Dinossauro em Camboja

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O templo de Ta Prohm, em Camboja, foi fundado em 1186, durante o reinado de Jayavarman VII. Sua arquitetura e adornos tiveram influência budista e, com a morte de Jayavarman VII, também hindú. Após a queda do império Khmer, no século XV, o templo permaneceu abandonado por muitos séculos, tendo sido preservado na sua forma original. Ele é hoje um dos pontos turísticos mais procurados do país.Ta Prohm. Wikipédia. Acesso em 22/08/2010. O templo tem poucos baixos-relevos quando comparado a outras estruturas vizinhas como Angkor WatVeja Angkor Wat, cidade das cidades e Bayon, mas um desses relevos em particular tem chamado a atenção da criptozoologia.

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A semelhança entre o adorno e um estegossauro, conhecido animal pré-histórico, parece ter sido dinfundida na internet pelo site criacionista The Interactive Bible.Dinosaurs in ancient Cambodian temple. The Interactive Bible. Acesso em 22/08/2010. O interesse criacionista na questão é que o relevo indicaria a convivência entre seres humanos e dinossauros num passado próximo, o que corroboraria com a hipótese da juventude do Universo, que deveria ter cerca de 6.000 anos, conforme a interpretação da Bíblia feita por essa corrente.

O interesse da criptozoologia, por sua vez, é a possível existência de alguma criatura ainda não catalogada, talvez ainda viva ou extinta apenas no passado próximo. O região do sudeste asiático é pródiga em revelar Criaturas Continentais Inéditas, inclusive as de porte, como o Vu Quang Ox (1992), Muntjac Gigante (1994), Muntjac de Truong Son (1997), Macaco de Arunachal (2002) e Búbalo de Cara Pelada(2009). Como é esperado em situações dessa natureza, surgiram críticas ferozes. Algumas baseadas em argumentos sensatos, outras nem tanto.

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Veja o relevo acima, não é obviamente um estegossauro? A representação pode ser encontrada no templo Ta Prohm no meio da selva Cambodiana, construído ao redor do ano de 1186. Deveria ser impossível, porque o primeiro fóssil de Estegossauro foi descoberto no Colorado, EUA, quase sete séculos depois, em 1876, enquanto estegossauros foram extintos há mais de 140 milhões de anos. Como monges cambodianos do século XII poderiam conhecer um Estegossauro?

Desde que a imagem chamou a atenção há alguns anos, turistas independentes vêm confirmando que o relevo de fato está lá. E não aparenta ser uma adição moderna. Não houve uma avaliação ou validação rigorosa, mas tudo sugere que está lá. Mesmo o criptozoologista Loren Coleman ficou intrigado. E perguntou se “talvez não seja apenas um rinoceronte?”.

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O que são interpretadas como placas na coluna, típicas de um Estegossauro, são em verdade adornos florais ao fundo da figura, como os que existem em outros relevos acima e abaixo com outros animais:

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Certamente, nem todos devem ficar convencidos por esta explicação alternativa. Um dinossauro extinto há 140 milhões de anos parecerá mais plausível do que a representação de um rinoceronte asiático com motivos florais. Na ásia.Adaptado de O Estegossauro na Cambódia, um Dinossauro Medieval?. Ceticismo Aberto. Acesso em 10/09/2009.

As breves considerações do Ceticismo Aberto são sustentadas em três argumentos distintos: 1) não é plausível a representação no século XII de um dinossauro extinto a 140 milhões de anos; 2) Estegossauros foram descobertos na América e não deveriam aparecer na Ásia; 3) o relevo representa na verdade um rinoceronte (as espécies Rhinoceros sondaicus e Dicerorhinus sumatrensis são nativas da região).List of mammals of Cambodia. Wikipédia. Acesso em 22/08/2010.

A pressumidas antiguidade e extinção dos estegossauros, aliadas ao fato de um deles parecer ter sido retratado em uma gravura recente, são os elementos que atribuem estranheza e impõem a necessidade de pesquisa ao caso, de modo que não é adequado recorrer a esses argumentos para descreditá-lo.Isso correponderia a um raciocínio circular (“isso é impossível, porque é impossível”), a um apelo à multidão (“isso é impossível, pois todos sabem que é impossível”) ou, na melhor das hipóteses, a um apelo à tradição (“isso é impossível, pois sempre se soube que é impossível”). Saiba mais sobre falácias. A idéia de que o estegossauro foi encontrado no continente americano é mais consistente, mas apenas numa análise superficial. Ela é verdadeira, mas só em relação à primeira descoberta.

