Humanóides convergentes?

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humanoides-convergentes

Há várias teorias sobre a origem dos alienígenas que tripulam discos voadores. Nessa questão, explicar a forma humanoide é o fator mais significativo e desafiador. Entre as hipóteses de manipulação genética, aparência física simulada por entidades de outra natureza ou parentesco distante com a humanidade, encontra-se a de evolução convergente. Nela, os tripulantes não teriam qualquer parentesco conosco, sendo a similitude física resultado do desenvolvimento paralelo das mesmas soluções biológicas.

Esse artigo pretende apresentar uma investigação acerca dessa possibilidade.

CONVERGÊNCIA EVOLUTIVA

A evolução convergente é um fenômeno evolutivo observado quando um caráter semelhante evolui independentemente em duas espécies não aparentadas. O fenômeno, associado ao processo de seleção natural, permitiria que criaturas que vivam em ambientes semelhantes, enfrentando problemas semelhantes, sejam fisicamente semelhantes, mesmo tendo origens distintas. Vários exemplos podem ser listados, mas o assunto é bem difundido e vamos nos contentar com apenas um que consideramos representativo:

convergencia1

convergencia2

Nas imagens acima, temos, em ordem de leitura, um golfinho (Tursiops truncatus, mamífero); um tubarão (Carcharodon carcharias, peixe); um ictiossauro (Ichthyiosauria, réptil extinto); e um pinguim (Pygoscelis papua, ave). Mesmo sendo animais tão diferentes, as soluções para a vida na água resultaram num formato hidrodinâmico, com membros propulsores e direcionadores com aparência geral indiscutivelmente semelhante.

Nosso objetivo, então, é investigar a possibilidade de uma evolução convergente criar humanoides; ou seja, serem com cabeça, rosto, quatro membros e bípedes.

PREMISSA DE ANÁLISE

A estatística é a ciência que utiliza-se das teorias probabilísticas para, entre outras coisas, estimar a ocorrência de eventos presentes ou futuros. A teoria sintética da evolução, também chamada neodawinismo ou adaptacionismo, cujos preceitos utilizaremos como base para esse estudo, afirma que a evolução das espécies ocorre pela seleção natural cumulativa de características aleatórias.

O adaptacionismo afirma que as modificações genotípicas entre uma geração e outra são aleatórias, e é em contato com o ambiente que algumas alterações prosperam e são passadas adiante e outras são eliminadas, sob a influência das pressões do meio, de acordo com as necessidades adaptativas dos organismos e o princípio da seleção natural.PROBABILIDADE, VARIÁVEIS ALEATÓRIAS, DISTRIBUIÇÃO DE PROBABILIDADES E GERAÇÃO ALEATÓRIA – Conceitos sob a ótica de Avaliação de Desempenho de Sistemas. Marcos Portnoi, Universidade Salvador – UNIFACS, 26.6.2010. p.36.

A ideia de aleatoriedade cumulativa sustenta a dedução de que uma solução perdida não pode ser perfeitamente recuperada por uma espécia. Uma vez que órgãos e estruturas evolutivamente complexas necessitam passar por um imenso número de evoluções aleatórias acumuladas, as chances disso ocorrer duas vezes de modo independente seria praticamente nula. É uma aplicação simples dos conceitos de probabilidade, conhecida como Lei de Dollo:

A lei de Dollo, também conhecida como lei da irreversibilidade da evolução, propõe que estruturas complexas, uma vez perdidas dificilmente são readquiridas em sua forma original. Essa hipótese foi sugerida por Louis Antoine Marie Joseph Dollo (1857- 1931), em 1890. Dollo era um naturalista belga, que se dedicava à paleontologia e estudava fósseis. De acordo com essa hipótese, um caráter, perdido no processo de evolução, não reaparecerá naquela linhagem de organismos. A lei de Dollo é uma hipótese baseada em probabilidades e, assim, passível de exceções. Há vários casos que exemplificam exceções como: presença de membros em cetáceos e serpentes, os dentes extranumerários dos linces e dentes em aves.

O preceito de Dollho não afirma que duas soluções semelhantes não podem ocorrer em organismos diferentes, o que seria uma negação da possibilidade de convergência evolutiva, mas que essas soluções, apesar de semelhantes, devem ser “estruturalmente” diferentes. Nesse artigo, não vamos explorar limites ou contradições nessas teorias. Nosso interesse é na semelhança morfológica, de modo que a estrutura não entra em questão.

