Ufologia

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O termo ufologia é uma adaptação do neologismo inglês ufology, que significa estudo de objetos voadores não identificados. Uma vez que a sigla UFO (Unidentified Fly Object) foi traduzida para o português como OVNI (Objeto Voador Não Identificado), alguns países de língua portuguesa empregam ovniologia. A adaptação do inglês, contudo, é amplamente conhecida e aceita pelo público e pesquisadores brasileiros.

A admissão da ufologia como campo legítimo de estudo sofre grande resistência. Parte dela é justificada pelo charlatanismo ou desorganização teórica de alguns grupos ou indivíduos, mas uma parcela importante advém do dogmatismo e da desinformação pública sobre cientificidade, perpetuados pela postura parcial do Conhecimento Estabelecido, que desconsidera vários argumentos usados para desqualificar a ufologia quando trata de outras áreas do conhecimento. No Brasil, essas características são observáveis mesmo em trabalhos que pretendem ter como foco a divulgação científica.

Qual é a melhor explicação para o fato de que há muitos relatos de discos voadores? A melhor explicação não é que discos voadores existem, mas que os relatos são inventados por má fé ou por auto-engano, possivelmente a partir de fenômenos luminosos no céu.Osvaldo Dias Venezuela. Demarcando Ciências e Pseudociências para alunos do Ensino Médio. São Paulo: Instituto de Física, Instituto de Química, Instituto de Biociências, Faculdade de Educação – Programa Interunidades em Ensino de Ciências (USP), 2008. Dissertação de Mestrado. p.5. Acesso em 28/10/09.

Afirmar que ufologia não é ciência porque não existem evidências ufológicas é a expressão mais direta de dogmatismo, sempre comum entre os que julgam antecipadamente a favor de suposições em detrimento de analisar fatos. Apesar da dificuldade natural em registrar e confirmar eventos ufológicos, muitas ocorrências possuem dados suficientes para uma avaliação adequada.Conheça algumas aqui.

Nenhum cientista que examine a matéria com objetividade pode afirmar que todos os relatos envolvendo Discos Voadores e fenômenos correlatos resultam simplesmente de fraudes e enganos.Veja Realidade OVNI, Ufoarqueologia, Mundo Fortiano. Apenas a ignorância sobre a casuística, a recusa em avaliá-la com profundidade ou a apreciação seletiva dos casos podem explicar esse posicionamento.

Condenar a ufologia meramente por uma suposta falta de cientificidade é um argumento só sustentado pela ignorância sobre as limitações do que o paradigma hoje reputa como científico. Essa crítica costuma ser seguida por uma explanação superficial do critério de falseabilidade de Popper e suas exigências, como a previsibilidade e a replicabilidade.

Outra característica importante que define o que é científico é que o fenômeno deve ser controlável, verificável, interpretável e capaz de ser retificado e corrigido por novas elaborações. Isso obviamente não é possível na ufologia, pois os fenômenos ufológicos não são controláveis, nem verificáveis, e novas observações são muito improváveis.

Existem vários fenômenos raros que podem ser reproduzidos em laboratório. Por exemplo, o comportamento do núcleo de uma estrela pode ser reproduzido em aceleradores de partículas. Mas você não pode reproduzir um OVNI em um laboratório.

Com base nestas prerrogativas podemos concluir que a ufologia não é uma ciência.André Spinelli Schiavoni, Fernanda Akl Faria Lasmar, Henrique Ribeiro Rezende e Rudini Sampaio. Trabalho de Metodologia Científica: Ufologia. UFLA: jun, 2008. p.2. Acesso em 28/10/09

Qualquer pesquisa científica procura replicar seus objetos. Isso, contudo, não é possível em todos os casos, sem que se comprometa a natureza científica desses estudos. Muitas ciências têm análises baseadas em eventos únicos, como a cosmologia, a paleontologia e a sociologia.

A previsibilidade também é um critério desejado, mas inalcansável para todos os casos. Como demonstram os estudos sobre o caos, mesmo sistemas baseados em regras simples podem gerar resultados indeterminados.Femando Lang. Determinismo, Previsibilidade e Caos. Cad.Cat.Ens.Fís., v.10, n.2: p.137-147. Insituto de Física, PUCRS, ago.1993. Acesso em 27/06/2009. Essa noção também é clara para quem tem familiaridade com finanças ou estratégia. Até ciências naturais, como climatologia e sismologia, sofrem limites severos de previsibilidade.

