A Homeopatia e o Suicídio do Ceticismo Agnóstico

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Em 30 de janeiro de 2010, mais de quatrocentos céticos ingleses ingeriram quantidades maciças de remédios homeopáticos buscando uma “overdose” que, se a homeopatia funcionasse, deveria ter causado sérias consequências. A falha na tentativa de “suicídio” foi festejada como uma demonstração irrefutável da ineficiência dos medicamentos homeopáticos. Os manifestantes citavam pesquisas mostrando que não haviam efeitos na homeopatia que não pudessem ser atribuídos ao placebo, acusavam supostas manipulação nos dados favoráveis aos resultados homeopáticos e lembravam o lamentável caso da pequena Gloria Sam, menina que morreu quando seus pais recorrerem exclusivamente ao tratamento homeopático para um eczema.Fracassa Suicídio Homeopático de Céticos Britânicos. Ceticismo Aberto, em 1 de fevereiro de 2010.

Tendo em vista os objetivos de informar o público, preservar vidas e evitar a crendice em procedimentos infundados, a mobilização inglesa será repetida por manifestantes no Brasil, no próximo dia cinco.Consumidores Brasileiros Encenarão Overdose Homeopática. Ceticismo Aberto, em 26 de janeiro de 2011. O discurso, aparentemente consistente, disfarça a miopia analítica que o motiva.

O princípio terapêutico da homeopatia, similia similibus curantur, é amplamente reconhecido e empregado na medicina tradicional.Veja IsopatiaVacinoterapia, em Wikipédia (acesso em 01/02/2011). Conheça também os esforços para desenvolver a Imunoterapia. Ela também apresenta resultados tão bons ou melhores que os de certos tratamentos alopáticos.Medicamento contra Alzheimer da Pfizer não passa em teste – Remédio trouxe melhoria marginal em relação a placebos. G1, em 3 de março de 2010; Prática usada para tratar câncer de mama não reduz mortes, diz estudo. G1, acesso em 9 de fevereiro de 2011. Seu verdadeiro entrave com os cientistas é que não se compreende como os medicamentos poderiam manter algum princípio ativo após as agressivas diluições a que são submetidos.Homeopatia. Wikipédia. Acesso em 1 de fevereiro de 2011.

A ausência de uma explicação cientificamente aceita tende a invalidar observações empíricas, podendo ser suficiente para desacreditar procedimentos e desvincular seus resultados. Isso, por exemplo, já aconteceu com a acupuntura que, mesmo acumulando excelentes resultados empíricos, só conseguiu se desvencilhar do ostracismo quando a explicação tradicional envolvendo chacras e fluxos foi abandonada em favor de uma construção neurológica aceitável.Acupuntura. Wikipédia. Acesso em 1 de fevereiro de 2011.

Da mesma forma que a eficiência da acupuntura não era menor na época em que era ridicularizada, não se deve desprezar alguns resultados homeopáticos – nem menosprezá-los como efeitos psicológicos.

Apesar do trágico caso de Gloria Sam, constam registros de crianças pequenas que responderam bem à abordagem homeopática. Presume-se que, pelo seu ainda baixo discernimento, o efeito placebo teria pouca influência nelas. Também constam adultos que, após um exaustivo histórico alopático, alegaram melhora substancial com o uso da homeopatia. Atribuir isso apenas ao efeito placebo parece ingênuo, uma vez que os tratamentos alopáticos também o provocam nos pacientes.

É certo que manipulações de dados estatísticos podem existir – nunca foram novidade em ciências. Elas revelam o caráter de alguns pesquisadores ou sua reação diante de Dissonâncias Cognitivas, mas não devem comprometer a imparcialidade em relação ao objeto de estudo. Bons homeopatas admitem, com méritos, sua incapacidade de explicar os resultados favoráveis de suas observações à luz daquilo que nossos instrumentos são hoje capazes de medir.

Talvez as evidências de “Memória da Água” levantadas por Jacques Benveniste, ridicularizadas por décadas e agora revigoradas pelo recentes experimentos de Teletransporte de DNA de Luc Montagnier, traga alguma luz sobre o assunto. Talvez sejam necessários outros estudos para um melhor esclarecimento.

Uma vez que não compreendemos adequadamente sua ação ou a extensão de seus efeitos, a homeopatia não deve ser aplicada como tratamento primário para qualquer enfermidade. Entretanto, funcionando ou não, diante dos fatos observados, é insensato desacreditá-la publicamente e pregar seu impedimento como tratamento complementar ou alternativo onde a abordagem alopática não tenha alcançado resultados.

A manifestação do falso suicídio desinforma ao corromper o princípio terapêutico homeopático inferindo que algum resultado deveria surgir de uma overdose; ameaça vidas ao desincentivar o acesso a uma terapia complementar que pode apresentar resultados e promove o julgamento antecipado, uma vez que há lacunas na assunção de que todos os resultados podem ser atribuídos ao efeito placebo.

Contrapondo seus objetivos declarados, ela é apenas uma condenável tentativa de afetar a imagem pública da homeopatia, sem nada contribuir para o debate – um exemplo claro de como não ser cético.

FICHAMENTO

Data: 20110204.

TAGS: Análises, Ciência.

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