Conforme a teoria da evolução, a forma de uma espécie depende de uma espécie anterior, que depende de outra, sucessivamente até uma espécie originária universal. Ainda que todas as espécies tenham essa origem comum, espécies separadas há muito tempo, pela Lei de Dollo, deveriam ser diferentes. Logo, qualquer semelhança de solução morfológica evolutiva entre elas seria uma evidência do caráter geral dessa solução. Assim, quanto mais comum a adaptação, maior a chance dela ser encontrada numa forma de vida alienígena, com desenvolvimento evolutivo separado do nosso.

Hippocampus hippocampus

Por exemplo, os cordados são um filo de seres vivos com grande diversificação morfológica. Aves, peixes, mamíferos e répteis, suas classes mais numerosas, estão evolutivamente separadas há muito tempo. Cada uma possui uma diversidade morfológica grande estre suas próprias espécies. O cavalo marinho (Hippocampus hippocampus, imagem acima) é uma espécie de peixe com formato peculiar. Não há ave, mamífero ou rétil aquático com características físicas semelhantes. Podemos inferir que, num ambiente aquático alienígena, seria possível encontrar algo como um cavalo marinho, mas muito mais provável encontrar algo com aparência de golfinho, tubarão, ictiossauro ou pinguim, uma vez que suas soluções morfológicas foram reavidas por seres evolutivamente muito diferentes.

UM CRITÉRIO ESTATÍSTICO

Nossa proposta é tentar expressar essa premissa de maneira quantitativa, comparável. Para isso, é preciso definir um universo de análise, de modo que as ocorrências nesse universo possam ser expressas de maneira percentual. Entendemos que o universo de seres vivos da Terra, com seu grande número de espécies em diversos ambientes, pode ser considerada uma amostra evolutiva aleatória fiel, desde que sejam adotados os filtros adequados, como pretendemos demonstrar.

A taxonomia é uma área de conhecimento conflituosa, com novas categorias taxonômicas aparecendo e desaparecendo continuamente, conforme aumenta nosso conhecimentos sobre os seres vivos. Apesar de não ser completamente pacífica, suas linhas gerais são bem aceitas. De forma simplificada, elas dividem os seres vivos nas seguintes hierarquias: Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero e Espécie. Por essas categorias, seria possível classificar todos os seres vivos conhecidos. Na imagem abaixo, vemos exemplos para a planta rosa-rubra (Rosa gallica) e a ave mariquita-papo-de-fogo (Dendroica fusca). Clique na imagem para ampliar.

taxon1

Os filos são as classificações mais elevadas onde os seres vivos agrupam características evolutivas de ancestralidade comum. Duas espécies de filos distintos estariam tão afastadas evolutivamente que qualquer característica morfológica semelhante, entendemos, teria valor estatístico não desprezível. De acordo com a base de  dados do Integrated Taxonomic Information System (ITIS), coletada em 2008, podemos dividir o reino Animalia nos seguintes 34 filos:

1. Acanthocephala 13. Entoprocta 25. Orthonectida
2. Annelida 14. Gastrotricha 26. Phoronida
3. Arthropoda 15. Gnathostomulida 27. Placozoa
4. Brachiopoda 16. Hemichordata 28. Platyhelminthes
5. Chaetognatha 17. Kinorhyncha 29. Porifera
6. Chordata 18. Loricifera 30. Priapula
7. Cnidaria 19. Mollusca 31. Rhombozoa
8. Ctenophora 20. Myxozoa 32. Rotifera
9. Cycliophora 21. Nemata 33. Sipuncula
10. Echinodermata 22. Nematomorpha 34. Tardigrada
11. Echiura 23. Nemertea
12. Ectoprocta 24. Onychophora

Esses 34 filos correspondem ao nosso universo de 100%.

Nossa premissa é que as espécies dos filos compõem um conjunto amostras aleatórias de evolução, dada a enorme diversidade ambiental da Terra e o tempo que tiveram disponível para acumular mutações. Sendo a primeira categoria taxonômica, filos estariam evolutivamente tão afastados que qualquer semelhança morfológica entre suas espécies pode ser considerada estatisticamente relevante. Entendemos que a abordagem de trabalhar com filos compensa a influência de semelhanças que poderiam ser atribuídas a uma ancestralidade comum, como, por exemplo, o fato de todas as aves terem penas.

