Água em Marte. O que isso tem a ver com a vida?

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Água em Marte. O que isso tem a ver com a vida?Água em Marte. O que isso tem a ver com a vida?. Água em Marte. O que isso tem a ver com a vida?. Revista Veja, Edição 1844, 10 de março de 2004.

Por mais de um século, os astrônomos especularam se Marte teria água. Na semana passada, uma pequena nave robótica enviada pelos Estados Unidos, a Opportunity, transmitiu a resposta em forma de fotos da superfície marciana: bolhas e ranhuras microscópicas claramente visíveis em algumas pedras demonstram que elas já estiveram submersas em água. Se foi assim, é possível que tenha existido vida no planeta vermelho. A suposição baseia-se num fato científico: água líquida é a única substância vital para a existência dos seres vivos na forma como os conhecemos. A denominação pode parecer redundante, mas é precisa. Pelo que se sabe, em estado gasoso ou sólido a substância não serve para a vida. O processo bioquímico que gerou a vida na Terra, há 3,5 bilhões de anos, só poderia ter ocorrido num meio fluido. No líquido, as moléculas se dissolvem e as reações químicas acontecem. Como estão sempre em fluxo, os líquidos transportam nutrientes e material genético de um lugar para outro, seja dentro de uma célula, de um organismo, de um ecossistema ou até de um planeta.

A teoria mais aceita para o surgimento da vida é que a atmosfera primitiva da Terra era formada por metano, amônia, nitrogênio, dióxido de carbono, hidrogênio e vapor d’água. Submetidos a altas temperaturas, descargas elétricas e radiação solar, esses gases acabaram gerando aminoácidos, substâncias que com o calor do planeta deram origem às proteínas. Levadas pelas chuvas para os oceanos terrestres, essas formas orgânicas primordiais foram se juntando e formaram as primeiras células capazes de se replicar. Não se tem informação de que a vida possa surgir em outro meio. Há seres que vivem sem luz no fundo dos oceanos ou no interior de outros organismos, mas esses também precisam de água. Existem microrganismos, os extremófilos, que sobrevivem em ambientes onde não há sequer oxigênio. São encontrados em vulcões submersos, lagos congelados da Antártica, rochas subterrâneas submetidas a temperaturas superiores a 160 graus e até no interior dos reatores nucleares. Mesmo esses microrganismos, em algum momento, precisam de água em estado líquido para sobreviver. “Os seres vivos são compostos de células, e todas as células têm certa porcentagem de água”, explica a bioquímica Aline Maria da Silva, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo. “Sem água, seria impossível a duplicação do material genético celular, o DNA, pois as enzimas que fazem essa duplicação só a realizam na presença de água.”

Por mais que a fórmula química da água pareça simples (H2O), a reação que junta os dois átomos de hidrogênio a um átomo de oxigênio é extremamente complexa. Ou seja, é muito difícil “produzir” água. Na atmosfera há oxigênio em abundância, mas não há hidrogênio puro. Além disso, as duas moléculas não reagem com facilidade. Uma descarga enorme de energia, como a fornecida por um raio, é necessária para disparar a reação. A explicação para a abundância de água na Terra está no fato de que existia muito hidrogênio puro na atmosfera terrestre quando ela começou a se formar. As descargas elétricas atmosféricas também eram mais freqüentes naquele período do que são hoje. “A confirmação de que houve água em forma líquida em Marte significa também que um dia a atmosfera do planeta foi mais espessa, portanto havia um efeito estufa e o planeta era mais quente, condições muito favoráveis à vida”, diz Amâncio Friaça, astrônomo do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP.

Cientistas especulam se algum microrganismo poderia sobreviver sem água em outros meios líquidos, como amônia, metano e hidrocarbonos. Essas substâncias formam vastos oceanos em outros corpos celestes do sistema solar, como a lua Titã, de Saturno, que poderiam abrigar vida. São apenas teorias. Nenhuma forma de vida que conhecemos é compatível com as condições de pressão e temperatura desses outros líquidos. O metano só é líquido entre as temperaturas de menos 162 graus e menos 182 graus, uma amplitude de apenas 20 graus. Já a água em estado líquido tem uma variação muito maior de temperatura, acima de 0 e abaixo de 100 graus, bem mais aprazível para a vida. É isso, por sinal, que permite que o planeta esfrie e aqueça sem ficar todo congelado.

A água é a substância mais abundante no corpo humano e corresponde a aproximadamente 70% da composição de um homem adulto. É o componente essencial de todos os tecidos do organismo e desempenha papel fundamental em quase todas as funções do corpo. É utilizada para a digestão, a absorção e o transporte dos nutrientes. Serve de solvente para os resíduos do corpo e também os dilui para reduzir a toxicidade. Ajuda ainda a manter a temperatura corporal e, sob a forma de líquido amniótico, protege o feto em gestação. Apesar de a água não conter nenhuma caloria ou outros nutrientes, sem ela o corpo humano só continuaria funcionando por poucos dias. A perda de 20% de água corpórea pode levar à morte, e uma perda de apenas 10% causa distúrbios graves. Em temperaturas moderadas, os adultos podem viver por aproximadamente dez dias sem o líquido. Crianças dificilmente agüentariam a metade desse tempo. Já sem alimento uma pessoa saudável pode sobreviver durante várias semanas. O mesmo acontece com praticamente todos os seres vivos. A Nasa prepara uma nova missão, prevista para 2013, com uma nave capaz de trazer amostras de rochas para a Terra e talvez esclarecer se a água de Marte produziu vida.

FICHAMENTO

Data: 20040310 | Características: .

TAGS: Astronomia, Exobiologia.

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Comentários [2, RSS]
  • Pedro Henrique

    olha eu acho que pode ter muitas vidas microscópicas em cometas e asteroides

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