Probabilidade de vida inteligente fora da Terra

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Em virtude da casuística, a Ufologia assume que criaturas inteligentes de origem indeterminada transitam ocasionalmente em nosso meio. Durante praticamente todo o século passado, a hipótese dominante era a que essas criaturas adviriam do espaço. Essa premissa, que causou desdobramentos profundos e ainda perenes na ufologia moderna, não se desenvolveu à revelia do contexto histórico.

Na segunda metade do século XX, a idade e o tamanho do Universo já faziam o próprio  Conhecimento Estabelecido fervilhar com especulações sobre vida fora da Terra. Se o nosso planeta fosse típico – era o raciocínio base, a vida extraterrestre deveria ser comum. Ainda em 1950, o físico Enrico Fermi entrou para a história formulando o contra-raciocínio que orientaria o desmembramento da hipótese extraterrestre da ortodoxia científica desde então: se extraterrestres são comuns, onde eles estão?Paradoxo de Fermi. Wikipédia. Acesso em 3 de novembro de 2010.

A chegada do homem à Lua em 1969, auge da corrida espacial, ocorreu apenas um ano depois da publicação do Relatório Condon, auge da política de desqualificação de Discos Voadores impretrada pelo governo dos EUA. A mesma ortodoxia que especulava sobre a possibilidade de seres inteligentes fora da Terra já ridicularizava qualquer insinuação de que eles pudessem fazer incursões ao planeta.

A concepção dominante, contudo, era que, mesmo sem visitas, com um universo tão grande, deveria haver mais alguém lá fora. A primeira reação articulada em resposta ao Paradoxo de Fermi veio na forma da equação desenvolvida pela equipe de Frank Drake e do posterior Projeto SETI, que nela foi embasado.SETI. Wikipédia. Acesso em 2 de novembro de 2010.

EQUAÇÃO DE DRAKE

Frank Drake (1930 – )

A Equação de Frank Drake,Frank Drake. Wikipédia. Acesso em 2 de novembro de 2010. também conhecida como Equação de Green Bank, foi a primeira tentativa de estimar o número de civilizações inteligentes em nossa galáxia com chance de estabelecermos algum contato. Sua proposta era determinar quantas civilizações seriam capazes de realizar comunicação por meio de ondas eletromagnéticas, partindo do princípio que alguma eventual forma de vida inteligente no universo tentaria se comunicar com outra formas de vida através dessas ondas, uma vez que essas são a forma mais rápida de transmitir informação que se conhece.

Elaborada em 1961, os apontamentos da equação foram usados como justificativa para a realizar o famoso projeto SETI (Search for Extra-Terrestrial Intelligence) que tem como objetivo analisar o máximo de sinais captados por radiotelescópios.SETI. Wikipédia. Acesso em 2 de novembro de 2010. Ela é formulada da seguinte maneira:

Onde,

N é o número de civilizações em nossa galáxia onde haveria possibilidade de comunicação.

R* é taxa anual de formação de novas estrelas na galáxia.

fp é a fração de estrelas que possuem planetas.

ne é o número de planetas por estrela onde seja possível o desenvolvimento da vida.

fl é a fração de planetas onde a vida efetivamente se desenvolve.

fi é a fração de planetas com vida onde se desenvolve vida inteligente.

fc é a fração de planetas com vida inteligente onde se desenvolve a capacidade de comunicação eltromagnética.

L é a duranção, em anos, de uma civilização inteligente com capacidade de comunicação eletromagnética.

Os valores de fpfl, fi e fc então entre 0 e 1, reduzindo ne e consequentemente N. Nos calculos originais de Drake, os números foram os seguintes:Drake Equation. Wikipédia. Aceso em 29/09/2010.

