O que nos resta para explorar?

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O que nos resta para explorar?O que nos resta para explorar?. Revista ECO 21, maio de 2010. Acesso em 22/07/2010.

Edward Osborne Wilson

[Entomologista e biólogo, especialista em ecologia, evolução e sociobiologia]

O que nos resta para explorar? A biosfera, é claro; essa fina lâmina de vida que cobre a superfície da Terra, tão estreita que, de um ângulo perpendicular, não pode ser vista do espaço e ainda assim é, disparada, a entidade mais complexa do Universo que conhecemos. E quão bem conhecemos esta parte da Terra? Proporcionalmente, quase nada. Vivemos num mundo praticamente desconhecido. Vejamos alguns exemplos.

O animal mais bem estudado é a ave, cujos dados são cuidadosamente coletados por pesquisadores e exploradores há séculos. E mesmo assim, em média, 3 novas espécies surgem a cada ano. Comparável a elas só mesmo as plantas: conhecemos cerca de 280 mil espécies fora de possíveis 320 mil que se estima que existam. Daí em diante os números entram em queda livre. Era de se esperar que anfíbios – sapos, salamandras e gimnofionos – se comparassem às aves, mas a verdade é que eles ainda são pouco estudados: de 1985 a 2001, 1.530 novas espécies foram constatadas e incrementadas à lista de 5.300 espécies existentes, um quarto do total, e com mais espécies sendo encontradas a cada ano.

Ao passarmos para os invertebrados, aos quais batizei de “coisinhas que controlam o Planeta”, daremos uma olhada nas profundezas de nossa ignorância. Considerem os nematódeos, criaturas cilíndricas quase microscópicas que alçam formas de vida e parasitas em todos os lugares do Planeta, tanto na terra quanto no mar. São as criaturas mais abundantes do mundo. Um entre cada cinco animais vivendo na Terra é um nematódeo. Se toda matéria sólida do Planeta se tornasse invisível, exceto os nematódeos, ainda poderíamos ver a silhueta dessas minhocas do espaço. Existem 16 mil espécies conhecidas dessa criatura, no entanto se estima que o número verdadeiro seja de 15 milhões. Com toda certeza o ecossistema do Planeta e a humanidade dependem dessa minhoquinha, mas não sabemos quase nada sobre a grande maioria delas.

Continuando, cerca de 900 mil tipos de insetos são conhecidos pela ciência (acabo de finalizar a descrição de mais 340 novas espécies de formigas, por exemplo), mas o cálculo verdadeiro deve girar em torno de 5 milhões.

Quantos tipos de plantas, animais e micro-organismos compõem a biosfera? Algo em torno de 1.5 e 1.8 milhões de espécies catalogadas que receberam um nome científico em latim. Mas quantas espécies existem de verdade? É um absurdo que não saibamos em magnitude quantas de fato existem. O número poderia variar de 10 milhões a 100 milhões ou quiçá ainda mais. Nós, da área da biodiversidade, dizemos que o nosso conhecimento é de apenas 10% de todas as espécies de organismos vivos.

Os nematódeos, insetos e invertebrados se apequenam diante da diversidade de bactérias e a archaeas, a matéria escura do Planeta Terra. Tem-se conhecimento de mais ou menos 6 mil espécies de bactérias. Esse número pode ser encontrado em 10 bilhões de células bacterianas num grama, ou num punhado, de terra – todas são virtualmente desconhecidas pela ciência. Estima-se atualmente que uma tonelada de terra fértil possa conter 4 milhões de espécies de bactéria. Acreditamos que cada uma delas é especificamente adaptada a um nicho particular, resultado de um longo período evolutivo. Não sabemos que nichos são esses. O que sabemos é que dependemos desses organismos para sobreviver.

Uma pesquisa que está em andamento agora visa pelo menos desvendar o mistério das bactérias que existem dentro de uma boca humana. O número de espécies adaptadas a esse tipo de ambiente é de 700. São bactérias amigas; construíram uma relação simbiótica que nos protege da invasão de bactérias malévolas. Para essas espécies a boca é um continente. Lá elas habitam as cordilheiras dos dentes; percorrem longas distâncias e adentram os profundos vales da gengiva; navegam de lá pra cá por correntes oceânicas de saliva. Não estou sugerindo que se dê uma bússola de explorador para um dentista. Mas deu pra entender a mensagem.

Em todos os cantos do mundo, inclusive no Central Park onde recentemente foi achada uma nova espécie de centopéia, se encontram desconhecidos tipos de vida aguardando a descoberta. Porém, se nada disso lhe impressiona, você por um acaso ficaria satisfeito com um Planeta novo inteirinho para o seu deleite de pesquisador? O mais próximo que podemos chegar a isso é o mundo dos SLIMEs (um acrônimo em inglês para Subterranean Lithoautotrophic Microbial Ecosystems ou Ecossistema Microbial dos Quimiotróficos Subterrâneos), um vasto leque de bactérias e fungos microscópicos reproduzindo-se debaixo da superfície da Terra a uma distância igual ou superior a 3.2 quilômetros, completamente independentes da vida que existe sobre a Terra, alimentando-se da energia derivada de material inorgânico, possivelmente produzindo uma massa de vida superior a que vive aqui em cima. Os SLIMEs têm grandes chances de sobrevivência caso queimemos tudo que existe na superfície terráquea.

Quando abordamos a biodiversidade, somos todos exploradores; os cientistas e todos aqueles que se importam com a natureza, somos todos iguais a Vasco Núñez de Balboa e sua tropa num morro na região do Darién, no Panamá, em 1513, diante do novo oceano, o Pacífico, observando, como diz o verso de John Keats: “…em admiração selvagem do mundo desconhecido que se estendia diante deles”.

OBSERVAÇÕES

Um dos melhores artigos que já li sobre o tema. É impressionante como nosso conhecimento sobre as criaturas que nos cercam é limitado. Sofremos até para fazer estimativas quanto a sua variedade. Estimarmos o número de espécies vivas entre 10 milhões e 100 milhões é algo tão vago, com uma margem de erro tão ampla, que equivale a praticamente nada.

O Conhecimento Estabelecido propaga a idéia de que temos domínio sobre a biodiversidade, especialmente em relação aos Cordados. Há certa tolerância quanto a ecossistemas remotos, como o oceano abissal e a camada subártica, mas se apregoa o total conhecimento dos grandes animais em terra firme e zonas costeiras, esnobando-se a Criptobiologia.

Essa zona de conforto, contudo, é fictícia. Mesmo animais de grande e médio porte –  mamíferos, aves, répteis, peixes e anfíbios -, cuja a existência era, até então, completamente ignorada, são descobertos todos os anos, mostrando como é possível pernecer oculto do nosso conheciemento durante longos períodos. Enquanto assim for – imagino que durante bastante tempo – as pesquisas criptobiológicas devem manter seu papel.

FICHAMENTO

Data: 20100500.

TAGS: Ciência, Criptobotânica, Criptozoologia.

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