brasília-Manaus, mas sempre de forma isolada (4 minutos).

295. Essa ocorrência foi relevante, pois envolveu o avistamento simultâneo por três aeronaves comandadas por pilotos experientes (4 minutos e 21 segundos).

296. O comandante Pravato tinha aproximadamente 10 mil horas de voo na época, sendo ele um piloto experiente (4 minutos e 37 segundos).

297. Até onde sabia, o comandante Britto era um estudioso de discos voadores e possuía ainda mais experiência em horas de voo do que ele (4 minutos e 54 segundos).

298. O comandante tem certeza da existência de OVNIs, havendo o problema apenas de comprová-la (5 minutos e 12 segundos).

299. Grande parte dos companheiros de profissão do comandante acreditaram no relato, também já tendo visto, isoladamente, coisas semelhantes. (5 minutos e 43 segundos).

300. A repercussão desse caso específico, segundo Pravato, se deveu ao avistamento conjunto por três aeronaves (6 minutos e 6 segundos).

301. Ao contrário de Britto, Pravato resolveu, por bem, não chamar a tripulação. Ela estava dormindo, pois eram 3h40min da madrugada (6 minutos e 23 segundos).

302. O objeto foi visto pelo Transbrasil durante 15 ou 20 minutos (6 minutos e 48 segundos).

303. No Vasp, o bispo de Fortaleza teria até rezado em virtude do objeto, segundo o comnadante Britto (7 minutos e 18 segundos).

304. Consta que o comandante Britto enviou um relatório sobre o caso, particular dele, para a NASA (7 minutos e 32 segundos).

305. Muitos pilotos já viram luzes estranhas, mas não fazem o relato porque estavam sozinhos, não havendo possibilidade de comprovação (7 minutos e 52 segundos).

306. Após as várias entrevistas que realizou, o comandante Pravato recebeu uma recomendação de sua chefia para evitar novas manifetações, visando não abalar a opinião pública (8 minutos e 36 segundos).

307. O comandante acredita que a reserva das autoridades sobre o assunto OVNI decorre do interesse em não gerar pânico (9 minutos e 12 segundos).

308. O comandante deu uma entrevisto ao Programa Fantástico, da Rede Globo, algumas semanas antes de ser entrevistado pela TV de Concórdia (9 minutos e 44 segundos).

309. Pravato, conforme sua impressão, acredita que manifestações ufológicas vêm aumentado com o tempo (10 minutos e 10 segundos).

310. Apesar de alguns afirmarem que o objeto poderia ser Vênus, o comandante repudia a idéia, pois o planeta estaria no céu, com as estrelas, e não na linha do avião (10 minutos e 40 segundos).

311. O objeto era parececido com a Lua cheia, só que duas vezes maior (11 minutos e 11 segundos).

312. Quando fixava a visão no objeto, via que ele variava as cores: vermelho, amarelo (cor de “laranja madura”) azulada e cinza escuro (11 minutos e 32 segundos).

313. Pravato já vinha acompanhando o objeto antes do contato de Brasília, realizado depois da comunicação do comandante Britto (12 minutos e 3 segundos).

314. O Aerolíneas Argentinas, por falta de atenção ou omissão, não falou nada sobre o objeto (13 minutos e 27 segundos).

315. Os relatos do Vasp e do Transbrasil sobre o acontecimento são perfeitamente equivalentes (13 minutos e 49 segundos).

316. O controle do radar, geralmente, é feito por sargentos. Eles também possuem recomendação de não falar muito sobre o assunto, mas informaram que realmente observaram um objeto desconhecido na posição em que se descrevia o OVNI no radar (13 minutos e 56 segundos).

317. Sobre pessoas que dizem ter avistado OVNIs e extraterrestres e são chamadas de loucas, o comandante acha que cada caso é um caso, dependendo de vários fatores, como grau de instrução, condições de avistamento e teor do testemunho – “não está lá escrito: eu sou um disco voador e o cara não vai descer lá e bater um papo com você” (14 minutos e 44 segundos).

318. O comandante reitera sua opinião de que a reserva das autoridades sobre o assunto OVNI deve decorrer do interesse em não gerar pânico na população menos esclarescida (16 minutos e 16 segundos).

Veja as últimas sobre o disco voador

Matéria do Diário Popular, em 10 de fevereiro de 1982 (jpg, 2.34 MB),Veja as últimas sobre o disco voador (jpg, 2.34 MB). Diário Popular, 10 de fevereiro de 1982. Agradecimentos a Mário Pravato Júnior. traz as seguintes informações adicionais:

Destaque 1:

319. No Vasp, pelo menos uma passageira viu a estranha luz antes de que todo o avião fosse avisado pelo sistema de som.

Destaque 2:

320. Um dos pilotos desse avião da Transbrasil acha que a luz podia ser de Vênus: — “O que eu estava avistando poderia ser Vênus. Acredito que sim. O que nos causou espanto foi o radar do Centro em Brasília, do Cindacta, ter reportado estar avistando na sua tela de radar um objeto a aproximadamente oito milhas da aeronave da Vasp”.

Destaque 3:

[321] O professor Pierre Kauf-mann, reconhecido por suas pesquisas em Física Sülar, mas também com grande experiência em radioastronomia, alertou ontem, em São Paulo, para o perigo de se confundir um fenômeo natural não identificado com um objeto voador não identificado.

[322] — Não posso opinar sobre isso em si, porque me faltam dados para possibilitar uma interpretação. Não quero deixar ao leitor a idéia de que os passageiros do avião tenham sido vítimas de uma ilusão. [323] O relato é sério e provém de fonte séria. [324] Parece-me não haver dúvida de que pode ter ocorrido na madrugada de segunda-feira um fenômeno completamente estranho. [325] Só quero deixar claro que tais fenômenos são raros, mas existem — disse.

“Objeto” é Vênus, afirma astrônomo

Matéria da Folha de São Paulo, em 11 de fevereiro de 1982 (jpg, 10.56MB),“Objeto” é Vênus, afirma astrônomo (jpg, 10.56 MB). Folha de São Paulo, 11 de fevereiro de 1982. Agradecimentos a Mário Pravato Júnior. traz mais informações complementares:

Destaque 0:

foto do objeto

325.1. Este é o “disco voador” avistado de bordo de um avião da Vasp na madrugada de segunda-feira. A foto (na qual se distingue apenas dois focos de luz) foi feita por um passageiro, que preferiu manter-se no anonimato.

Destaque 1:

326. O Astrônomo Silvio Ferraz Melo, titular do departamento de astronomia da USP, afirma que o objeto é Vênus, tando devido à posição quanto a hora indicadas no avistamento.

327. O planeta seria visível na altura do avião pouco antes das 4h da manhã, aproximadamente a leste, conferindo com os depoimentos.

328. A variação de cores seria decorrente do fato do planeta estar muito próximo do horizonte, de modo que extensa atmosfera se comportaria como uma “lente não rígida”.

329. Vênus estaria superbrilhante no período, chegando a ser 10 vezes mais brilhante que qualquer estrela no céu. O planeta atingiu seu brilho máximo no dia 24 de fevereiro.

330. “Com isso estão de parabéns os passageiros do avião que assistiram a um lindo fenômeno, propiciado pela conjungação de um fenômeno celeste com a de um fenômeno atmosférico. É algo realmente muito bonito de ser visto”.

Destaque 2:

“Confirmo toda a descrição”

[331] O co-piloto Carlos Alberto Goes de Brito e o engenheiro de vôo Francisco Cesarino, que estavam no vôo 169 da Vasp, na madrugada do dia 8, quando a tripulação e os passageiros afirmam ter visto um Objeto Voador Não Identificado seguindo a aeronave, confirmaram ontem os depoimentos do comandante Gérson Maciel de Brito. [332] “Confirmo totalmente toda a descrição feita por ele”, afirmou Cesarino, que tem 29 anos de idade e dois de aviação. [333] Também o engenheiro Alberto garante que é tudo verdade e tenho certeza de que não se tratava de outro avião ou estrela ou mesmo satélite artificial. [334] Era um Ovni”, diz ele, que tem 35 anos de idade e 10 de profissão.

[335] Para ambos, esta foi a primeira experiência, mas os dois esperam que o fato volte a ocorrer. [336] Cesarino admite que durante algum tempo tinha ficado apreensivo com a visão, mas garante que não teve medo.