R* = 10/ano (são formadas, em média, dez estrelas por ano na galáxia)

fp = 0,5 (metade de todas as estrelas formadas possui planetas)

ne = 2 (dois planetas por estrela seriam hábeis para desenvolver vida)

fl = 1 (todos os planetas hábeis desenvolvem vida)

fi = 0,01 (um por cento deles desenvolve vida inteligente)

fc = 0,01 (um por cento deles desenvolve tecnologia que possibilite comunicação eletromagnética)

L = 10.000 years (cada civilização com capacidade de comunicação duraria em média 10.000 anos)

Logo,

N = 10 × 0,5 × 2 × 1 × 0,01 × 0,01 × 10.000

N = 10

Assim, a estimativa original pregava que haveria cerca de dez civilizações na galáxia com as quais poderíamos ter alguma esperança de comunicação. Com o tempo foram desenvolvidas outras estimativas, algumas mais conservadoras:Veja justificativas dos valores em: Drake Equation. Wikipédia. Aceso em 29/09/2010.

R* = 7/ano (são formadas, em média, sete estrelas por ano na galáxia)

fp = 0,5 (metade de todas as estrelas formadas possuem planetas)

ne = 2 (dois planetas por estrela seriam hábeis para desenvolver vida)

fl = 0,33 (um terço dos planetas hábeis desenvolve vida)

fi = 0,01 (um por cento deles desenvolve vida inteligente)

fc = 0,01 (um por cento deles desenvolve tecnologia que possibilite comunicação eletromagnética)

L = 10.000 years (cada civilização com capacidade de comunicação duraria em média 10.000 anos)

Logo,

N = 7 × 0,5 × 2 × 0,33 × 0,01 × 0,01 × 10.000

N = 2,31

Conforme essa leitura, poderíamos ter alguma esperança de comunicação com cerca de duas civilizações na galáxia.

HIPÓTESE DA TERRA RARA

A casuística ufológica era uma anomalia no paradigma, sendo excluída dos parâmetros necessários para que fosse submetida a uma avaliação.Veja Conhecimento Estabelecido. Com o passar do tempo, o projeto SETI também não conseguiu apresentar resultados conclusivos. Diante da ausência de qualquer elemento reconhecido que evidenciasse seres inteligentes externos à nossa sociedade, o Paradoxo de Fermi ganhou força, culminando com uma formulação alternativa à Equação de Drake, chamada Hipótese da Terra rara.Hipótese da Terra rara. Wikpédia. Acesso em 10/11/2010.

Conforme acreditam o geólogo e paleontologista Peter D. Ward e o astrônomo e astrobiólogo Don Brownlee, embora a vida complexa possa até ser difundida através das galáxias de nosso universo, a vida inteligente avançada pode ser raríssima, talvez até singular. Eles defendem que as condições necessárias à evolução e sobrevivência da vida superior são tão complexas que dificilmente se reproduziriam em muitos lugares.Peter Ward e Donald Browniee. Sós no Universo? Editora Campus, 2000. Veja também: Não adianta procurar vida inteligente fora da Terra, afirma John Gribbin.

Existem inúmeros fatores que podem ser aplicados para defender a improbabilidade do desenvolvimento da vida inteligente.Tópicos de Astrobiologia. Apresentação. PET Física, Universidade Estadual de Maringá, sd. Slide nº 21. Acesso em 11/11/2010. Entre eles, os autores enumeram que um planeta capaz de desenvolver vida inteligente deveria:

1. Possuir uma órbita que o mantenha a uma distância de sua estrela capaz de garantir que sua água permaneça líquida.

2. Estar situado num sistema solar localizado em parte da galáxia onde os níveis de radiação cósmica não sejam muito altos.

3. Possuir elementos pesados suficientes, uma vez que planetas gasosos são demasiadamente instáveis.

4. Orbitar estrela com massa adequada para garantir o fornecimento de energia na intensidade certa pelo tempo necessário.

5. Possuir uma lua com tamanho e órbita que minimize mudanças na inclinação do eixo do planeta, o que garantiria estabilidade do clima.

6. Estar próximo de um planeta com tamanho suficiente para que a gravidade atraia cometas e asteróides, impedindo que os mesmos o ameacem (como Júpiter em relação à Terra).