Usando estatística, talvez seja possível quantificar as chances de previsão. Isso é geralmente o que é feito. Probabilidades, mesmo não sendo falseáveis, possuem ampla aplicação científica.É necessário aplicar probabilidades para comprovar que as probabilidades são falseáveis, gerando circularidade. Ver  A. Betâmio de Almeida. O Problema Epistemológico da Probabilidade e a Contribuição de Karl Popper para o Respectivo Debate. Trabalho da disciplina de Filosofia da Ciência do Curso de Mestrado de Filosofia e História de Ciência e Tecnologia. Universidade Nova de Lisboa, 2005. Acesso em 28/10/09 A psicanálise, carro chefe da revolução freudiana, também não pode ser falseada.Vincenzo Di Matteo. O Olhar Epistemológico Popperiano Sobre Psicanálise. Perspectiva Filosófica, v. VII, n. 13, p. 11-39, 2001. Acesso em 28/10/09. A Gramática Universal de Chomsky, paradigma domiante da linguística, muito menos.Vários artigos podem ser encontrados na rede depois da polêmica de Everett e os Pirahãs.Ver Daniel Everett, o iconoclasta, no Observatório de Políticas Públicas Ambientais da América Latina e Caribe. Acesso em 28/10/09. A estratégia de imunidade é perfeitamente identificável nos três últimos parágrafos: Segundo Chomsky, mesmo que o pirahã tenha todas as propriedades descritas por Everett, as implicações para a Gramática Universal seriam “zero”. / ‘Everett espera que os leitores não entendam a diferença entre a GU no sentido técnico (a teoria do componente genético da linguagem humana) e no sentido informal, que diz respeito às propriedades comuns a todas as línguas, diz. /”Os falantes de pirahã têm os mesmos componentes genéticos que nós, então as crianças pirahãs tentam construir uma linguagem normal. Suponha que o pirahã não permita isso. Seria como encontrar uma comunidade que engatinha mas não anda, de forma que as crianças que crescessem lá provavelmente engatinhariam também. As implicações disso para a genética humana seriam nulas”. As ciências sociais, como a economia, são infalseáveis e isso não gera questionamentos sobre sua importância.“O Realismo Crítico não se contrapõe à ciência como é de fato realizada, mas sim à filosofia da ciência e ao método que teoricamente a sustenta”. Marcos Roberto Vasconcellos, Eduardo Strachman e José Ricardo Fucidji. O Realismo Crítico e as Controvérsias Metodológicas Contemporâneas em Economia. Estudos Econômicos. Instituto de Pesquisas Econômicas, São Paulo, v. 29, n. 3, p. 415-446, 1999. p. 433. Acesso em 28/10/09. A Teoria da Evolução de Darwin também não passa no critério de Popper, apesar dele admitir se tratar de um “programa metafísico de pesquisa inestimável”.Marcelo Alves Ferreira. Sir Karl Popper e o darwinismo. Scientiæ Studia, São Paulo, v. 3, n. 2, p. 313-22, 2005. Acesso em 30/10/09.

Perseguir o atributo da falseabilidade é uma aspiração válida para qualquer campo de estudo, mas exigí-lo como critério de reconhecimento é um despropósito.

A Ciência se desenvolve em paradigmas. Qualquer critério de cientificidade deve considerar o contexto histórico, social e intelectual da época. Uma proposta apresentada pelo filósofo Paul R. Thagard leva em conta essas variáveis.

Uma teoria ou disciplina que pretende ser científica é pseudocientífica se e somente se:

1. Ela tiver sido menos progressistas do que teorias alternativas durante um longo período de tempo, e enfrenta muitos problemas não resolvidos;

2. A comunidade de praticantes faz poucas tentativas de desenvolver a teoria para obter soluções para os problemas, não mostra preocupação em tentar avaliar a teoria em relação às outras, e é seletiva em considerar confirmações e discordâncias.Paul R. Thagard. Why Astrology is a Pseudoscience. Philosophy of Science Association, Volume 1. Editado por P.D. Asquith and I. Hacking, 1978, p.227-228. Acesso em 28/10/09.