TESTEMULHAS

É grande o número de testemunhas diretas e indiretas do acontecimento. Apenas no Vasp, haviam cento e quarenta e três passageiros (236), seis comissários de bordo (239) e três tripulantes na cabine (12), totalizando 152 pessoas. Muitas delas deixaram registro confirmando a ocorrência aqui documentada (39, 110 e 209). Apresentaremos aquelas que identificamos até o momento. Não obstante a lista ainda esteja incompleta, ela é suficiente para sustentar o relato. As testemunhas podem ser divididas em quatro grupos.

Grupo 1 – Tripulação na cabine de comando.

Comandante Gerson Maciel de Britto. Na época, já aviador experiente com 45 anos de idade (44), 30 anos de aviação (44 e 212), 22 anos na companhia Vasp (196, 212), sendo 12 como comandante de jato (196). Somava 16.000 horas de voo (196). Individualmente, por sua posição no acontecimento e coerência e empenho na divulgação, é a testemunha mais importante.

Monitorando o objeto durante todo o percurso de voo (4, 68, 71, 74 e 90), juntamente com os outros dois tripulantes na cabine (7, 12, 76 e 99), teve o cuidado de verificar hipóteses plausíveis (2, 9, 10, 67, 74, 189 e 120) e certificar-se da efetividade do fenômeno pelo contato com três radares em terra (72, 73, 84, 16, 84, 118, 34 e 204) e duas outras aeronaves (17, 23, 86, 122), antes de convidar ao testemunho as demais pessoas a bordo (29, 47, 98, 101, 207 e 239). Ele também teve rara coragem ao expor sua imagem fazendo o relato.

O comandante já havia tido experiência com possíveis OVNIs em outras três oportunidades, conhecendo alguma literatura sobre o assunto (28, 46, 214, 246, 247, 248 e 297). Sua tentativa de também estabelecer algum contato por meio telepático mostra essa influência, uma vez que tal possibilidade é bastante difundida em ufologia esotérica.Conheça melhor nossa classificação no artigo Ufologia. Resta evidente que seu denominado preparo psicológico (233) teve desdobramentos positivos no sentido de manter a serenidade psicológica da testemunha durante o avistamento (217 e 218), apesar de algum tipo de abalo posterior ser identificável.Vasp 169 – Transcrição (pdf?zip, 2.4 MB). Avalie as transcrições dos dias 9 e 10 de fevereiro. Consta que o comandante elaborou um relatório específico, encaminhado para o Ministério da Aeronáutica e para a NASA (230 e 304).

Co-piloto Carlos Alberto Goes de Brito. Tinha 35 anos de idade e 10 anos de profissão na época (334). Manteve-se na cabine acompanhando todo o acontecimento (7, 12, 76 e 99). Confirmou integralmente o depoimento do comandante Britto (331), afirmando ter certeza de que não se tratava de outro avião, estrela ou satélite artificial, mas um OVNI (333 e 334). Foi sua primeira experiência do tipo (335).

Engenheiro de Voo Francisco Cesarino. Tinha 29 anos de idade e dois anos de aviação na época (332). Manteve-se na cabine acompanhando todo o acontecimento (7, 12, 76 e 99). Confirmou integralmente o depoimento do comandante Britto (331 e 332). Foi sua primeira experiência do tipo (335). Admite ter ficado apreensivo com a visão, mas garante que não teve medo (336).

Grupo 2 – Passageiros e tripulação fora da cabine.

Comissários. Estavam no número de seis (239). Não temos mais informações.

Eliane Belashi. Moradora do Rio de Janeiro (244). Corrobora integralmente com a versão do acontecimento dada pelo comandante (206, 207, 208 e 209). Recorda que o apelo do comandante para os passageiros observarem o objeto aconteceu por volta das 4h15min (244). A luz, teria o “tamanho de uma bola de futebol” (244).

Paulo Belache. Morador do Rio de Janeiro, casado com Eliana Belashi (244). Julgava, a princípio, que a luz pertencia ao próprio avião, depois percebendo que era mais forte. (244).

Silésia Paes Del Rosso foi a passageira que fez o primeiro e mais extenso depoimento, enquanto a maioria dos demais passageiros evitava maior contato com a imprensa (231 e 232). Sentiu empolgação com o acontecimento (240). Ela contou que o objeto “brilhava como uma lâmpada de mercúrio, de iluminação pública”. Disse ainda: “Fiquei empolgada e todos os passageiros procuravam inteirar-se do avistamento, disputando as janelas à esquerda do avião. Mesmo assim estavam todos calmos, como se estivessem acostumados a ver UFOs todos os dias. Pelo conteúdo da declaração, supomos ser ela a passageira que deu a entrevista ao Jornal Nacional que transcrevemos (51, 53 e 54).

Conforme outras fontes:A noite em que um UFO perseguiu um 727 da Vasp. Grandes Mistérios da Ufologia, 20 de junho de 2008. Acesso em 07/08/2010.

Ana Lúcia Ximenes, amiga de Maria Silva Marrocos, teria afirmado “o que vi foi uma outra lua”.

Francimeire Saraiva de Araújo concluiu que “era um círculo com luz flourescentes, um OVNI sem dúvida” (sic).

Maria Silva Marrocos disse “Vi um ponto de luz muito forte, que aumentava e diminuía de intensidade. Fiquei emocionadíssima”.

Rômulo Andrade Lima contava que: “o formato (do OVNI) era oval, o centro mais luminoso e as bordas mais claras. Mas não vi as tais pontas que outros passageiros falaram”.

Sandra Helena Vieira afirmou: “fiquei surpresa e emocionada. Vi uma luz intensa que se aproximava e se afastava. Gostaria que ‘eles’ entrassem em contato conosco”.

Alguns religiosos voavam no Boeing para participar da 20ª Assembléia Geral da CNBB, em Itaici-SP (209). Sua presença teve destaque devido ao fato do Cardeal Arcebispo Dom Aluísio Lorscheider ter se recusado a observar o OVNI, alegando como motivação que não queria saber dessas coisas (103, 104, 235 e 241). A passagem foi exaustivamente explorada pela imprensa, implícita ou explícitamente como retrato de intransigência da Igreja.

Não foi uma assunção justa. A resistência a enfrentar eventos que confrontam nossas concepções é naturalVeja Dissonância Cognitiva. e se torna ainda mais intensa quando representamos um conjunto de valores que excede nossa individualidade. A Igreja Católica Apostólica Romana possui quase dois mil anos de doutrina e a reação do Arcebisbo foi esperada, se naquele momento ele julgou que poderia haver alguma incompatibilidade entre o evento e o paradigma que representava.Saiba mais sobre paradigmas em Conhecimento Estabelecido. Essa possibilidade ameaça, considerando o atual estágio teológico da Igreja, não era ignorada na época.A Vasp, a Transbrasil e a Exoteologia (jpg, 1.05 MB). Roberto Vicente Themudo Lessa, em Folha da Tarde, 12 de fevereiro de 1982. Nossos profundos agradecimentos a Mário Pravato Júnior.

Outro fator relevante é que a Igreja Católica Apostólica Romana também possui uma hierarquia muito sólida. Os demais eclesiásticos jamais contraporiam o Arcebispo em público, independentemente de suas convicções pessoais. De qualquer forma, consta que alguns deles trocaram impressões com o comandante após o evento (213 e 241) e que apenas o Arcebispo e um acessor se recusaram a testemunhar o que acontecia (103). Alguns dos nomes podem ser listados.A noite em que um UFO perseguiu um 727 da Vasp. Grandes Mistérios da Ufologia, 20 de junho de 2008. Acesso em 07/08/2010.

Dom Aluísio Lorscheider, Cardeal Arcebispo de Fortaleza – CE. Recusou-se a testemunhar o OVNI (235). Não temos mais informações sobre sua posição quanto ao acontecimento.

Dom José Teixeira, Bispo auxiliar de Fortaleza – CE. Até o momento, não temos mais informações sobre ele. Em alguns momentos referenciado como José “Terceiro”, seguiu o comportamento do Cardeal durante o avistamento, mas procurou mais informações em um segundo momento (241).

Dom Edmilson Cruz, Bispo do Crato – CE. Em alguns momentos referenciado como “Milton”, seguiu o comportamento do Cardeal durante o avistamento, mas procurou mais informações em um segundo momento (241).

