O que é Pesquisa Ufológica?

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O Que é Pesquisa Ufológica?O Que é Pesquisa Ufológica? Cetesbr, em 1998.

Autor: Fernando J.M. Walter – 1998.

“…fazemos ciência com fatos, assim como construímos uma casa com pedras, mas uma acumulação de fatos não é ciência assim como não é uma casa um monte de pedras”

Henri Poincaré, “A Ciência e a Hipótese” – 1902

…E continuam chegando às minhas mãos as costumeiras revistas e boletins relacionadas ao fenômeno OVNI, bem como o constante fluxo de informações transmitidas, pela Internet, sobre o tema.

Toda essa informação, no entanto, possui praticamente o mesmo conteúdo. São novos “casos”, envolvendo, em maior ou menor proporção, a escala elaborada por J. Allen Hynek (os chamados “Contactos Imediatos”, em Português). Excluem-se dessa massa de dados, logicamente, as inúmeras querelas pessoais que interessam, creio, somente aos nelas diretamente envolvidos ou aos respectivos acólitos.

Os textos invariavelmente oscilam entre o sensacionalismo, de matiz semelhante ao que habita nossos jornais, até às ditas “abordagens objetivas” realizadas pelos “estudiosos” do fenômeno, que ostentam quase sempre uma capacidade mínima, muito sutil, de análise coerente dos fatos disponíveis.

A partir do período no qual começou a cristalizar-se a dicotomia “Ufologia Científica – Ufologia Esotérica”, os auto-denominados partidários de uma ou outra corrente eventualmente trocam argumentações defendendo a abordagem do fenômeno a partir de óticas (evidentemente) coerentes com as respectivas linhas de pensamento. Com o passar dos anos, surgiu – de forma previsível – uma espécie de terceira via, a qual não renega, de forma absoluta, qualquer das duas correntes principais. Encontram-se nela aqueles pesquisadores de “mente aberta”, que buscam explicações em um ou outro lado, visando a justificar suas opiniões.

Não haveria nada de errado em tudo isso, visto que a Ufologia não é, nem nunca foi oficialmente considerada uma ciência. Não existem Universidades que formam Ufólogos, nem conselhos que regulamentem a profissão. Um “ufólogo” não pode se aposentar, apresentando-se como tendo exercido essa profissão. Tampouco existe essa categorização no registro de profissões que devem ser indicadas na declaração de Imposto de Renda.

Assim, é importante deixarmos bem claro que um “ufólogo científico” na realidade é um pesquisador que, a seu próprio modo de ver, conduz – ou deveria conduzir, ao menos – seus estudos seguindo metodologia sistemática, bem definida. Suas opiniões deveriam sempre ser pautadas pela lógica, embasadas por fatos científicos bem conhecidos, e suas especulações elaboradas a partir do estudo dos dados disponíveis.

Tenho consciência de que o que foi exposto acima é quase uma impossibilidade. A maioria dos pesquisadores (creio eu) desenvolve, de forma justificada, outras atividades profissionais, necessárias ao seu sustento. Não se pode, assim, exigir dedicação exclusiva à pesquisa ufológica.

Nada disso justifica, no entanto, o cenário desolador que vimos presenciando já há tantos anos, e – sejamos justos – não só no Brasil como também no resto do mundo. Pelo fato de praticamente não existir o profissional “Ufólogo” – não confundir com o “ufólogo profissional” – muitos se acham no direito de, invocando o manto da ciência, emitir opiniões ridículas, usando inclusive muitas vezes, por ignorância ou talvez má-fé, fatos comprovados cientificamente para, supostamente, alicerçar afirmações esdrúxulas.

Não sei até que ponto esses “ufólogos científicos”, deixando à parte vaidades , já se aperceberam da responsabilidade que possuem (que TODOS nós, aliás, possuímos). Pessoas de todos os estratos sociais e culturais, e de todas as faixas etárias que se interessam pelo tema OVNI lêem nossas opiniões. Preconceitos, fatos errados e idéias absurdas podem, tal como ervas-daninhas, proliferarem-se muitas vezes de maneira irreversível na mente das pessoas. E, claro, a eventual desmistificação posterior dos absurdos descuidadamente cometidos por pesquisadores dessa estirpe pode levar pessoas a assumirem uma posição de ceticismo total e a ridicularizar, sistematicamente, toda e qualquer informação que venha a ser disponibilizada, ainda que injustificadamente.

