Debatendo Teses Infundadas na Ufologia

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Debatendo Teses Infundadas na UfologiaDebatendo Teses Infundadas na Ufologia. Spiritronic, em 12 de dezembro de 2011, via Arquivos do Insólito.

Alexandre de Carvalho Borges – 2003

Texto original, com nossas inserções em destaque.

Há uma corrente de pensamento na Ufologia que acredita que o fenômeno UFO já está inequivocamente comprovado como visitas de veículos espaciais extraterrestres ao nosso planeta Terra e de que tal comprovação tem sido confirmada independentemente por ufólogos civis e autoridades militares de todo o mundo nos últimos 50 anos.

Essa é a definição clássica da Ufologia, de que UFOs seriam naves espaciais extraterrestres em constante visita à Terra

Apesar de mais de 50 anos de Ufologia, ainda não foi possível concluir, através dos dados coletados no mundo inteiro, que UFOs são veículos espaciais extraterrestres e, ainda mais, que sejam visitantes constantes.

Isto é uma hipótese, mas ainda não há uma prova definitiva que permita comprovar a origem do fenômeno.

Não há nenhuma identificação plena de que UFOs sejam extraterrestres. Afirmar categoricamente que são extraterrestres ainda pertence ao reino das crenças.

Selar de extraterrestre, com o conhecimento adquirido no presente momento, é relegar a Ufologia a um produto de crenças.

Ao classificar um objeto aéreo qualquer como desconhecido ou não identificado, não implica dizer que ele ganha de imediato sua classificação de origem extraterrestre.

Até aqui, concordamos integralmente. O texto é claro e preciso, mantendo o excelente padrão até o final. 

Se não sabemos o que é uma nave extraterrestre e nem o que seria um ser extraterrestre, como podemos classificar o que nem sabemos como sendo de ordem extraterrestre?

Por ser diferente do que conhecemos? Por fugir completamente dos padrões que dominamos de nossa tecnologia?

Alguns ufólogos argumentam que “eu sei que é extraterrestre, porque eu já vi vários discos voadores destes ao longo de minha vida”.

Mas, como ele soube que o primeiro que ele avistou e os seguintes imediatos eram de origem extraterrestre para poder classificar os posteriores com o mesmo critério?

Na Ufologia, chama-se comumente de veículos “espaciais” para o ideário de que sejam portentosas naves de alta tecnologia que viajam pelo espaço exterior e penetram na atmosfera terrestre.

No entanto, para sermos estritamente rigorosos e de acuidade semântica, basta lançarmos outra ideia, tão sem prova quanto aquela, de que os UFOs não seriam naves navegando no espaço exterior e sim naves zapeando entre diversas dimensões.

Assim, temos que o termo “espacial” – utilizado para determinar que as naves viajem no nosso espaço exterior à Terra – seria incorreto.

Entretanto, isso são apenas detalhes desprezíveis de nomenclatura. Visitantes espaciais? Como saber?

A ideia de civilizações tecnologicamente mais avançadas que coexistem conosco no Universo é a mais aceita na Ufologia, a despeito de que não exista comprovação disso.

De fato, “extraterrestre” é um fardo para as pesquisas. Entretanto, ser “diferente dos padrões que dominamos” é bom conceito de definição para objetos de estudo.  Em nosso site adotamos uma nomenclatura alternativa, discutida no artigo Alienígena
 
O autor caminha no sentido da necessidade uma nomenclatura mais adequada – o que concordamos -, como pode ser visto na sequência.

A ideia é trazida por suposições várias, tais como se baseando nas características do fenômeno UFO e por narrações de abduzidos e contatados que afirmam terem sido informados pelos extraterrestres que a procedência deles é de outro planeta do nosso Universo – alguns deles alegando que já estiveram pessoalmente nestes planetas.

Posto isso, vemos, por exemplo, que assim como não comprova que sejam verdadeiras as respostas que os ditos espíritos responderam às inúmeras perguntas de Allan Kardec no Livro dos Espíritos, também não comprova nada abduzidos dizerem que seus raptores lhes informaram que vinham de um determinado planeta do Universo.

O alegado abduzido Luis Ribeiro de Oliveira, da cidade de Palhano, 140Km de Fortaleza (Brasil), diz que seus raptores lhe informaram vir do planeta Catandorius Decnius.

Isso seria uma identificação plena que ETs existem e alguns vêm desse tal de Catandorius? Não! A não ser que os próprios humanos – pesquisadores – localizem o tal planeta, viagem para lá e constatem a existência desta civilização. O fenômeno é mudo na comprovação científica da origem.

Quando os proponentes dizem que ETs vem de “civilizações mais avançadas que a nossa”, normalmente querem aludir a ideia comum de que venham de um planeta qualquer do Universo.