Dom Pompeu Bessa, Bispo de Limoeiro do Norte – CE. Sem dados. Falecido em 23 de julho de 2000.Pompeu Bezerra Bessa. Colégio Brasileiro de Genealogia. Acesso em 29/08/2010. Não temos mais informações sobre ele.

Assim, para a composição do grupo eclesiástico no voo, parecem restar dois nomes (209). Constam duas passageiras que tiraram fotos (234), possivelmente também prejudicadas pela grossura dos painéis (102 e 325.1), mas não temos mais detalhes. Continuamos procurando informação mais detalhadas sobre os passageiros listados, bem como sobre os demais passageiros.

Grupo 3 – Outras aeronaves.

Foram duas as outras aeronaves envolvidas no caso. Um voo da Aerolíneas Argentinas (AR 169) e outro da Transbrasil (QD 177). Foram contatadas pelo Controle de Brasília a pedido do comandante Britto, que desejava saber se era possível observar o objeto de outra posição fora da aeronave (17, 86, 122).

Aerolíneas Argentinas

Tráfego identificado nos registros do CINDACTA como AR 169. Voava para Buenos Aires (18 e 286), atrás do Vasp 169, aproximadamente na mesma altura (288) e a uma distância significativa (18).

Em várias ocasiões foi declarado como se o avião tivesse confirmado o avistamento (23, 18, 56, 87, 197, 210 e 238). Essa confirmação, contudo, foi negada em declaração à imprensa pelo Tenente-Coronel Norberto de Castro Brum (199, 203 e 238). A análise da transcrissão da gravação do contato entre o VP 169 e o CINDACTA I em Brasília permite avaliar esses posicionamentos.

Conforme o registro, a aeronave AR 169 foi solicitada duas vezes a declarar se conseguia ver o objeto. Na primeira (140 e 151) declarou não conseguir a visualização devido à nebulosidade (156). Na segunda (171), não deu nenhuma declaração inequívoca, mas chegou a levantar a hipótese de que a luminosidade poderia ser Vênus (189).

Infelizmente, material escrito tem menos informação que material gravado. Sua análise crua dá razão ao Tenente-Coronel, não sendo identificada nenhuma declaração clara de que o objeto estava sendo visualizado pela aeronave AR 196. No ambiente de tensão, contudo, o comandante Britto deve ter julgado o levantamento da hipótese de Vênus como uma confirmação de visualização, mas incapacidade de definir o que seria (189 e 87). Ambas as interpretações são possíves, dependendo da entonação e grau emocional das declarações no trecho 189. Isso, infelizmente, não é possível concluir com base no material disponível, tendendo a conjutura para a versão da Aeronáutica.

Entendemos, contudo, que assumir que houve omissão por parte do Argentina é equivocado (293 e 314), assim como considerar sua não declaração de avistamento como forma de desqualificar a ocorrência. O cruzamento de dados, na nossa avaliação, mostra que sua distância impedia uma vizualização adequada, o que corrobora para a hipótese de que o objeto testemunhado não era Vênus em condições peculiares de observação ou outro um fenômeno astronômico, conforme desenvolvemos mais adiante, nas discussões sobre as hipóteses.

Transbrasil

Tráfego identificado nos registros do CINDACTA como QD 177. Era um vôo econômico-noturno que voava de Manaus para o Rio de Janeiro, com escala em Brasília (251 e 252). Encontrava-se aproximadamente na mesma altura do Vasp (288).

Ao contrário da AR 169, a aeronave Transbrasil declarou claramente, em duas oportunidades diferentes, ter visto o objeto conforme descrito pelo VP 169 (148 e 187). Isso é inclusive confirmado pelo Tenente-Coronel Norberto de Castro Brum (202). Consta que eles mativeram a observação durante muito tempo (88). Pela análise da trancrissão dos contatos com o radar de Brasília é possível afirmar que esse tempo foi, no mínimo, 14 minutos, intervalo entre a primeira e a segunda confirmação, respectivamente às 4h06min e 4h20min (148 e 187). O comandante do voo, Mário Pravato, declara que o avistamento total durou entre 15 e 20 minutos (291 e 302), pois já realizava a observação antes do contato com o CINDACTA (282 e 313).

Mário Pravato. Primeito oficial do Transbrasil (255), comandava o avião na ocoasião. Tinha 36 anos de idade, 10 anos de Transbrasil e mais de 7 mil horas de vôo na época (255, 256 e 296). Começou a observar a luminosidade do objeto mais ou menos às 3h40min (257). Corroborou integralmente com as declarações do comandante Britto (258 e 270). Destaca que o registro do objeto pelo CINDACTA se deu depois desse confirmar a posição do objeto em relação ao Vasp e ao Transbrasil (259, 260, 261, 263, 264 e 265).

Segundo Pravato, o objeto tinha uma luz muito forte, com a forma arredondada (266), grande (311) e colorida (312). O objeto emitia intensa claridade (167), mas ele não conseguiu ver os movimento, talvez em virtude de sua posição (268). Ele afirma que se tinha impressão clara de que o objeto estava realmente acompanhando o Vasp (269).

Milton Missaglia. Comandante do Transbrasil. Tinha 30 anos de idade, 10 anos de Transbrasil e cerca de 8 mil horas de vôo (251) na época. A princípio julgou que o objeto fosse Vênus, mudando de opinião após a declaração de detecção pelo CINDACTA (253).

Ele teve uma participação muito reservada em relação ao acontecimento. Há poucos registros de pronunciamentos seus. Diante da repercussão dos fatos, em especial talvez depois da negativa em entender o “ponto” no radar como um indicativo de OVNI pelo CINDACTA, ele retomou sua posição em relação à possibilidade do objeto ser Vênus (320).

Ainda não conseguimos contato com o comandante, mas parece que a possibilidade do objeto ser um Disco Voador teve impacto diferente em sua pessoa. O retorno à possibilidade de Vênus teria mérito, mas seria necessário preencher lacunas, como o movimento do objeto e sua posição relativa às aeronaves, como desenvolveremos mais adiante.

Seu não envolvimento nos debates posteriores, seja a favor ou contra a hipótese de Vênus, revela um desejo de se preservar do evento ou evitar o assunto, talvez indícios de um compreensível processo de Dissonância Cognitiva.

Grupo 4 – Pessoas em terra.

As testemunhas em terra consistem basicamente de militares, que não viram o objeto, mas acompanharam o desdobramento dos fatos, incluindo a detecção por radar. De modo geral, a Aeronáutica, durante todo o evento, deu informações verídicas, apenas agindo com parcimônia e ponderação, comportamento esperado para uma instituição de sua natureza. Essa política de transparência e cautela chegou a ser oficializada em determinado momento (272).

Coronel Luís Carlos Picorelli. Não teve participação no evento, mas negou que jatos da força aérea tenham decolado na madrugada do dia do acontecimento com a finalidade de interceptar o OVNI (270).

Tenente-Coronel Norberto de Castro Brum. Fez declarações à imprensa em nome da aeronáutica (199 e 227). Nota-se, pelo teor das declarações, que em nenhum momento faltou-se com a verdade, julgando-se que o Tenente-Coronel tinha em mãos apenas a transcrissão da gravação da comunicação do VP 169 com Brasília e a intenção de não fazer julgamentos precipitados, algo perfeitamente esperado para alguém em sua posição.

Tenente Tristão Mariano. Estava na Torre do Destacamento de Proteção de Vôo do Galeão às 4h20m, que trocou comunicação com o Vasp 169. Não testemunhou o objeto, mas confirma contatos do comandante (204).

RECONSTITUIÇÃO

tajetória do Vasp em branco, OVNI em vermelho

Em 8 de fevereiro de 1982, às 1h50min, o Boeing 727/200, voo Vasp 169, decolou de Fortaleza com destino ao Rio de Janeiro-RJ, como escala para São Paulo (2, 63, 64). Transportava três tripulantes na cabine de comando (12), seis comissários de bordo (239) e cento e quarenta e três passageiros (236), perfazendo um total de 153 pessoas.