A atual infraordem Stegossauria possui sete gêneros catalogados com presença na Ásia: Huayangosaurus, Monkonosaurus, Chungkingosaurus, Chialingosaurus, Wuerhosaurus, Tuojiangosaurus e Jiangjunosaurus. As descobretas mais próximas de Camboja ocorreram a cerca de 2 mil quilômetros em direção ao norte, na região chinesa de Sichuan. Os animais parecem bastante com seus parentes americanos.

Tuojiangosaurus - um dos estegossauirídeos asiáticos

Tuojiangosaurus. Estegossauirídeo asiático que viveu na região de Sichuan, na China

O fato do primeiro estegossauro ter sido descoberto nos EUA, em 1876, não descredita a possibilidade do relevo retratar um estegossaurídeo, uma vez que essas criaturas também circularam alguma época pelas proximidades da região.

Quanto ao rinoceronte, ao que parece praticamente toda a fauna de Camboja já foi considerada por alguém, em algum momento, como uma possibilidade para a retratação do relevo. Isso inclui o pangolim (Manis javanica ou Manis pentadactyla), tapir (Tapirus indicus) e porco selvagem (Sus scrofa), entre várias outras opções.

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Ding, ding, ding, ding, ding! Acho que temos um vencedor. No mínimo, podemos concluir que o relevo do templo parece muito mais com um camaleão que com um estegossauro. A cabeça se ajusta muito melhor, a cauda não tem espinhos, e as costas ainda possuem cumes. Há muitas espécies de camaleões, e pode haver uma que se encaixa melhor do que esses exemplos que encontrei. Naturalmente, todos os argumentos que você pode trazer ao dizer que a imagem não se ajusta bem para um camaleão, aplica-se ainda mais para a hipótese do estegossauro.Ancient Cambodian Stegosaurus?. Em Neurologica, por Steven Novella. Acesso em 12 de novembro de 2009.

O camaleão perde em relação aos outros candidatos por não exitirem camaleões em Camboja. A espécie mais próxima, Chamaeleo zeylanicus, se encontrada a cerca de 2,5 mil quilômetros ao sudoreste, cruzando toda a Baía de Bengalana, na ilha de Sri Lanka. As duas espécies retratadas são a Chamaeleo melleri, natural do leste africano, e a Chamaeleo calyptratus, do sul do Oriente Médio.

Em verde a distribuição da família Chamaeleonidae. Em vermelho, Camboja.

Em verde a distribuição da família Chamaeleonidae. Em vermelho, Camboja.

Claro que não se pode descartar a hipótese de que o relevo represente uma espécie de camaleão extinta ou ainda desconhecida. De qualquer maneira, não acredito que o adorno seja um camaleão, ou mesmo um rinoceronte, apesar dessa última hipótese, levantada pelo criptozoólogo Loren Coleman, ser uma das menos inviáveis.

ANÁLISES

Ao que parece, quase todas as tentativas de interpretação da figura a tem considerando de forma isolada, o que é um erro. Houve um tímido avanço no argumento que defende a versão do rinoceronte, ao levantar a possibilidade das placas na coluna serem motivos florais, como ocorre em outros adornos próximos. Isso, contudo, é insuficiente. Informações sobre contexto e estilo são fundamentais para a interpretação adequada da arte antiga, assim como da moderna.

Não encontramos muitas imagens e informações sobre os demais relevos e adornos de Ta Prohm. Possuir as imagens e saber sua posição e idade relativa teria valor inestimável para a esclarecer o problema. Um pouco de pesquisa sobre as imagens que conseguimos, contudo, revelam informações muito preciosas sobre o estilo e capacidade dos artistas da época, que jogam um pouco mais de luz – ou mistério – sobre o “estegossauro”.