A ufologia evolui, teoriza e discute para resolver os problemas que trata. Ela tem um histórico de tolerância entre suas diversas vertentes, que partem de diferentes princípios de análise, mas não sem severas críticas internas.Carlos Reis e Ubirajara Rodrigues. A Desconstrução de um Mito. São Paulo: Livro Pronto, 2009. Leitura obrigatória! O não emprego da metodologia científica em casos onde ela seria aplicável é uma delas.Veja Ceticismo e Ufologia de Fernando José M. Walter, do CETESbr

Uma afirmação conhecida, mas desconsiderada por muitos críticos, é que há duas ufologias no Brasil. Parece oportuno esclarescer essa observação, ressaltando nosso entendimento que, de fato, há mais.

CLASSIFICAÇÃO

Qualquer campo do conhecimento avança na forma de paradigmas. É preciso um conhecimento estabelecido para ser questionado e aperfeiçoado, desde que se fique atento para não ceder aos entraves e resistências que ele impõe.Veja Popper x Kuhn: Considerações sobre a ciência. Muito esforço já foi empregado no sentido de unificar as pesquisas ufológicas e formular uma síntese do conhecimento atual sobre o assunto. Já houve avanços, mas ainda sobrevivem interpretações confusas e contraditórias.

A classificação mais conhecida separa a ufologia nas categorias científica e mística. A primeira estudaria o fenômeno através de métodos científicos, enquanto a segunda teria um foco mais espiritualizado. Dada a complexibilidade dos fenômenos ufológicos, ambas as vertentes teriam apresentado, ao longo dos anos, importantes contribuições nas tentativas de compreende-los. Assumindo essa postura, A. J. Gevaerd, fundador do Centro Brasileiro de Pesquisa de Discos Voadores (CBPDV), declarou: o correto é que se divida a Ufologia, doravante, não mais em Mística ou Científica, mas sim em séria e não séria.A. J. Gevaerd. O eterno debate entre Ufologia Científica e Mística. Revista UFO nº 72. p. 4. Nessa trilha, a classificação foi ampliada, resultando no seguinte quadro:A Ufologia moderna e os estudos do Fenômeno UFO.  Portal UFO. Acesso em 18 de setembro de 2008.

Ufologia Científica

A Ufologia científica objetiva estudar o fenômeno sem imagens pré-concebidas, procurando através de pesquisas e conjecturas, entender suas manifestações, sempre usando e buscando provas para compor certas análises que são importantes para um enfoque científico. Essa área não visa comparar nossas estruturas espirituais com o fenômeno em questão.

Ufologia Mística

Ufologia mística objetiva comparar nossos conhecimentos, nossa sociedade, nossa espiritualidade com os seres extraterrestres e se possível, buscar sabedoria e compreensão com estes mesmos seres, fazendo assim, um novo complemento do ser humano.

Ufologia Lunática

Esta área é composta por pessoas que buscam semear a confusão e enfocar histórias de contatos com os ETs, viagens a outros planetas, vendas de remédios milagrosos, curandeirismos, recebedores de mensagens telepáticas dos alienígenas e também levar as pessoas para ver discos-voadores a preços assustadores, tudo isto para usar as pessoas como fonte de lucros ou até mesmo lançar mensagens de extraterrestres para o público.

Mesmo apresentando algum grau de utilidade, esse sistema sofre o mal de não ter uniformidade em seu critério de classificação. Enquanto a ufologia científica recebe o título devido aos seus princípios metodológicos; a mística o tem pelos seus objetivos; e a lúnatica, por quesitos éticos. Essa falha gera confusão, podendo ocorrer multiplas classificações para o mesmo caso, o que dilui sua eficiência. Nele, o site Ufologia Objetiva pertenceria à ufologia científica.

Outro sistema, que possui uniformidade no critério de classificação, é o de Arismaris Baraldi Dias, presente em sua Minuta do Código de Ética do Ufólogo. O universo é complexo. Todas as suas partes estão integradas. Apresentando o conceito de holístico (do grego holo – todo, completo), o professor segue sua apresentação:Arismaris Baraldi Dias. Minuta do Código de Ética do Ufólogo. 3ª Tiragem, setembro, 1997.

Ufólogo Paraolístico é o ufólogo que estuda, pesquisa, analisa e divulga a Ufologia com a visão de que existe uma relação harmoniosa do homem com o universo e com a vida espiritual e cósmica. Utiliza também a intuição como meio de pesquisa. Para ele, a Ciência tem uma importância secundária.