Apenas para exemplificar e apresentar outros pontos de vista, o filósofo Huberto Rohden, criador da Filosofia Univérsica, nos conta na sua obra “Luzes e Sombras da Alvorada” o que pôde concluir “após longos anos de observações e experiências” sobre o tema: “Os discos voadores não vêm de planeta algum; vêm do espaço cósmico, interplanetário e interestelar.

É por demais ingênuo admitir que todos os seres vivos e inteligentes necessitem, para seu habitat, de um bloco de matéria densa, como nós, terrígenos; por que não poderia haver habitantes no espaço, mesmo fora da atmosfera?” (pág. 218).

Entre aposição da filosofia Univérsica e da Ufologia dita científica, é preferível não escolher nenhuma no momento.

Esperamos que algum dia apareça dados indefectíveis sobre tudo isso. Uma corrente de pensamento na Ufologia acredita que UFOs são ETs e ponto final.

Compartilhamos o repúdio.

A mesma corrente da Ufologia também acredita que tais civilizações extraterrenas encontram-se num processo contínuo de aproximação da Terra e de nossa civilização planetária.

Essa é outra informação discutível quando se examina o banco de dados da Ufologia mundial ou mesmo, não muito longe, local.

Faz anos que escutamos que “os UFOs estão chegando”e chavões do gênero. O ufólogo Flávio Pereira, em sua conceituada obra “O Livro Vermelho dos Discos Voadores” já dizia no ano de 1966 (página475): “Estatisticamente, o padrão mundial das aparições conduz paripassu a uma situação descrita como Crise, esperada para dentro de um, dois ou três anos.

A palavra Crise não deve ser interpretada como Catástrofe, mas sim como intersecção de duas semânticas diferentes (a humana e a dos seres operadores)”.

A Revista UFO também anunciou na capa do número 44 de Junho de 1996 que “casuística ufológica de 96 confirma: Os UFOs estão chegando” e no número 49 de Fevereiro de 1997 que “Ufologia em 1997: Ufólogos de todo o mundo esperam que este seja o ano do contato final”.

O tempo dimana, o tempo deflui e a Ufologia continua sem o esperado contato final. Mas, por que esperar contato final?

E o que seria tal contato? Uma descida em massa de extraterrestres com suas naves? Quando ocorrem ondas ufológicas, a sensação pode ser de que a “invasão” lenta está se processando, mas as ondas passam e o fluxo resvala, decaindo as esperanças do eminente contato final.

A ideia épica de “contato final” é um mito grave que, lamentavelmente, continua sendo alimentado por veículos e pesquisadores envolvidos com o tema. Com sucesso, o autor trucida essa tese a seguir.

Se, como acredita uma grande vertente, tomarmos as narrativas sobre paleovisitas como verdadeiras evidências de extraterrestres no passado da Terra, não teríamos um evidente processo de contínua aproximação de uma civilização alienígena, já que a tese incorreria que os ETs já estariam por aqui faz tempo.

Esse ponto é importante. Se ocorreram as “paleovisitas”, objetos da Ufoarqueologia, a tese do “contato final” perde irremediavelmente sua substância. A questão passa a ser saber se ocorreram.
 
Pendemos, hoje, para uma resposta afirmativa, apesar de todos os elementos necessários para sustentar essa afirmação ainda não estarem disponíveis no site.
 
Para desmontar a “tese infundada”, o autor segue insistindo, com razão, nesse elemento desestruturador. 

Em verdade, para sermos estritamente lógicos, não há como definir que sejam “visitas”. Por visitas,entende-se como chegadas e saídas. Tomando por base relatórios classificados por Contatos Imediatos do Terceiro Grau – em que seres são vistos próximos de UFOs – conjectura-se que tais seres sejam visitantes extraterrestres que descem à Terra com suas naves e regressam, posteriormente, ao seu planeta.

No entanto, por exemplo, se adotarmos por base outra linha da Ufologia que especula que muitas ocorrências bíblicas sejam manifestações ufológicas, como podemos pensar em termos estritamente de “visitas”?

A classificação ufológica estaria mais pendente para uma “estadia” do que para visitas de extraterrestres. Esse pensamento, entretanto, só está sendo aplicado se a hipótese extraterrestre fosse a correta, como, aliás, o próprio termo “visitas” já carrega uma ação de objetivo, uma inteligência diretora.

Ele agora entra numa sequência devastadora, que expõe a fragilidade estatística e confusão metodológica que assolam as pesquisas.  

Outra ideia defendida pelos proponentes é de que as visitas de civilizações extraterrestres à Terra têm, segundo dizem, aumentado gradativamente nos últimos anos.