Assim, sendo a amostra aleatória, se pelo menos uma espécie dentro de um filo possuir determinada característica, essa característica tem uma probabilidade de 1 em 34 (2,94%) de ocorrer num ambiente alienígena com condições ambientais semelhantes à Terra. Em quanto mais filos aparacer a característica, sua probabilidade de ocorrer num ambiente alienígena semelhante cresce na mesma proporção. Por exemplo, considere a aparência filiforme, definida como um corpo muitas vezes mais longo que espesso, ápode ou com pequenas pernas. Especies com essa característica podem ser encontradas nos seguintes filos:

PROBABILIDADE FILIFORME

FILO/CLASSE ESPÉCIE INDICATIVA INCREMENTO %
Acanthocephala Macracanthorhynchus hirudinaceus 2,94%
Annelida Lumbriculus variegatus 2,94%
Arthropoda Geophilus longicornis 2,94%
Brachiopoda Lingula anatina 2,94%
Chordata Opheodrys aestivus 2,94%
Cnidaria Cirrhipathes spiralis 2,94%
Echiura Siphonosoma cumanense 2,94%
Gnathostomulida Gnathostomulida sp. 2,94%
Hemichordata Hemichordata sp. 2,94%
Mollusca Limax maximus 2,94%
Nemata Trichinella spiralis 2,94%
Nematomorpha Paragordius tricuspidatus 2,94%
Nemertea Micrura verrilli 2,94%
Onychophora Peripatopsis leonina 2,94%
Platyhelminthes Taenia saginata 2,94%
Rhombozoa Rhombozoa sp. 2,94%
Sipuncula Sipunculus nudus 2,94%
TOTAL   50,00%

Assim, a metodologia acusa que, num planeta alienígena semelhante à Terra, haveria 50,00% de chance de se desenvolvem seres filiformes. É importante ressaltar que a precisão da ferramenta não é alta, uma vez que 2,94% seria o mínimo de ocorrência de qualquer característica, e que ela indica a probabilidade de desenvolvimento da característica e não sua difusão. Por exemplo, a atmosfera da terra é repleta de criaturas voadora, como insetos, aves e morcegos. Aplicando a metodologia, temos as seguintes ocorrências de asas:

PROBABILIDADE ASAS

FILO/CLASSE ESPÉCIE INDICATIVA INCREMENTO %
Arthropoda Musca domestica 2,94%
Chordata Diomedea exulans 2,94%
Mollusca Gymnosomata 2,94%
TOTAL   8,82%

O grande número de criaturas voadoras na Terra mostra o sucesso dessa adaptação como estratégia evolutiva em nosso ambiente, mas a metodologia indica que asas não seriam uma alternativa evolutiva tão comum: há chance de apenas 8,82% para se encontrar asas em espécies alienígenas num planeta semelhante à Terra; apesar de que, uma vez aparecendo, essa característica poder se difundir enormemente pela vantagem competitiva das espécies que a possuírem.

Feitas essas observações, que podem ser questionadas e discutidas, sigamos.

ESTIMATIVA DA POSSIBILIDADE DE CONVERGÊNCIA

Há certa lógica na evolução. Dois olhos, por exemplo, são uma solução biologicamente eficiente num mundo tridimensional por dois motivos: 1) para cobrir praticamente todo o espectro de informações luminosas ao redor de um corpo, dois ocelos pontando em direções opostas, em tese, são suficiente; 2) para determinar a distância de um objeto é preciso, no mínimo, o registro de sua posição a partir de dois pontos. Em ambos os casos, dois olhos são a solução biologicamente menos dispendiosa.

Essa tendência à economia biológica é tão evidente, que mesmo animas que se desenvolveram com muitos olhos, como os artrópodes, tendem a realçar dois como principais ou a agregar todos em dois grandes aglomerados.

convergencias-olhos

Pela metodologia, a chance de desenvolvimento de dois olhos é de 20,59%.