Por volta das 2h39min, o avião sobrevoava Petrolina-PE. Sua altura de cruzeiro era 9.400 metros e sua velocidade pouco maior que 900 km/h (43, 77), em torno de Mach 80Ointenta por cento da velocidade do som, cerca de 988 km/h. Ver Número de Mach. Wikipédia. Acesso em 05/09/2010. (8). Trinta e três minutos depois de passar por Petrolina, às 3h12min, após um deslocamento de aproximadamente 543 km, o avião chega à região da cidade de Bom Jesus da Lapa-BA (42). Há pouca informação sobre esse primeiro techo da viagem, não tendo nada de especial acontecido nele.

Havia ampla visibilidade, situação que se manteve durante toda a viagem (8 e 65). Sobre a região de Bom Jesus da Lapa, o avião fixa a rota na aerovia UR 1 (2). Essa aerovia aponta na direção dos 213°, conforme informações contantes em esquema apresentado pelo Comandante (215). Após a manobra, um objeto luminoso surgiu à esquerda da aeronave, na posição 9 horasPara entender o uso de horas como direção veja Post to Post Links II error: No post found with slug "navegacao- e-referenciamento". (2, 41, 45 e 66).

Intrigado com que lhe parecia ser um avião irregular na rota (2, 67 e 120), o comandante Gerson Britto entra em contato com o centro de controle da Região de Informação de Voo – FIRRegião de Informação de Voo. Wikipédia. Acesso em 08/08/2010. de Recife. A resposta foi que se desconhecia qualquer tráfego aéreo na posição mencionada (3, 72 e 73). O Vasp 169 tenta contato com o objeto através do rádio e com sinalizações por farol, sem sucesso (4, 5, 6 e 22). Após determinado tempo, pelo luminosidade atípica, a tripulação descartou a possibilidade de um avião (74). Foi mantido o monitoramento constante do objeto durante todo o resto da viagem (4, 68, 71, 74 e 90).

Após entrar na FIR Brasília, pouco depois da posição de referência KAKUD,A posição KAKUD fica aproximadamente na mesma latitude de Brasília e longitude de Bom Jesus da Lapa.Ver Plan de navegación aérea, Volumen I, ANP básico, Primera edición – 2000. Ministerio de Transportes y Comunicaciones (PERU). p. 136. Acesso em 07/09/2010. Aí também é possível observar as Região de Informação de Voo (FIR Recife e FIR Brasília). chegando à jurisdição do Centro Integrado de Defesa Aeroespacial e Controle de Tráfego Aéreo de Brasília – CINDACTA I, o Vasp 169 entrou em contato com o Controle Aéreo da Capital Federal, que naquele momento não identificou anormalidades (16, 18, 118, 119 e 121). Esse contato foi realizado às 3h34min (111).O horário local tem um déficit de 3 horas em relação ao registro, uma vez que esse foi feito em GMT. Ver Post to Post Links II error: No post found with slug "nacegacao-e-referenciamento". O comandante, então, solicitou contato com outras aeronaves na região para verificar se era possível visualizar o objeto de fora do avião (17, 86, 122).

O voo da Transbrasil nº 177 foi o primeiro a ser contatado, às 3h50min (123). Ele estava atrás do Vasp 169, na posição 5 horas (127 e 186), aproximadamente na mesma altura (288). O Transbrasil confirma, às 4h06min, avistar uma nuvem luminosa bastante grande e aparentemente fixa, seguindo a aeronave (147, 148 e 269). O voo Aerolíneas Argentinas nº 169 também viajava atrás do Vasp, a boa distância (18), aproximadamente na mesma altura (288), em direção a Buenos Aires (18 e 286). Estava seguindo 240º de Belo Horizonte, em direção a Campinas, 30 milhas (166 e 167). Ele foi contatado às 4h05min, declarando não conseguir visualizar o fenômeno devido à nebulosidade (140, 151 e 156).

Às 4h17min, doze minutos depois, o Vasp solicita que o Argentina tente efetuar nova observação (166). A aeronave continua tendo dificuldade em realizar o avistamento (169, 171, 173, 175 e 177). Na altura de Belo Horizonte, o objeto teria se aproximado visivelmente da aeronave (21, 96 e 242). Às 4h18min, Brasília comunica estar registrando um ponto no radar, desde cinquenta milhas sul de Belo Horizonte, seguindo o Vasp, exatamente na posição indicada por ela e pela aeronave da Transbrasil (30, 31, 57, 92, 121, 179, 183, 199, 242 e 316). A demora na comunicação deve ter decorrido da prudência do controlador de voo em garantir que o objeto captado não seria apenas um eco passageiro, possibilidade que depois foi defendida pela Aeronáutica (200, 223 e 249).

A essa altura, o comandante Britto já estava convencido há algum tempo de que o objeto não era um fenômeno trivial, mas um Disco Voador (22, 23, 24, 27, 82 e 95). Entusiasmado com o que lhe parecia ser uma tentativa pacífica de contato, ele mentaliza uma mensagem de boas vindas, atribuindo uma das aproximações do objeto como uma possível resposta (25, 60 e 97). O comandante, então, convoca a tripulação para que ela presencie o evento, de forma branda para evitar tumulto, mas evidenciado sua natureza não identificada, o que é feito com bons resultados (29, 47, 98, 101, 207, 208 e 237). O objeto foi visto com nitidez pelos passageiros (61 e 209).Veja também o Grupo 2 na seção dedicada às testemunhas. Alguns tentaram tirar fotografias, mas essas foram prejudicadas pela espessura dos painéis das janelas (102, 222, 234 e 325.1).

Às 4h20min, o Transbrasil corrobora novamente com o Vasp sobre a presença de luminosidade atípica às 9h do Vasp, 11h do Transbrasil, mesmo ponto indicado pelo radar de Brasília (182, 183, 187, 188 e 315). Às 4h22min, o Vasp entra na região da Serra do Mar e cessa o contato com Brasília. Uma camada de nuvens nebulosas se interpõe entre o avião e o objeto, mas esse continuava visível pelos espaços entre as nuvens (32, 107 e 198). A 3,2 km da borda da pista, o objeto se desloca para a posição 11 horas da aeronave (33 e 198). O comandante entra em contato com o Controle do Rio de Janeiro solicitando que seja feita uma tentativas de detectar o objeto, o que não foi possível (34 e 204). Às 4h34min se inicia o procedimento de pouso, sendo interrompido o contato visual com o objeto (106). O avião toca a pista 14 do Galeão às 4h37min (35, 193 e 215).

Uma esquadrilha de caças da FAB teria decolado da Base Aérea de Santa Cruz, não encontrando nada (194). O comandante foi informado que já haveria um grupo de caças em alerta, preparado para qualquer eventualidade, em virtude de estranhas sinalizações já captadas no decorrer de dois dias (195). A Aeronáutica negou que qualquer aeronave tenha levantado voo naquela data com o objetivo de perseguir o objeto relatado pelo Vasp (270).

O trecho até São Paulo transcorreu sem contratempos relatados pelo Vasp (36). Também não constam contratempos relatados pelo Transbrasil.

OBJETO

Quando visto a distância, o objeto que seguiu o Vasp 169 tinha a aparência de um ponto luminoso muito brilhante (2). Ele se movimentava de maneira atípica, na vertical e na horizontal (11, 14 e 243). Esses movimentos não eram ilusões provocada por oscilação na aeronave, uma vez que essa estava estabilizada e no piloto automático, como foi cuidadosamente observado pelo comandante Britto (15). O objeto não se movimentava apenas nos eixos vertical e horizontal, mas também alterava perpendicularmente sua distância em relação à aeronave, até muito próximo (94) o que podia ser percebido pelo aumento e diminuição do foco luminoso (19, 20, 33, 49, 76, 80, 91, 108, 109 e 198). Em vários momentos, o objeto alternou rápidos movimentos com posições estacionárias (76, 83, 105, 220 e 243).

A velocidade e aceleração relatadas pareciam ser muito altas. Quando em voo estacionário em relação à aeronave (8, 83 e 105) a velocidade do objeto deveria ser igual a dela, pouco maior que 900 km/h (8, 43, 77). Nas acelerações, o comandante Britto supôs a cobertura de uma distância entre 80 e 160 quilômetros em frações de segundo (79), o que resultaria, no mínimo, em impressionantes 288.000 km/h.Conversão simples de 80km/s para km/h. O cálculo pode parecer exagerado, mas velocidades e acelerações vertiginosas parecem não ser problema para objetos ufológicos, conforme registram várias ocorrências na casuística.