Informam que as estatísticas nacionais e internacionais têm demonstrado que o aumento gradativo é tanto em quantidade quanto em profundidade e intensidade.

Essa também é uma afirmação sem uma sustentação crível. A questão de aumentar em “profundidade e intensidade” é subjetiva, mas aumentar em quantidade é contestável.

Em se tratando de relatórios de objetos aéreos não identificados, não há um gradativo aumento de relatórios ao longo dos anos.

O que existe são variações aparentemente aleatórias das aparições ou mesmo algo que não podemos ainda compreender como um padrão.

Vejamos, por exemplo, os dados do Projeto Blue Book revisados por J. Allen Hynek. Depois do fim do Projeto, Hynek revisou os casos de não identificados compreendidos entre os anos de 1947 a 1969 e apresentou os seguintes dados:

Tabela 1 – Relatórios de não identificados do Projeto Blue Book (Ano: Quantidade)

1947: 10 | 1948: 16  | 1949: 18  | 1950: 31  | 1951: 22  | 1952: 242  | 1953: 44  | 1954: 46  | 1955: 26  | 1956: 21  | 1957: 25 | 1958: 15 | 1959: 14 | 1960: 17  | 1961: 14  | 1962: 2  | 1963: 4  | 1964: 9  | 1965: 7 | 1966: 6 | 1967: 19 | 1968: 4 | 1969: 1

Como vemos, em 23 anos de registros de episódios não identificados registrados pelo Projeto Blue Book, notamos que não há um aumento progressivo de avistamentos ao longo dos anos e sim variações.

Gráfico por Alexandre Borges

A corrente da Ufologia que acredita que o fenômeno já teve sua origem plenamente identificada como sendo extraterrestre e que os UFOs são veículos que provêm de civilizações tecnologicamente mais avançadas que a nossa, também acredita que deva se estabelecer um programa oficial de conhecimento, pesquisa e divulgação pública dos extraterrestres.

Segundo defendem, o objetivo é esclarecer para a população brasileira a respeito da presença extraterrestre na Terra. Resumindo: Uma parcela dos ufólogos brasileiros quer uma parceria de pesquisa ufológica com militares.

Eles acreditam que os militares tem a resposta sobre o fenômeno UFO e as escondem e sonegam da população.

Concordamos que é uma assunção ingênua, apesar de que, se há alienígenas inteligentes que transitam entre nós há algum tempo, a possibilidade de que eles tenham algum grau de influência nas forças armadas não poder ser sumariamente descartada.   

Um programa oficial teria que ser científico e com o objetivo de estudar o fenômeno UFO, na tentativa de descobrir a sua natureza, não um programa para divulgar extraterrestres.

Isso não significa excluir a possibilidade que parcela dos UFOs possam ser extraterrestres, o que já seria uma medida não científica, mas ocorre que para chegar nessa conclusão é preciso muito mais do que a Ufologia tem apresentado em matéria de provas extraterrestres.

No momento atual é preciso um programa de estudo e de análise dos UFOs e não um programa de divulgação “da presença inegável” de extraterrestres no planeta Terra. Até porque, não há nada “inegável” em Ufologia.

Há uma distorção aqui. Sem dúvida é necessário um programa de análise, como afirmado. Mas também é preciso conscientizar a população da efetiva existência de fenômenos ufológicos.
 
O vício consiste em mesclar essa “divulgação” com informações superficiais, irresponsáveis e contaminadas com ideologias como a dos “visitantes extraterrestres”.    

Por que os militares brasileiros teriam que consentir e reconhecer os discos voadores como alienígenas pilotando naves espaciais?

Qual prova tem os militares brasileiros para reconhecer que os UFOs – ou parcela deles – sejam discos voadores oriundos de outro planeta? Minha opinião é que os militares não têm prova alguma, em suas mãos, da natureza alienígena.

O máximo que possuem em seus arquivos são dados, tão piores, iguais ou melhores do que possui a Ufologia civil. Entretanto, dados, por melhores que sejam, são apenas dados e não diretamente sua decodificação, sua identificação, uma informação.

Concordamos. 

A abertura dos arquivos secretos dos militares seria um gesto simbólico, no sentido de uma nova consciência frente à problemática dos UFOs, uma atitude responsável e de quiçá uma parceria com pesquisadores civis. Por enquanto, só resta aos ufólogos continuarem pesquisando sem patrocínio oficial.

Uma conclusão honesta, apesar de outras leituras sobre a abertura dos arquivos militares ser possível. O artigo é excelente e entendemos que meditar sobre ele é  uma exigência para qualquer pretenso pesquisador de fenômenos ufológicos.

FICHAMENTO

Data: 20030000.

TAGS: Análises, Ufologia.

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