Já o Ufólogo Holístico estuda, pesquisa, analisa e divulga a Ufologia sob os aspectos científico e paraolístico e, portanto, sua visão e sua linha de pesquisa não é exclusivamente científica, nem exclusivamente filosófica-mística e, muito menos, religiosa. Ele procura enxergar a realidade sob todos os ângulos possíveis a fim de que possa ter uma visão maior do grande “quebra-cabeça” ufológico.

Quanto ao Ufólogo Científico é aquele – já conhecido – que estuda, pesquisa, analisa e divulga casos e fatos ufológicos, seguindo exclusivamente a ciência racional e experimental. Procura, dentro das técnicas e das ciências aplicadas, fornecer subsídios para demonstrações racionais junto àqueles que apresentam pesquisas e análises ufológicas sob outros aspectos (paraolísticos, por exemplo).

As imensas dificuldades em explicar fenômenos ufológicos através das ciências isoladas têm levado a ufologia cada vez mais a recorrer às diferentes áreas do conhecimento para tentar construir teorias explicativas coerentes para tais manifestações. Assim, a abordagem holística é uma tendência natural nesse campo de estudo. Aplicar conhecimentos de diferentes áreas é fundamental para tentar compreender e explicar questões essenciais, mas tão diversas quanto o funcionamento dos discos voadores, a motivação de seus ocupantes e a grande resistência na sociedade para discutir diretamente esses assuntos.

Com a virtude de deixar patente essa necessidade de holismo, o sistema falha como modelo de classificação, uma vez que a categoria holístico engloba as demais, e cada um tende a declarar-se como pertencendo a ela – idependentemente de suas convicções. Como não há forma clara de avaliar a validade da declaração, a classificação perde utilidade. Nesse sistema, o site Ufologia Objetiva seria de ufologia holística.

Tentando contornar tais problemas, desenvolvemos uma classificação própria, com base nas premissas que orientam as pesquisas. Dessa forma, acreditamos ter um critério uniforme de classificação, com a possibilidade efetiva de aplicação e conferência. Qualquer pesquisador de fenômenos ufológicos tem como objetivo, sem distorcer os fatos, identificar as causas desses fenômenos, suas motivações e os mecanismos que as regem. Separamos essas pesquisas em três vertentes distintas:

Ufologia Científica (scientia – conhecimento rigoroso e racional de qualquer assunto): assume como princípio questionar ou testar qualquer premissa ou hipótese não apoiada pelo paradigma científico vigente.

Ufologia Esotérica (esoterikós – peculiar aos iniciados): assume como princípio a existência efetiva de premissas não apoiadas pelo paradigma científico vigente, como telepatia, plano astral e outras paranormalidades.

Ufologia Mística (mystikós – relativo a divino ou espiritual): assume como princípio uma natureza efetivamente guardiã, profética, divina ou maléfica, ardilosa, satânica para as manifestações ufológicas.

Todas as três correntes estão sujeitas a fraudes e erros. Cada uma possui várias ramificações internas, que defendem posicionamentos diferentes, mesmo mantendo os princípios básicos. Não há espaço para múltiplas classificações. Na dúvida, a ufologia mística prepondera sobre as demais e a esotérica sobre a científica. Encaixar um grupo ou pesquisador numa delas parece um bom começo para avaliar o seu trabalho.

A abordagem esotérica tende a ser mais crédula que a científica, pois assume concepções prévias oficialmente ainda não confirmadas. Se essa abordagem é um avanço ou um entrave, só o tempo poderá dizer.

Muitos pesquisadores consideram a possibilidade de fenômenos ufológicos terem sido interpretados como divindades no passado, ou ainda o serem presente, mas apenas os da ufologia mística assumem que a natureza real dos dois fenômenos não é distinta. Apesar de grande parte dos ufólogos místicos basearem seus argumentos em parâmetros esotéricos, os raelianos comprovam que é perfeitamente possível a idolatria ufológica ser revestida por uma capa de racionalismo.Veja Seitas Ufológicas.

Sob esse critério, Ufologia Objetiva é um site de ufologia científica. Respeitamos, mas não nos confundimos, com a ufologia esotérica e repudiando o aspecto ufólatra da ufologia mística.

FICHAMENTO

Data: 20100715.

TAGS: Análises, Ciência, Ufologia.

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