Estimando a distância do objeto pelo radar (78), o comandante pode compará-lo a outros objetos conhecidos em posição semelhante, chegando a uma estimativa de tamanho.Veja Navegação e Referenciamento Esse tamanho avaliado seria o de dois aviões Jumbo juntos (95). Jumbo é o apelido do Boeing 747. Ele tem 68,5 metros de envergadura e 76,3 metros de comprimento, sendo um dos aviões mais conhecidos da história da aviação.Boeing 747. Wikipédia. Acesso em08/08/2010. Os jumbos voam comercialmente desde 1969, sendo perfeitamente natural que um deles tenha sido usado como referência pelo piloto. O tamanho estimado, assim, seria algo entre 137 e 153 metros de diâmetro. Em sua entrevista, o comandante Pravato, do Transbrasil afirma que o objeto teria o tamanho de “duas luas” (311). Ao que parece, há desculpável exagero. Estando a 26 milhas de distância (186), o objeto deveria ter diâmetro angular de cerca de 0,2º, 40% da Lua. Grande, sem dúvida, mas não tanto.

Uma passagem afirma que Pravato disse que o objeto era bem maior que o tamanho de uma televisão em cores (266). Isso não faz sentido, uma vez que seria necessário determinar a distância para fazer uma comparação. É de se esperar que referências desse tipo sejam feitas por pessoas sem familiaridade com navegação (244), mas não por um piloto experiente. O mais provável é um erro do jornal que vinculou a informação, sendo que a referencia da televisão em cores deve ser em relação à luminosidade do objeto, como divulga outro periódico (280).

A janela frontal da cabine de comando do Boeing 727 possui uma inclinação. Uma vez que o objeto foi observado pela tripulação da cabine no centro da janela (7), pode-se concluir que o mesmo chegou, no mínimo, a uma altura pouco acima dos 9.400 metros em que viajava a aeronave (43 e 77). Ao final do avistamento, durante o procedimento de pouso, já sendo conhecida uma estimativa de tamanho do objeto, como mencionado, avaliou-se que a fuga do mesmo em direção à Baia de Guanabara foi realizada em um nível de aproximadamente 1,82 quilômetros (33). Essas informações permitem inferir que as manobras do objeto se deram aproximadamente entre dois e dez quilômetros de altura.

A luminosidade era compacta e muito viva, contrastando com o brilho relativamente mais tênue de Vênus e das estrelas (9, 48 e 54). Ela pulsava em ritmos alternados (20, 208 e 243) e se projetava, resplandecendo mesmo no interior do avião (32, 100 e 207). As cores mutavam, predominando o branco e o azulado com pigmentações vermelhas e alaranjadas na periferia do foco (13, 20, 22, 50, 70, 120). Isso foi confirmado pelo Transbrasil, sendo que de sua posição pareciam preponderar as cores quentes (312). A luminescência projetada sobre o avião, contudo, era braca-azulada (100 e 207). O objeto não deixava rastro luminoso enquanto se deslocava (232).

O objeto chegou a ser visto com nitidez por algumas testemunhas (51), sendo descrito como tendo a aparência de aro (53), disco (95 e 105), oval ou forma de lua.Veja palavras atribuídas a Ana Lúcia Ximenes e Rômulo Andrade Lima no Grupo 2 da seção do texto dedicada às testemunhas O foco duplo na foto a que tivemos acesso pode ser um reflexo no vidro do painel da aeronave – a falta de detalhes e baixa nitidez não permite análises mais profundas (325.1). Em nenhum momento o objeto causou interferência nos sistemas da aeronave (37). O registro normal dos diálogos pelo rádio também comprovam esse fato.

HIPÓTESES

A observação realizada pelo voo Vasp 169 resiste às tentativas de explicação trivial. Todo um leque de possibilidades já foi levantado na época, como Vênus (189, 223, 249.8, 253, 320, 326, 327, 328, 329 e 330), Meteoros (249.2 e 249.7), Satélites (249.2, 249.4 e 249.5), Balões (205 e 229), Raios Bola (249.6) ou mesmo a Lua (229). Essas possibilidades continuam sendo referenciadas ainda hoje pelos céticos, mas têm se mostrado incapazes de comportar satisfatoriamente todos os eventos ocorridos e mesmo o esforço de unir várias delas num único quadro explicativo apresenta problemas. Vejamos, a seguir, uma análise dessas hipóteses e suas limitações.

Vênus

A possibilidade da ocorrência ter sido causada por uma confusão com o planeta Vênus foi levantada no decorrer do próprio avistamento (189). Ela foi taxativamente rechaçada pelo comandante Britto e a tripulação da cabine, que buscava ativamente identificar o objeto em condições de plena visibilidade (7, 8, 12, 76, 99, 332, 333 e 334). Além das características luminosas (13, 20, 22, 32, 50, 70, 100, 120, 207, 208 e 243), tamanho (95 e 311) e movimento (19, 20, 33, 49, 76, 80, 83, 91, 105, 108, 109, 198 e 243), completamente distintas do planeta, o comandante afirma que ambos chegaram a ser vistos simultaneamente, sendo o objeto muito mais brilhante (9 e 10). Pode ser razoável assumir que um leigo confunda Vênus com um OVNI, mas é insensato considerar que um grupo experiente de pilotos profissionais avaliaria o planeta com sendo uma outra aeronave (2, 67 e 120).

A hipótese de Vênus, contudo, permanece (189, 223, 249.8, 253, 320, 326, 327, 328, 329 e 330). Ela sempre é retomada por pessoas que procuram uma explicação para o caso resistindo a fazer uma análise detalhada dos fatos.Esse comportamento pseudocientífico, infelizmente, é incentivado pelo Conhecimento Estabelecido. Saiba mais em Metaceticismo. Consideremos o seguinte techo de uma manifestação do ufólogo Marco Antonio Petit a respeito:O caso do vôo 169 da Vasp, por Marco Antonio Petit. CUB, em 24 de abril de 2007.

O comandante Gerson Maciel de Britto, depois de ser liberado pela própria empresa para falar abertamente sobre o incidente, levou sete horas e meia atendendo os jornalistas. Em poucas horas a história era apresentada para o Brasil de norte ao sul. Como costuma acontecer em casos ufológicos de repercussão, surgiram com o passar dos dias as mais absurdas explicações visando desqualificar a realidade da presença de uma nave extraterrestre. Nos envolvemos diretamente com a polêmica participando de debates sobre o caso, em que tomaram parte inclusive alguns astrônomos. Um destes de início defendeu a idéia que se tratava de Vênus, mas depois de fazer o mesmo vôo, no mesmo horário, descobriu que Vênus estava abaixo do horizonte no momento em que teve início a observação do fenômeno, passando a defender a idéia em seguida, que se tratava de um prolongamento da aurora boreal. Isto não impediu que um professor de navegação astronômica surgisse dias depois defendendo novamente a idéia absurda, que um piloto com mais de 20 mil horas de vôo havia sido capaz de confundir o planeta Vênus com uma nave extraterrestre, que tinha duas vezes o tamanho de um avião jumbo.

Qualquer um que analise os fatos, ou tenha feito uma viagem na mesma rota e horário do Vasp 169, certamente descartará Vênus como uma possibilidade explicativa. Entretanto, é importante saber que o planeta era visível do avião no momento do avistamento, ao ponto de ter sido mencionado como possibilidade pelo piloto do Aerolíneas Argentinas (117) e descartado como tal pela equipe do Vasp (7, 9 e 10). De fato, o planeta era invisível do solo, só despontando no horizonte às 5h10min,Lat -13, Lon -43, 08/02/1982, 5h10min. Neave. Acesso em 03/08/2010. o que pode ter causado confusão nas informações de ausência mencionadas acima por Marco Antonio Petit. Mas, a 9.4 km de altura, onde estava o avião, era possível ver o astro (327). Vamos demonstrar o raciocínio.