As imagens são as disponíveis no site The Interactive Bible, juntamente com o “estegossauro”. Elas demonstram a indiscutível capacidade e competência dos cambojanos para fazer relevos em pedra. O conjunto representa preponderantemente animais, apesar de acreditarmos que eles nem sempre sejam aqueles considerados pelo The Interactive Bible.

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Aqui temos um cervo, com certeza. A imagem transparece poucos detalhes, o que pode indicar um trabalho inacabado. Ela, contudo, é precisa na caracterização. É possível distinguir o que parecem ser os contornos das pernas no tronco. São transmitidas a naturalidade a graça características dos movimentos do animal, o que também ocorre nas demais imagens, como veremos.

O chifre bifurcado, a clara divisão do pescoço e a cauda erguida, posição típica de animação, permitem definir precisamente até mesmo a espécie: Cervus unicolor (Sambar), natural da região. O volume sobre o ombro e a protuberância abaixo do focinho devem ser elementos adicionais de adorno, o que corrobora com os possíveis “motivos florais” no “esgossauro” e também com a tese de que esse trabalho do cervo ficou inacabado.

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O macaco é particularmente rico em detalhes e também não deixa margens para dúvida. Certamente representa a espécie Macaca leonina, que também ocorre na região. Corpulento, peluno, com orelhas pequenas e face bem marcada, o relevo mostra um espécime já adulto. O rabo curto, mantido enrolado sobre o corpo, é típico da espécie, como se pode ver na imagem.

Importante destacar que, novamente, se identifica a presença de adornos ao redor da figura principal. Há um claro ganho de árvore onde o animal apoia as patas dianteiras. O trabalho também consegue transparecer uma certa austeridade que os macacos transmitem quando são líderes do grupo.

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A imagem acima, em conjunto com várias outras, é considerada pelo The Interactive Bible como sendo um cisne. Entendo que essa se trate de um Gallirallus striatus, ave natural de Camboja. Corpo achurado e afastado do solo, bico longo, peito e pescoço lisos. Todas essas características, que diferem de um cisne em vários aspectos, estão representadas.

O relevo, contudo, ainda avança mais. Andar cuidadoso, olhar atento, até a boca com um leve declive no canto, que dá um certa ar de mal humor à espécie, está presente. Saímos de um cisne tosco para um Gallirallus quase perfeito. Os cambojanos sabiam trabalhar em pedra e eram fiéis naquilo que retratavam. Novamente, se identifica a existência de adornos em volta da figura.

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O The Interactive Bible diz que o relevo acima retrata um lagarto, que os cambojanos “fizeram tão bem”.  Vejo, aí, uma salamandra. Em um relevo de pedra os dois animais são muito parecidos, mas os lagartos de Camboja, em geral, parecem mais longilíneos. A idéia da salamandra se reforça pelo extremo cuidado dos cambojanos com detalhes. Eles destacaram a linha ao longo do dorso e as protuberâncias na cabeça, próximas ao pescoço, características que ocorrem em vários salamandroídeos.

Hoje não há salamandras catalogadas em Camboja, mas elas ocorrem em todos os países vizinhos. As espécias ilustradas acima são a Paramesotriton laoensis, endógena do Laos, e Tylototriton asperrimus, do Vietnã. Pelo revelo, creio que alguma espécie com cauda mais curta e corpo mais atarracado também andasse pela região de Camboja no século XII. Sem que tenhamos conhecimento, talvez ainda continue andando.

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Conforme o The Interactive Bible, o relevo acima retrataria papagaios. Possivelmente, periquitos. Eu concordo. O fenótipo confere e essas aves costumam formar casais permanentes, sendo natural representá-las em duplas. Chama a atenção o grande número de adornos em volta dos animais. Sendo galhos, folhas ou nuvens, creio que seja inconstável a existência dessa característica nos trabalhos do templo.

Psitacídeos são difíceis de diferenciar quando talhados em relevo. A cabeça grande, bico robusto, “bochechas” salientes e olhos bem marcados lembram Psittacula eupatria, o periquito de Grande-Alexandre, que hoje ocorre em Camboja. Contudo, o rabo curto e as asas em longas camadas duplas podem sugerir alguma outra espécie.