7. Ter um conjunto geral de atributos que possibilitem número suficientemente baixo de eventos que causem extinção em massa.

Reunindo esses fatores com outros advindos da Equação de Drake, foi elaborada uma equação formal, nos seguintes termos:Rare Earth Hypotesis. Wikipédia. Acesso em 10/11/2010.

Onde,

N é o número de civilizações em nossa galáxia.

N* é número de estrelas na Via Láctea.

ne é o número médio de planetas encontrados na zona na habitável.

fg é a fração das estrelas na zona habitável da galáxia.

fp é a fração de estrelas na galáxia com planetas.

fpm é a fração de planetas mais rochosos que gasosos.

fi é a fração de planetas habitáveis onde vida microbiana tenha ocorrido.

fc é a fração de planetas onde vida complexa se desenvolve.

fl é a fração de planetas onde vida complexa se mantêm.

fm é a fração de planetas habitáveis com grandes luas.

fj é a fração dos planetas habitáveis com proximidade de grandes planetas jovens.

fme é a fração dos planetas com número suficientemente baixo de enventos que causem extinção em massa.

A quantificação de alguns fatores de Terra rara não é trivial, o que dificulta uma estimativa numérica. Não há dúvida, contudo, que ela deve ser muito mais baixa que a dada pela Equação de Drake. A diferença fica ainda mais acentuada ao se observar que a Equação de Terra rara considera apenas a possibilidade de vida inteligente, e não a de vida inteligente com capacidade de comunicação.

Dennis Ward, usando uma estimativa pessimista de 0,003 para a Equação de Drake, feita por S. J. Dick em 1981,Dick, S. J. (1998). Life on Other Worlds. Cambridge: Cambridge University Press. assumiu arbitrariamente um número cem vezes mais baixo de sociedades inteligentes para a Equação de Terra rara. Inserindo os parâmetros de comunicação eletromagnética, chegou a uma estimativa efetivamente baixa de 0,000000000009 civilizações com capacidade de contato em nossa galáxia.Dennis Ward. How Rare is Rare? Evaluating the Rare Earth Hypothesis. HET-616, 1 November 2002.

CONSIDERAÇÕES

Tanto a Equação de Drake quanto a de Terra Rara são formulações metafísicas.Metafísica. Wikipédia. Acesso em 2 de novembro de 2010. Ambas não podem ser falseadas no sentido de Popper, pois utilizam probabilidades, nem podem ser verificadas no sentido de Viena, pois não há dados acessíveis sobre planetas com vida além da Terra. Os números, assim, variam conforme o humor de quem faz a estimativa. Na Equação de Drake, por exemplo, entre abordagens pessimistas e otimistas, as estimativas variam de 0,00002 a 10.000.000 civilizações com capacidade de comunicação na Via Láctea.William Millar. Descriptive Astronomy. Grand Rapids Community College, 2004. p.93. Acesso em 11/11/2010.

A ausência de cientificidasde, contudo, não compromete o valor das equações.Saiba mais sobre cientificidade em Ufologia e nos artigos de Metaceticismo. Muitos apontamentos são válidos e o grande número de questionamentos feitos a ambas levam a reflexões relevantes.

A concepção da Equação de Drake peca ao nivelar a capacidade de comunicação de outras civilizações à nossa tecnologia, quando outros meios mais eficientes que ondas eletromagnéticas podem ser possíveis. Descobertas e pesquisas recentes têm trazido fortes críticas a alguns fatores de Terra rara,Veja, por exemplo, Terra Não Tão Rara. como também às condições rígidas para desenvolvimento da vida que a hipótese assume implicitamente.Veja: Extremófilos.

Veja também Simulação por computador indica que pode haver vida em vários outros planetas e acompanhe as combinação de etiquetas Astronomia + Exobiologia + Descoberta.

FICHAMENTO

Data: 20101114.

TAGS: Análises, Astronomia, Exobiologia.

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