Naquele dia, o planeta alcançaria o centro do céu (Zenith), aproximadamente às 11h10min.Lat -13, Lon -43, 08/02/1982, 11h10min. Neave. Acesso em 03/08/2010. Como surgiu no horizonte as 5h10min isso equivale a um deslocamento de 90º em 6 horas, ou 15º/h. O primeiro contato ocorreu aproximadamente duas horas antes de Vênus surgir no horizonte ao nível do solo (2). Em duas horas, ele se deslocava aproximadamente 30º, de modo que é possível assumir que no momento do avistamento ele estivesse a cerca de 30º abaixo do horizonte ao nível do solo.

esquema do cálculo (aproximado)

Ao nível do solo, o horizonte se encontra a aproximadamente 5 km.Horizonte. Wikipédia. Acesso em 04/08/2010. Considerando o horizonte como referência, os 30º correpondem ao ângulo “b” do esquema ilustrativo acima. Resta estimar se a posição do avião, a 9.4 km de altura, poderia fornecer o deslocamento angular necessário para que o planeta estivesse ao seu alcance visual. Esse cálculo corresponde ao ângulo “a” do esquema ilustrativo. A tangente é dada por 9.4 km/5 km = 1.88.Tangente. Wikipédia. Acesso em 04/08/2010. O arco tangente é dado por 1/1.88 = 0,5319.Funções trigonométricas inversas. Wikipédia. Acesso em 04/08/2010. Covertendo para graus, temos 0,5319*180/Π = 30,47º.Aprender Trigonometria. IEP. Acesso em 04/08/2010. Assim, com uma folga de aproximadamente 0,47º, deve-se assumir que era possível ver Vênus do avião no momento do avistamento, pouco acima da linha do horizonte.

Mas, se o planeta era visível, é possível que ele tenha sido confundido com um Disco Voador? Pelos motivos até aqui expostos, parece evidente que não. Os que pretenderem defender essa leitura devem necessariamente fornecer explicações para pelo menos quatro elementos: cor, tamanho, posição e movimento.

Quanto à cor e tamanho, o argumento base seria que a posição do planeta na linha do horizonte permitiria distorções provocadas pela atmosfera, causando as impressões descritas (328). Apesar de possível, há problemas em relação à magnitude e características dessas distorções. Não constam precedentes de que distorções atmosféricas possam fazer Vênus alcançar o tamanho aparente de 0,67º – 34% maior que a Lua -, diâmetro angular necessário para se deduzir que um objeto a oito milhas tem 150 metros (95). Também se sabe que no horizonte, devido à atmosfera, a luz dos astros tende ao vermelho. Seriam necessárias condições extremamente peculiares para Vênus apresentar uma alternância de cores como a descrita, de abrangência uniforme e envolvendo tanto cores quentes quanto frias (13, 20, 22, 50, 70, 120 e 312).

Apesar dessas dificuldades, as mais consistentes contra a tese de Vênus são as relativas à posição e movimento. Elas só são sustentáveis quando baseadas em recortes do testemunho, comparando os ângulos formados entre o avião e o planeta em determinadas passagens (327), ignorando outras.

Consta que momentos antes do aparecimento do objeto, o Vasp entrou na aerovia UR 1 (2), passando para a direção dos 213° (215). Uma vez que naquele momento Vênus estava aproximadamente na posição 95°, ele passaria a ser visível às 8h da aeronave, o que coincide com a posição aproximada do objeto em alguns momentos do relato (30, 128, 140 e 174), como mostra o esquema abaixo.Caso não compreenda as referências de posição, consulte o artigo Navegação e Referenciamento.

Vasp 213°, Vênus 95°, OVNI 8h

Apenas após a mudança de rota o objeto foi visto (2). Isso, de fato, pode ser considerado sugestivo. Entretanto, o planeta deveria permanecer praticamente na mesma posição durante toda a viagem, enquanto o avião mantivesse a rota. Não havendo instruções para alterar o trajeto e não considerando o objeto uma ameaça num primeiro momento, a aeronave manteve rota firme durante grande parte do voo, como é típico em viagem comerciais (75, 89 e 96). Nesses períodos, com avião estabilizado e com rota fixa (15), ocorreram grande parte das movimentações do objeto, o que seria impossível se ele fosse Vênus (76, 83, 105, 220 e 243).

A próxima modificação de rota ocorre muito depois de Belo Horizonte, com o avião tomando o rumo dos 198° (215). O movimento deixa Vênus aproximadamente na posição 9h do avião, como mostra o esquema abaixo. Vale notar que a posição do objeto não se manteve constante, em conformidade com a rota do avião, mas alternou posições diretamente à esquerda da aeronave, às 9h (128, 173 e 174), com outras de pequeno recuo, às 8h (140), e outras ainda mais anômalas (19, 20, 33, 49, 76, 80, 83, 91, 105, 108, 109, 198, 220 e 243).

Vasp 198°, Vênus 95°, OVNI 9h

Foi divulgado que técnicos do radar de Brasília deduziram, pela análise das comunicações, que o objeto estaria parado no período do contato entre o controle e o Vasp 169. Isso porque o controle teria recomendado uma mudança de rumo ao Vasp, tendo o ângulo de visão da luz variado na mesma dimensão do deslocamento sugerido (273 e 274). Pela leitura da transcrição das comunicações, nota-se duas mudanças na posição do objeto: das 9h para as 8h (128 e 140) e das 8h para as 9h (140 e 172). Uma variação de 1h na posição de um objeto estático corresponde a uma mudança de 15º no rumo da aeronave. Confesso não ter encontrado nenhum comando nesse sentido para justificar os dois movimentos, próximos a 15º e em sentidos contrários, de modo a possibilitar as visualizações registradas.

A última mudança significativa de rota parece ter ocorrido quando o avião manobrou para o pouso na pista nº 14 do Galeão. No processo, o objeto desaparece, ressurgindo na posição 11h (198). O avião alinhou-se para 137° (215), o que deixou Vênus quase precisamente na posição 11h, conforme esquema abaixo. É sensato considerar a possibilidade de que a cabine teria perdido o objeto de vista durante a manobra, voltando a observá-lo após alinhar o avião com a pista.

Vasp 137°, Vênus 95°, OVNI 11h

Vênus, contudo, como demonstrado nos cálculos anteriores, estava demasiadamente perto do horizonte às 4h37min, no momento do pouso (215). Com a aproximação do avião do solo, o ângulo de visão do planeta diminuiria até seu desaparecimento, uma vez que só seria visível no horizonte ao nível do solo às 5h10min. Visualmente, se fosse o planeta, a tripulação do avião julgaria que o objeto estava fugindo para o horizonte, conforme prosseguia a descida para o pouso, e não se deslocando no nível de 1,82 km sobre a Guanabara (33 e 108).

A hipótese de Vênus também foi descartada pelo comandante Pravato da Transbrasil, segunda aeronave a visualizar o objeto. Segundo suas próprias palavras, isso seria impossível, pois o planeta estaria no céu e não na mesma linha do avião (290 e 310). Acredito ser evidente que o comandante Pravato, com suas mais de 7 mil horas de voo na época (255, 256 e 296), não ignorava que estrelas e planetas poderiam aparecer na linha do horizonte. As afirmações, certamente, foram realizadas no sentido de uma percepção clara de que o objeto não se encontrava no firmamento, como seria esperado se ele fosse um astro, mas na atmosfera, no mesmo nível de voo das aeronaves (7, 43, 77 e 288).

Transbrasil 213º, Vênus 95º, Vasp e OVNI 11h

Igualmente, Vênus não converge com a posição de observação do Transbrasil, conforme registrado pelo CINDACTA e ilustrado pelo esquema acima. O QD 177 seguia atrás do Vasp, para o sul, de Brasília para o Rio de Janeiro, também tendo passado sobre Belo Horizonte (21, 281, 287). Em certo momento da observação, tendo percorrido 50 milhas em direção a Barra de Piraí, restando 130 milhas para o destino, o Vasp e o objeto se encontravam efetivamente às 11h de sua posição (186, 187 e 188). Se fosse Vênus, a nuvem luminosa do Transbrasil (148) deveria aparecer na posição 8h e não 11h da aeronave Transbrasil.

Se o objeto fosse Vênus, ele também voltaria a ser visível, com as mesmas características, aproximadamente na posição 7h, tanto do Vasp quanto do Transbrasil, tão logo eles decolassem para o trecho de São Paulo. Isso também não aconteceu, apesar do presumível estado de alerta da tripulação e dos passageiros do Vasp (36) e da cabine de comando do Transbrasil.