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A imagem acima também é associada pelo The Interactive Bible a um cisne, mas é evidente que representa uma Garuda, ave mística do hinduísmo, brilhante como fogo, que serve de montaria para o deus Vishnu.Qualquer semenhança com discos voadores será discutida no futuro, na seção Ufoarqueologia. A representação é muito típica, abundante em toda escultura e arte sacra hindú, não permitindo enganos.

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Esses outros dois relevos acima também são chamados pelo The Interactive Bible de “cisnes”. Sobre esse assunto, por tudo que pudemos ver da competência artística dos construtores do templo, e tentamos demonstrar até o momento, a única certeza que temos é a de que não são. Ainda não consegui identificar do que se tratam, mas parecem retratar a mesma criatura, possivelmente um peixe com olhos redondos e saltados, rosto comprido, corpo estriado e estranhas “barbatanas dorsais” de raios voltados para a frente.

Os olhos saltados e a cabeça “fora d’água” sugerem alguma espécie de saltador do lodo, talvez a Periophthalmodon schlosseri, que ocorre nas proximidades. Mas o rosto alongado não é típico desses animais. Imaginei enguias e outros tipos de peixe, além de golfinhos, pangolins e crocodilos. A espécie mais próxima que encontrei foi a Acantopsis choirorhynchus, mas ainda não estou convencido. Também é possível que os retratos representem alguma figura mítica que eu não tenha familiaridade.

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Os seres desconhecidos têm certa semelhança com o relevo imediatamente abaixo do “estegossauro” (primeira figura acima), mas parece claro que retratam coisas diferentes. Nessa imagem as estrias são mais suaves, os olhos não são saltados e o focinho é mais curto, além da “barbatana dorsal” ter estrutura diferente. Os adornos em torno dessa figura são mais bem definidos, lembrando folhas ou pétalas, o que talvez indique a possibilidade de um espírito floral. Esse conjunto de três figuras demanda mais estudo.

O relevo imediatamente acima do “estegossauro” (segunda figura da imagem anterior) é chamado pelo The Interactive Bible de “búfalo d’água” (Bubalus bubalis). A conclusão se basea, sem dúvida, no que aparenta ser um único chifre curvado para frente, coisa que não ocorre na maioria dos animais conhecidos, mas que, sob certas circustâncias, é uma ilusão possível com búfalos.

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Há vários elementos que contrariam essa tese, quando consideramos a verificada capacidade artística dos cambojanos para representar animais em relevo. Búfalos possuem ombros e pescoço robustos, pernas em ângulos quase retos e tronco maciço em toda a sua extensão. Nada disso transparece na imagem.

O suposto chifre também tem um ângulo muito estranho. Ele permanece voltado para frente, enquanto o animal mantem a cabeça erguida. Essa é uma anomalia anatômica difícil de se concilar com búfalos ou qualque outro animal catalogado na região. As únicas criaturas que me ocorrem no momento com essa característica são unicórnios, nas antigas representações de Harappan, no Vale do Indu.

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Contudo, muitas inconsistências anatômicas entre a imagem e um búfalo d’água também seriam aplicáveis a um pretenso unicórnio, assim como aos bovídeos típicos da região de Camboja (Bos sauveli, Bos javanicus e Bos frontalis – búfalos d’água não são) e, com pequenas variações, extensíveis para todos os outros artiodáctilos.

Não acredito que o relevo represente nenhum desses animais. Pelas propoções e traços, entendo que ele retrate de fato um urso do sol (Helarctos malayanus), espécie nativa do lugar. O suposto chifre seria um adorno, como ocorre nos demais trabalhos, especialmente no cervo.

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Tudo fica evidente, após descoberto. A boca torneada e os olhos bem implantados são característicos. A posição comum de farejar o ar retrata com precisão o comportamento do animal. É quase possível vê-lo movimentando o focinho. Apenas a cauda peca um pouco pelo exagero. Ela é curta e interrompida bruscamente, como no relevo, mas tem no máximo sete centímetos de comprimento, sendo quase imperceptível à distância.

