Planolândia, Um Romance de Muitas Dimensões

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Escrito em 1884 por Edwin A. Abbott, Planolândia (Flatland) é um romance curto e agradável. Ele fornece, com clareza e didática, uma interessante visão do aspecto multidimencional do universo. É uma aula de matemática e raciocínio lógico, para deleite dos que têm facilidade com os número e ao alcance dos que não têm.

Os conceito abordados despertam perspectivas que auxiliam e estimulam a reflexão quanto às teorias dimensiolistas da ufologia, que especulam sobre a possibilidade de origem interdimensional para os Discos Voadores.

Outro mérito não menor é o vívido retrato que o romance traça sobre o dogmatismo científico, lógica simplória, falta de imaginação e medo de mudança que se entranha na sociedade e impede seus avanços.

Faça o download: Planolândia – Edwin A. Abbott.pdf (779kb)

Fábio Fernandes, jornalista, escritor e tradutor, fez em 2002 uma ótima resenha do livro. Segue a transcrissão integral.

Novidade: Flatland, ficção científica de 1884Novidade: Flatland, ficção científica de 1884. UOL, 2002. Acesso em 05/10/2010.

22 de outubro de 2002, 0:00

Planolândia, admirado por Carl Sagan, finalmente ganha edição brasileira. Carregado de crítica social, descreve conceitos de forma brilhante e fala de um mundo desigual habitado por formas geométricas.

Por Fábio Fernandes

Quem tem mais de trinta anos deve se lembrar: na década de 1980, muito antes que o advento da TV a cabo desse aos brasileiros a oportunidade de assistir aos documentários de canais como o Discovery Channel, a Rede Globo fez história exibindo um programa científico anos–luz à frente do que se produzia na época.

Tratava–se de Cosmos, uma série em doze episódios apresentada pelo renomado astrônomo Carl Sagan. Baseada no livro de mesmo nome, Cosmos apresentava ao leigo conceitos de física e astronomia, e explicava de modo simples os mistérios do universo, utilizando todos os recursos audiovisuais de que a mídia eletrônica dispunha na época e contando com a capacidade invejável que Sagan tinha de ser didático sem ser chato.

Num dos episódios, Sagan explica a idéia de múltiplas dimensões recorrendo simplesmente a uma folha de papel e formas geométricas. Pegando um quadrado de cartolina e colocando–o sobre a folha, ele apresentava essa forma como uma criatura pertencente a um universo bidimensional. Colocando em seguida um cubo sobre a folha, ele explicava aos telespectadores que o cubo, por ser tridimensional, podia ver e interagir com o quadrado bidimensional, mas que o quadrado não poderia fazer o mesmo, pois seria incapaz de perceber a existência do cubo – ou, por outra: perceberia apenas a base do cubo como se fosse um quadrado idêntico a ele.

A divertida explanação de Sagan era uma homenagem a um livro escrito cerca de cem anos antes, e que formulava esses e outros conceitos de forma tão brilhante quanto a do astrônomo: Flatland, de Edwin A. Abbott. Finalmente publicado agora no Brasil pela Conrad como Planolândia, este livro – que é considerado por alguns um clássico da ficção científica – descreve exatamente a situação proposta por Sagan, numa aula não só de conceitos geométricos como também de crítica social.

O livro, narrado por um quadrado (!), descreve o mundo de Planolândia, habitado por criaturas de diversas formas geométricas. Não é um mundo perfeito nem harmônico: aos poucos, vamos descobrindo que a sociedade dessas criaturas se baseia quase que exclusivamente numa hierarquia em que as formas de mais lados são superiores. Quanto mais lados você tiver, melhor. Se for um círculo, então (que, como o quadrado lembra bem ao leitor distraído, nada mais é do que um polígono com um número extremamente grande de lados), você passa a fazer parte dos que dominam o mundo. Mas se tiver tido o azar de nascer um triângulo, que é a casta mais baixa entre os homens, não passará de um trabalhador braçal ou de um soldado. E se for uma mulher, então? Em Planolândia, mulheres não passam de linhas, e não têm direito algum, a não ser o de ficar em casa e ter filhos.