Quanto ao Aerolíneas Argentinas, o comandante Pravato assumiu que houve uma omissão quando a aeronave declarou não estar observando o objeto (293 e 314). À luz do ácido ceticismo que os outros protagonistas do caso tiveram que enfrentar, esse sutil ressentimento é compreensível. Contudo, o cruzamento da posição das aeronaves fornece uma outra explicação. O AR 169 estava na rota 240º, de frente para Campinas, estável, 30 milhas à sudoeste de Belo Horizonte (167). O Vasp, tendo passado por Belo Horizonte, estava na rota 213º, no trecho Brasília-Rio, 71 milhas na direção de Piraí, com o objeto às 9h (172). Assim, com o ângulo de 27º entre as rotas do Argentina e do Vasp, é possível obter suas posições e distâncias relativas, conforme ilustrado abaixo.Veja Lei dos cossenos. Wikipédia, acesso em 14/12/2010.

Argentina 240°, Vênus 95°, Vasp e OVNI 11h

O Argentina encontrava-se a 46 milhas – 74,5 quilômetros – do Vasp e do objeto. Com seus estimados 150 metros de comprimento, o objeto tinha diâmetro angular de apenas 6.9 minutos de arco para o Argentina, facilmente confundível com as estrelas do firmamento.Veja Navegação e Referenciamento. Seis minutos de arco é aproximadamente a distância entre as estrelas Mizar e Alcor, da constelação de Ursa Maior, que eram usadas como teste para a visão dos arqueiros reais na idade média. Apenas se conseguissem ver duas estrelas e não apenas uma, os arqueiros eram aceitos.As Distâncias no Céu Nocturno. Astronomia On-line, em 4 de Maio de 2010.

Ter boa visão é um requisito para pilotos de todo o mundo, mas distinguir a diferença entre um objeto brilhante com 6.9 minutos de arco e uma estrela qualquer, sem uma carta celeste, seria uma exigência demasiada. Por outro lado, se o objeto fosse um fenômeno astronômico ou atmosférico extraordinário (330), ele em algum momento seria visualizado com facilidade pelo AR 169, que se encontrava na mesma região e na mesma altura das outras duas aeronaves (288). Resta claro que o objeto não estava distante, mas próximo do Vasp, conforme registrado pela própria aeronave (49, 94 e 151), pelo Transbrasil (148, 179 e 269) e pelo radar de Brasília (179).

Por fim, apesar da estranheza na demora da sinalização (93), não se deve desprezar a excessiva “coincidência” entre a posição e deslocamento do objeto e a detecção por radar em determinado trecho (30, 31, 57, 92, 121, 179, 183 e 199), impossível se ele fosse o planeta.

Meteoro

Historicamente, a hipótese de Vênus, que acreditamos ter sido adequadamente refutada acima, dominou as explicações céticas para o caso. Outras possibilidades, contudo, também foram levantadas.Max Sussol. Os falsos discos voadores. São paulo: Parma, sd. pp.272-3. O então diretor do Observatório Nacional, Rogério Mourão, por exemplo, levanta a idéia de um meteoro, ou mesmo um satélite artificial, como a “hipótese mais plausível” (248.4, 248.5 e 248.7). Posteriormente, contudo, ele passou a defender Vênus como explicação para o acontecimento, provavelmente pela total inconsistência da hipótese do meteoro/satélite. Analisemos a possibilidade.

Um meteoro ou satélite explicaria certas “características luminosas” do avistamento. Esses corpos podem gerar incandescência de diversas cores, de acordo com a substância que os compõem, e alguns podem brilhar o suficiente para projetar luminosidade ao seu redor (100 e 207). Destaque-se contudo que meteoros, ou satélites, entrando em órbita, raramente alteram sua cor durante o processo de entrada (13, 20, 22, 50, 70 e 120).

A maioria dos meteoros ou satélites também costumam ser breves. Desconheço registro de algum que dure mais que poucos minutos. Como bem explicou o Rogério Mourão, também deixam um “rastro” enquanto rasgam o céu (249.5).Meteoro. Wikipédia. Acesso em 9 de novembro de 2010. Nenhuma das testemunhas – tripulação e passageiros do Vasp 169 ou da Transbrasil – descreveu a presença dessa peculiaridade, com pelo menos uma ressaltando a inexistência de qualquer “facho luminoso” (232).

Meteoros ou satélites também realizam sempre movimento unidirecional, no sentido descendente, sendo incapazes de escoltar um voo comercial conforme descrito no testemunho, ou fazer qualquer das várias modificações de percursos descritas (19, 20, 33, 49, 76, 80, 83, 91, 105, 108, 109, 198 e 243). Eles, por fim, não poderiam ser registrados por radar (30, 31, 57, 92, 121, 179, 183 e 199), nem, assim como Vênus, manter as posições estáticas relativas de visuzalização simultânea do Vasp e do Transbrasil.

Outras

Os argumentos levantados até o momento servem para descartar qualquer outro evento natural ou comum. Considerando a hipótese do balão (205 e 229), ainda que o mesmo fosse brilhante o suficiente para causar um engano, ele jamais seria confundido por pilotos experientes com uma outra aeronave (2, 67 e 120), nem seria capaz de acompanhar a trajetória do Vasp por 1h22min ou realizar os outros movimentos observados (19, 20, 33, 49, 76, 80, 83, 91, 105, 108, 109, 198 e 243).

Quanto a possibilidade do fenômento ter sido provocado um Relâmpago Globular (249.6), vários elementos fogem das características desse fenômeno. Primeiro, o evento ocorreu em tempo bom, sem tempestade ou atividade eletromagnética (8 e 65). Segundo, a duração excepcional de 1h22min (55), altamente controversa para um fenômeno natural. Terceiro, o objeto era demasiadamente grande, sendo visível por duas aeronaves (95 e 311). Quarto, o objeto não se mantém próximo da aeronave, quase tocando-a ou até invadindo-a, como ocorre em Outros Casos de Relâmpago Globular Observados em Aeronaves. É importante destacar, em relação a esse último quesito, que a distância entre o objeto e a aeronave chegava a ser tão grande que até nuvens se interpuseram entre eles (32, 107 e 198).

Histeria

Um complicador adicional para explicações triviais é o grande número de pessoas envolvidas. Nesse contexto, a comum e falaciosa estratégia cética de simplesmente desqualificar as testemunhas não apresenta bons resultados. Contudo, a ironia habilidosa ainda pode exercer algum efeito sobre os imprudentes, ou mesmo provocar algum júbilo nos que já trazem uma opinião pré-formada. Um bom exemplo é o trecho da pequena abordagem feita por Max Sussol para o caso, que transcrevemos a seguir.Max Sussol. Os falsos discos voadores. São paulo: Parma, sd. pp.271-2.

O Boeing da Vasp que fazia o Voo Econômico Noturno de Fortaleza para S. Paulo, com escala no Rio, estava lotado. E não só de turistas que trocam a noite de sono pela redução das tarifas. A bordo, acompanhado de dois outros bispos, estava o cardeal-arcebispo de Fortaleza, d. Aloísio, no entanto, não quis chegar a uma das janelas da esquerda do avião, preferindo continuar em seu sono. Um de seus acompanhantes, o bispo-auxiliar de Fortaleza, d. José Terceiro (sic), embora apoiando a posição de Aloísio, não resistiu e perguntou à uma das passageiras: “Você viu? mesmo?”

Essa passageira, Silésia Paes Del Rosso, de 48 anos, era a pessoa mais entusiasmada com o que viu. Da mesma forma pela qual respondeu ao bispo que sim, tinha visto, ela procurou a imprensa no Aeroporto de Congonhas, onde desembarcou de manhã para prestar seu depoimento. “Era uma luz toda azulada – dizia ela – e eu tenho toda a convicção de que não era uma estrela, porque se aproximava do avião e depois se afastava. Não havia focos de luz, só aquele brilho, como se fosse uma luz de mercúrio. Eram pontos de luz fixos, em número de cinco, separadas umas das outras… lembrava um lustre achatado, virado para cima; um submarino, algo assim…”

Silésia, segundo ela própria, é uma “pessoa muito realista” e até a madrugada de ontem não acreditava nas pessoas que lhe diziam ter visto Disco-Voador. “Agora, disse ela, posso dizer a todos que eu vi e passei a acreditar”. No fim da viagem, o comandante pediu à passageira que registrasse seu testemunho junto às autoridades. Ela disse, também, que duas moças que estavam muito emocionadas com a visão do objeto voador não identificado tiraram fotos durante o voo.