A preocupação dos cambojanos em representar até a cauda do urso parece-me destacar, mais uma vez, o seu grande conhecimento sobre a anatomia dos animais e o seu cuidado ao retratá-la. A evidente perfeição do urso e dos demais relevos identificados apenas aumenta o mistério sobre o “esgossauro”. Agora, dispondo de mais elementos para uma avaliação, avancemos para ele.

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A hipótese do rinoceronte, como já dissemos, é uma das menos inviáveis. Mesmo assim, é difícil sustentá-la. Os que a defendem geralmente fazem referência ao rinoceronte indiano (Rhinocerus unicornis, imagem). De fato, ele seria mais parecido que as espécies hoje nativas da região: Dicerorhinus sumatrensis, com dois chifres e rosto excessivamente comprido; e Rhinoceros sondaicus, um pouco mais franzino e delgado. Ainda que sem registro atual em Camboja, o rinoceronte indiano ocorre nas proximidades, de modo que sua consideração seria factível.

Mas a hipótese não se sustenta devido ao total desarranjo dos detalhes, o que não se verifica nos outros relevos. Ainda que assumamos as placas no dorso como motivos florais, as placas corpóreas teriam sido ignoradas, mesmo havendo o claro desenho da perna sobre o corpo. A cauda teria que ser desprezada, julgando-a como um erro grosseiro, o que não parece justo diante dos demais trabalhos. O pescoço é demasiadamente curto, o olho está muito baixo e o que parece o chifre se encontra sobre a testa, não sobre o nariz. A protuberância na têmpora também teria que ser desprezada.

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A hipótese do camaleão peca por outros motivos. Ignorando a questão geográfica e usando um espécime parecido, a cabeça, sem dúvida, tem maior aderência, apesar do olho muito antes do canto da boca não ser uma característica desses répteis. Mas é no corpo onde ocorrem as maiores discrepâncias. As pernas fortes e esticadas, tórax robusto quando erguido, cauda curta e arrastando, largas protuberâncias dorsais. Nada disso descreve um camaleão.

A falta de fidelidade anatômica tampouco pode sustentar a hipótese do estegossaurídeo. Esse animais possuíam cabeças minúsculas e caudas com cravos que não seriam desprezados pelos cuidadosos cambojanos. Já foi notada, na internet, a semelhança do relevo com ceratopsídeos, como o Triceratops.  De  fato, a semelhança é bem maior.

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O mesmo corpo robusto, a mesma cauda pendente, cabeça compacta, pernas eretas, olhos deslocados para trás, boca curta e narinas bem posicionadas. A idéia do “bico de papagaio”, presente no Triceratops, é uma mera licença artística baseada em ossos petrificados. Nada impede que essa estrutura fosse coberta por pele, resultando na mesma impressão que transparece no relevo.

Parece ter havido muitas espécies de ceratopsídeos, de modo que hoje se julga terem sido uma família bem sucedida e abundantes na América do Norte e Ásia no período Cretáceo (65 milhões de anos). Haviam espécies com muitos chifres (Styracosaurus) e também sem nenhum (Protoceratops), de modo que o relevo poderia representar alguma variação. As placas dorsais continuariam como adornos do cenário, mas nada impede que também possam integrar a criatura. Isso é possível nos ceratopsídeos, como mostra as imagens abaixo.

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Pelas considerações expostas, julgamos ser prematuro descartar qualquer uma de duas hipóteses: que o relevo representa uma espécie de animal ainda desconhecida, viva ou extinta, talvez semelhante a um ceratopsídeo; ou que ele representa de fato um ceratopsídeo, mesmo eles estando extintos no período, uma vez que os cambojanos podem ter elaborado o adorno interpretando fósseis, coisa que já ocorreu antes.Veja Os Primeiros Caçadores de Fósseis.

Aguardemos o avanço das pesquisas.

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Comentários [2, RSS]
  • Os animais identificados como peixes não são Cavalos Marinhos?

    • mrgera,

      A definição da imagem não ajuda muito, mas não creio que sejam cavalos marinhos. O pescoço é pouco definido, seguindo o tronco e os olhos são demasiadamente saltados.

      Entretanto, pode sim ser uma espécie de peixe cachimbo, parente próximo dos cavalos marinhos. Vou fazer um levantamento das espécies na região e informo o resultado em breve.

      Obrigado pela contribuição.

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