Embora o narrador aparentemente discorde de algumas coisas, como por exemplo o tratamento dado às mulheres, ele mostra que é um filho de sua sociedade, pois desconhece outros modos de agir… modos esses que lhe serão mostrados em dois confrontos que irão tirá–lo literalmente de seu eixo: uma incursão à terra de Linhalândia (terra de uma só dimensão, onde ele se confronta com diversos tipos de linhas) e o conflito mais aterrador de todos: o contato com uma esfera vinda da Espaçolândia, a terra das três dimensões. Essas revelações, que abalam a vida do quadrado, não só ensinam mais geometria através do método analógico, como são uma bela aula sobre preconceito e mentalidade retrógrada.

Plano sim, chato não. A esta altura, o leitor já percebe que o verdadeiro interesse de Abbott não consiste em dar lições de matemática (embora o faça muito bem e de maneira bastante clara), e que toda a história das formas geométricas é uma alegoria para criticar a sociedade vitoriana. Assim como, para citar um exemplo, Jonathan Swift, que em As Viagens de Gulliver ironizou o comportamento das classes sociais inglesas do século XVIII fazendo com que seu protagonista encontrasse criaturas fantásticas porém fora da realidade como os minúsculos liliputianos e os gigantes de Brobdignag, Abbott critica o sexismo e as instituições britânicas como o clero e a classe alta da forma que melhor lhe convinha (inclusive porque era ele próprio um clérigo): a alegoria. Não foi à toa que ele assinou a primeira edição com um pseudônimo bem característico: A. Square (que em inglês quer dizer simplesmente “um quadrado”). O sucesso do livro, contudo, foi tão grande, que Abbott logo em seguida lançou uma segunda edição assumindo a autoria.

Merecidamente: à primeira vista, Planolândia pode parecer uma narrativa literalmente chata, sem detalhes interessantes. Mas a narrativa de Abbott nada tem de, como se dizia antigamente, “quadrada”: ainda que didáticas, as explicações do “senhor quadrado” para todos os fenômenos deste mundo não tão diferente do nosso descem redondinhas.

Nelson Marques Peron elenca uma série de outras obras com temática semelhante, entre elas An Episode of Flatland, do lógico americano C. H. Hinton; Flatterland: Like Flatland Only More So, de Ian Stewart; e The Planiverse, de A. K. Dewdney.Acerca de Flatland. Em UOL, por Nelson Marques, 2005-2009. Acesso em 05/10/2010.

Planolândia também virou filme em 2007, Flatland – The Movie. Muito mais do que uma simples versão para o cinema, “Flatland – the movie” é uma releitura do texto original, transformando o romance num desenho animado ao modo de Disney.Flatland – O Filme e o Romance. Em Negativo Online por Newton Marques Peron. Acesso em 05/10/2010.

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Segundo Newton Marques Peon, autor do texto Flatland – O Filme e o Romance, publicado no “Negativo Online” e usado como nota em nosso artigo, Flatland – The Movie, dirigido por Dano Johnson e Jeffrey Travis, em 2007, é um releitura mais plana, que retira um pouco da profundidade do mundo bidimensional de Abbott. Ele recomenda, Flatland – The Film, produção independente dirida por Ladd Ehlinger Jr. em 2008, que seria mais fiel ao espírito do original.

FICHAMENTO

Data: 18840000.

TAGS: Dimensionalismo, Livros.

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Comentários [2, RSS]
  • Newton Marques Peron

    Olá, Reno.

    Não sou ufólogo, mas me interesso bastante pelo romance de Edwin A. Abott. Gostei do seu texto mas ficou parecendo que eu recomendo a versão de Dano Johnson e Jeffrey Travis. Essa versão pega toda a orignalidade e radicalidade do romance original e dissolve em água e açúcar. Eu recomendo a versão independente muito mais interessante (infelizmente sem legendas em português) de Ladd Ehlinger Jr.

    abraços!

    Newton Marques Peon

  • Caro Newton,

    O romance de Abott, de fato, não tem qualquer relação direta com a ufologia, apesar de acreditarmos que, pela sua capacidade de oxigenar as mentes, ele possa ser muito inspirador em relação a algumas especulações levantadas por pessoas que se dedicam à área.

    Nesse contexto, também é importante ter detalhes sobre a filmografia, um vez que há certas vantagens na informação codificada dessa maneira. Foi acrescentado um adendo ao artigo para esclarecer a passagem a que você se refere e explicitar sua recomendação.

    Agradecemos muito o seu contato.

    Abraços,

    Reno Martins

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