O comandante Gérson Britto tem 30 anos de aviação, 22 de Vasp e 16 mil horas de voo. Ontem pela manhã, ele ligou para casa, um espaçoso apartamento de quatro quartos no bairro carioca do Grajaú – e disse à mulher Maria da Conceição: “- Acho que vi outro Disco-Voador.”

Além dos limitados “turistas que trocam a noite de sono pela redução das tarifas”, estava no voo o cardeal-arcebispo de Fortaleza, Dom Aloísio, único sensato o suficiente para continuar dormindo durante os acontecimentos, sem dar ouvido a um comandante aficionado em discos voadores ou a pessoas volúveis que se acham realistas, como Silésia Del Rosso. Diante dos elementos derivados de uma abordagem metódica, como tentamos fazer até aqui, a ironia injustificada apenas revela o grau de imaturidade com que o autor trata o assunto.

Uma tentativa adequada de buscar uma explicação para o evento, que não apele para uma infantil desqualificação das testemunhas, ignorando sumariamente as dimensões morais e emocional das pessoas envolvidas, deve necessariamente tratar da questão de como um suposto evento natural seria capaz de enganar tantas pessoas, durante tanto tempo, estando constantemente observável do lado de fora da aeronave.

A linha mais elementar seria apelar para algum tipo de histeria coletiva. O comandante Britto, supostamente aficionado em OVNIs, teria confundido um fenômeno qualquer com um objeto, sua ansiedade contagiou a tripulação da cabine e foi repassada aos passageiros pelo sistema de som que, sugestionados, adoraram a interpretação do comandante.

É evidente que nada disso se sustenta. Mesmo tendo sido emocionalmente afetado, o que julgamos inevitável nas circunstâncias, o comandante manteve a serenidade durante todo o evento. Isso fica comprovado não apenas pelo seu Relatório de Voo (7 e 13, entre outros), mas nos registros de contato do próprio CINDACTA (120, 140, 142 e 159, entre outros). Além disso, pelo menos um dos passageiros viu o clarão característico do objeto antes do comunicado da cabine (207 e 319) e não haveria como uma suposta flutuação emocional afetar a detecção do radar.

Por fim, em um estado generalizado de ansiedade, que teria se perpetuado durante 1h22min initerruptos, o objeto voltaria a ser visto ou sinalizado pela tripulação e passageiros do Vasp, ou pela tripulação do Transbrasil, no trecho para São Paulo.

AVALIAÇÃO

Pelos elementos aqui reunidos, é preciso concordar que o relato é sério e provém de fontes sérias (323). O conjunto dos acontecimentos, envolvendo amplos movimentos e mutações luminosas associados sempre a um único e imenso objeto que acompanhou o Vasp 169, durante 1h22min, por todas as testemunhas, não permite explicações simples e isoladas. Qualquer teoria não ufológica exige necessariamente assumir um considerável número de premissas distintas, ocorrendo de maneira improvavelmente sucessiva, sendo o desafio do Conhecimento Estabelecido determinar factivelmente quais seriam elas.

Cabem explanações complementares sobre alguns aspectos.

Há registro que na sala de controle de tráfego existiam 18 telas de radar, sendo que apenas numa delas o “ponto” aparecia (275). Max Sussol aponta esse expediente como evidência de que a detecção teria sido uma falha.Max Sussol. Os falsos discos voadores. São paulo: Parma, sd. p.273. Parece evidente que cada tela deveria ser dedica a uma área diferente do CINDACTA (275), não devendo haver sobreposição significativa das coberturas. Não temos como defender essa hipótese, uma vez que não dispomos de informações sobre a configuração do radar na época, mas consta que técnicos do CINDACTA não descartaram a possibilidade do ponto ser um objeto legítimo que poderia estar longe demais para uma detecção adequada (271).

O número de “coincidências” envolvendo um ponto no radar na mesma posição visual em que se localiza um OVNI é uma situação particularmente Presente na Casuísta (276 e 277). Essa visibilidade apenas intermitente ou ocasional no radar é, por si só, é um elemento que merece atenção mais detida, podendo revelar pistas importantes sobre a natureza, funcionamento ou tecnologia de Discos Voadores.

A tentativa de “contato telepático”, que o Comandante Britto assumiu como tendo sido bem sucedida (25, 60 e 97), não pode ser considerada conclusiva. O objeto já vinha realizando aproximações em relação à aeronave anteriormente (19, 20 e 49), podendo a mentalização e a maior aproximação ter sido uma coincidência supervalorizada devido ao estado emocional do comandante (217 e 218).

Destacamos que há alguns erros de informação em alguns periódicos. O Jornal da Tarde, de 10/02, afirma que o Transbrasil encontrava-se a 15 minutos do Vasp, cerca de 120 km (281 e 283.1), quando na verdade, ele estava a 26 milhas, que correspondem a 41,6 km (186). O jornal também afirma que o Transbrasil observou o objeto durante cerca de 40 minutos (283.1), quando na realidade isso ocorrer durante apenas 15 ou 20 minutos (148, 187, 291 e 302). Igualmente, como demonstramos no decorrer do texto, a posição do Argentina 30 minutos atrás do Transbrasil também é uma informação equivocada (283). Os erros, certamente devem advir da má interpretação de trechos do diálogo com o CINDACTA, especialmente quanto à posição do Vasp (172).

O fato de não haver departamento especializado na aeronáutica para analisar casos de OVNI (278) é consistente com o histórico da abordagem institucional do assunto no Brasil, tornada oficialmente pública com a PORTARIA N° 551/2010/GC3. Os casos são registrados e arquivados, sendo realizados exames apenas quando os objetos apresentam detecção simultânea comprovada no radar, o que o caracterizaria como aeronave e comporia potencial ameaça à segurança nacional, enquadrando-se no Art. 163 do Decreto-Lei nº 32/1966, vigente na época.

Pelo que expomos e analisamos, em nossa avaliação, o caso Vasp 169 é uma evidência consistente que, de fato, seja lá o que forem, las brujas hay (279). Fenômenos completamente estranhos, apesar de raros, existem (324 e 325).

As latitude e longitude consideradas correspondem as da cidade de Belo Horizonte, onde ocorreu a máxima aproximação entre o objeto e o Vasp (26).

FICHAMENTO

Data: 19820208 | Latitude: -19.919068 | Longitude: -43.938575 | Relevância: 3 | Estranheza/Probabilidade: 33 | Classificação Vallée: Tipo-IVb | Classificação Hynek: RV | Classificação Vallée-Hynek: MA-2 | Classificação CBPDV: CI-2 | Testemunhas: Universitária | Objetos: 1 | Forma: Disco | Tamanho: Grande | Brilho: Vermelho, Laranja, Branco, Azul, Oscilante | Hora: 0h-4h | Duração: 1h+ | Término: Afastou | Clima: Limpo | Características: | Pesquisadores/Envolvidos: , , , .

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Comentários [3, RSS]
  • É incrível, eu quando adolescente morando no interior também vi no céu a noite, uma estrela que fazia zig zag, na época eu acho que tinha 14 anos, hoje tenho 37, em seguida gritei e chamei meu irmão que da janela do quarto também presenciou o fato, essa estrela ia em grande velocidade pra direita e depois pra esquerda, anotei tudo no meu caderno, hora e data, infelizmente não tenho mais este caderno, porém no dia 16/07/1989, me lembro muito bem foi no jogo entre Brasil x Uruguai, final da copa América, no horizonte avistei um objeto em forma de charuto, no final da tarde, esses fatos não me sai da memória, pois gosto muito de futebol e essa data a seleção foi campeã, e associei o charuto no céu e a final da copa América.

  • desearía contactar con el Sr Silvio Ferraz-Melo para remitirle una nueva propuesta, sobre como se puede describir correctamente el avance del perihelio de Mercurio, desde la física clásica, por la causa que lo produce como es una nueva interacción o fuerza fundamental de la naturaleza (Fd), desconocida.

  • É, se o UFO estivesse à direita do avião, a coisa seria bem mais interessante; porém, sempre à esquerda, na linha do horizonte e intensamente brilhante… tudo leva a crer que o comandante Britto foi mesmo seguido pelo planeta Vênus!

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