Deseja-se que as pesquisas possam, efetivamente, ser conduzidas sob uma abordagem científica? Temos aqui algumas sugestões de comportamentos a serem adotados:

Continuidade

É absolutamente aterrador o número de casos pesquisados e que foram abandonados, ou não tiveram suas conclusões publicadas. Sempre me questiono o porque disso. Algumas explicações são óbvias e justificadas. Um processo de investigação sério demanda pesados recursos financeiros e operacionais, quase sempre fora do alcance do pesquisador independente ou mesmo de grupos de pessoas. No entanto, porque nunca são disponibilizados os dados obtidos para aqueles com interesse e possibilidades materiais de continuar a pesquisa? Porque as informações são trancadas a sete chaves? Afinal, que tipo de pesquisador é esse que omite informações, muitas vezes sob uma aura pré-fabricada de mistério, quase sempre injustificada?

Porque tantos casos, muitas vezes publicados inicialmente sob intensa fanfarra, são misteriosamente enterrados e esquecidos? O pesquisador teria sido ludibriado e envergonhou-se em reconhecer, publicamente, o erro? Será sempre mais fácil descarregar a culpa, nessas situações, nos Governos, nos “Homens de Preto” ou o que seja?

O que me leva muitas vezes a questionar a seriedade desse tipo de comportamento é a desconfiança de que na realidade nos defrontamos aqui com uma questão menos afeta à pesquisa genuína que aos fenômenos mercadológicos. Possivelmente a busca desenfreada de casos “novos” justificaria a existência dos inúmeros congressos e publicações existentes. Muitos casos importantes, com elevados graus de estranheza e/ou evidências físicas são postos de lado – aplicando-se aí, com toda a propriedade, a afirmação de Poincaré apresentada no início do texto. Passamos assim a ter um amontoado de dados, de informações, as quais jamais poderão servir a um propósito prático, em função do abandono a que logo serão relegados.

Casos notórios como Roswell e os documentos MJ12 são algumas das exceções de praxe, e por boas justificativas – haja vista a quantidade de livros, filmes, etc. direta ou indiretamente baseados nos mesmos. São exemplos típicos do famoso princípio de Lavoisier, porém aplicado à Ufologia. Permanecerão ainda sendo discutidos por um longo tempo…e não é necessário possuir dons premonitórios para realizar essa afirmação.

Responsabilidade

Definitivamente, não é boa política, como já afirmei, arvorar-se a realizar comentários sobre assuntos sobre os quais não se possui suficiente informação. Se isso é verdade em relação à nossa vida cotidiana, muito mais o é em relação ao fenômeno OVNI. Em um campo no qual lidamos com fenômenos absolutamente desconhecidos, é forçosa a aplicação de conhecimentos referentes à várias disciplinas básicas, algumas delas inter-relacionadas, tais como Física, Química, Biologia, Sociologia, História, Geografia, Astronomia, Informática, Lingüística, Antropologia, Arqueologia, Meteorologia, Astronáutica, Psicologia e outras, no sentido de realizar avaliações coerentes dos fatos. Do contrário, continuaremos a assistir o deprimente festival de sandices e bufonarias que permeiam as publicações do gênero ou mesmo as não-especializadas, as lista de discussão na Internet, e etc. Claro que não estamos aqui afirmando que pesquisadores, para serem como tal reconhecidos, devam individualmente possuir conhecimentos extensos sobre as disciplinas citadas, ou mesmo de grande parte delas. Porém, noções básicas de algumas destas disciplinas são fundamentais.

Bom Senso e Sobriedade

São, com toda a certeza, excelentes princípios a serem seguidos por todos aqueles que desejam realizar trabalhos de pesquisa ufológica. Seja para as pesquisas de campo ou teóricas (as duas são importantíssimas e intimamente vinculadas), conhecimento sobre as várias especialidades como as citadas acima é importante, repetimos, porém pode ser adquirido a posteriori. Bom Senso e Sobriedade são , no entanto, pré-requisitos básicos de um bom pesquisador.

O passar do tempo, o estudo e a conseqüente definição de uma especialização científica servirão, enfim, como bases extremamente sólidas, conjuntamente com os demais aspectos acima relacionados, para a utilização – afinal – da Criatividade , fator presente em todos nós, seres humanos, para a correta abordagem do fenômeno OVNI.

De fato, Poincaré estava (e está) corretíssimo. E quem com ele não concordar, por favor, tire suas pedras do nosso caminho. Elas estão atrapalhando.

Este texto é dedicado, respeitosamente, a todos aqueles Pesquisadores que, por seu  conhecimento e honestidade de propósitos, são exemplos a serem seguidos por todos nós.

OBSERVAÇÕES

Muitos concordarão com as afirmações de Fernando Walter, mas poucos se esforçarão para cumprir suas sugestões sensatas. Quando se trata de opiniões e pesquisa, geralmente a conveniência se sobrepõe ao trabalho.

Para saber nossa linha de pesquisa, consulte o artigo Ufologia. Acompanhe nosso esforço de sistematização nos artigos Estruturação de Dados e Avaliação de Casos. Saiba mais em Apresentação [the linked post is not published yet].

FICHAMENTO

Data: 19980000.

TAGS: Ciência, Ufologia.

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