PROBABILIDADE OLHOS

FILO/CLASSE ESPÉCIE INDICATIVA INCREMENTO %
Annelida Nereis succinea 2,94%
Arthropoda Praying Mantis 2,94%
Chordata Bufo marinus 2,94%
Mollusca Octopus vulgaris 2,94%
Onychophora Euperipatoides rowelli 2,94%
Platyhelminthes Dugesia tigrina 2,94%
Tardigrada Milnesium tardigradum 2,94%
TOTAL   20,59%

Órgãos como os olhos demandam um grande processamento de informação. Isso justifica que, na maioria dos casos, eles fiquem próximos de centros nervosos. A alta capacidade de processamento desses centros, acaba agregando outros órgão de percepção, que também demandam processamento. É útil, por sua vez, que os órgão sensíveis possam ser direcionados para lugares diferentes ao redor do corpo. O resultado é um apêndice móvel, com um centro nervoso robusto e vários órgãos sensíveis: uma cabeça. Evidentemente, isso nem sempre acontece. Alguns organismos, como crustáceos e escorpiões, resolvem o problema de outros modos, movendo apenas os órgãos sensíveis ou o corpo inteiro.

convergencias-cabeca

Pela metodologia, a chance de desenvolvimento de uma cabeça é de 38,24%.

PROBABILIDADE CABEÇA

FILO/CLASSE ESPÉCIE INDICATIVA INCREMENTO %
Annelida Nereis succinea 2,94%
Arthropoda Praying Mantis 2,94%
Chordata Giraffa camelopardalis 2,94%
Cycliophora Cycliophora sp. 2,94%
Gnathostomulida Gnathostomulida sp. 2,94%
Kinorhyncha  Kinorhyncha sp. 2,94%
Loricifera Nanaloricus mysticus 2,94%
Mollusca Sepia officinalis 2,94%
Nemertea Micrura verrilli 2,94%
Onychophora Euperipatoides rowelli 2,94%
Orthonectida Orthonectida sp. 2,94%
Platyhelminthes Dugesia tigrina 2,94%
Tardigrada Milnesium tardigradum 2,94%
TOTAL   38,24%

Também é lógico que a boca esteja em algum lugar móvel, próxima do centro de órgãos sensíveis prospectores, de modo que esteja perto do alimento tão logo seja identificado, podendo ser usada com mais facilidade. Por uma imposição da lei da gravidade, é menos trabalhoso que ela esteja abaixo dos olhos, de modo que restos de alimento não caiam e atrapalhem o funcionamento desses últimos. Dois olhos sobre uma boca, ainda que apenas suposta, são característica básicas para reconhecermos o que se convenciona chamar “rosto”, como mostra os exemplos abaixo de pareidolia.

pareidolia-convegentes

A metodologia aponta que a chande de encontrarmos um rosto reconhecível num planeta parecido com a Terra e igual a de encontrar dois olhos, 20,59%, com os mesmos exemplos amostrais dados anteriormente. Assim, as chances de encontrar uma cabeça, olhos ou rosto alienígena é consideravelmente alta. As coisas se complicam com outras características humanoides.

A necessidade das criaturas terem alguma forma para manipular objetos do ambiente é facilmente compreensível. Agarrar ou fazer manipulações detalhadas são ações realizadas de maneira biologicamente mais eficiente por dois “membros”, seja para pinçá-los com ambos ou para segurar com um e manipular com outro. Apesar de parecer racional, isso não se verifica. Ao que parece, a maioria dos animais ou não parece sentir falta de dois membros específicos só para manipulação. Os filos que apresentam o desenvolvimento dessa alternativa – destacar dois membros para manipulações específicas – são apenas três, deixando a probabilidade de braços ser igual a de asas: 8,82%.

PROBABILIDADE DOIS BRAÇOS

FILO/CLASSE ESPÉCIE INDICATIVA INCREMENTO %
Arthropoda Praying Mantis 2,94%
Chordata Hylobates lar 2,94%
Mollusca Loligo vulgaris 2,94%
TOTAL   8,82%

O desenvolvimento de apenas 4 membros é muito mais raro. Ele ocorre apenas no filo Chordata, na superclasse Tetrapoda, deixando a probabilidade de desenvolvimento no patamar mínimo admitido na metodologia: 2,94%.

Temos, assim:

PROBABILIDADE CABEÇA: 38,24%

PROBABILIDADE OLHOS/ROSTO:  20,59%

PROBABILIDADE BRAÇOS: 8,82%

PROBABILIDADE 4 MEMBROS: 2,94%

A probabilidade de uma criatura que evolua de maneira aleatória num ambiente semelhante a Terra agregar todas essas características é, então: 0,3824 x 0,2059 x 0,0882 x 0,0294 = 0,02%.

Reno Martins.

FICHAMENTO

Data: 20150130.

TAGS: Análises, Astronomia, Exobiologia, Ufologia.

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