Avaliação de Casos

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O estudo sistemático dos fenômenos ufológicos passa necessariamente pela análise criteriosa dos relatos. O descaso com essa exigência resulta em informações incertas que comprometem o foco e validade das análises. O grande volume de fraudes, equívocos e desinformações que permeiam a casuística é um dos maiores obstáculo para as pesquisas. A mistura gera contaminação, fazendo com que alguns considerem relatórios consistentes como se fossem fraudulentos, enquanto outros considerem relatos fraudulentos como se fossem consistentes.

Tal situação se potencializada pela subjetividade inerente da pesquisa. Pessoas predipostas a negar anomalias tendem a enfatizar os relatórios mais inconsistentes, descartando os demais por falsa indução.Ver Falácia. Wikipédia. Acesso em 02/09/2010. Da mesma maneira, independentemente da consistência, pessoas predispostas a aceitar anomalias tendem a acatar os casos que corroboram com suas concepções, desprezando os demais. Isso apenas prejudica o conhecimento da verdade.

Sendo assim, critérios claros para avaliar a consistência dos relatórios passam a ser impreteríveis. É certo que nunca será possível fugir totalmente da subjetividade, mas aplicar um método que possa ter seus resultados reproduzidos e auditados representa um avanço considerável. Um esquema bem estruturado para avaliações desse tipo foi desenvolvido e apresentando em um dos trabalhos pioneiros de Hynek.J. Allen Hynek. UFOLOGIA: Uma Pesquisa Científica. Rio de Janeiro: Nordica, sd. pp. 34-6. É ele o usado como base para o que desenvolveremos aqui.Um outro critério, mais subjetivo e voltado para proposições teóricas, é apresentado por Robert Ehrlich em As Nove Idéias Mais Malucas da Ciência. São Paulo: Ediouro, 2002. pp. 14-20.

MODELO DE HYNEK

O sistema de Allen Hynek foi desenvolvido para classificar a importância de casos ufológicos. A preocupação incial do autor foi decompor a análise de cada relatório em categorias que permitissem elaborar uma classificação com critérios simples, o que ele consegue com sucesso.Idem. p. 34.

Cada um desses relatórios sistematicamente pesquisados pedem uma resposta para duas perguntas distintas: Aquilo que eles relatam aconteceu de verdade? Qual a “probabilidade” de que tenha acontecido? Podemos transformar essas duas perguntas na base de uma disposição bidimensional muito útil no que diz respeito aos relatórios sobre OVNIS. Cada relatório que satisfez a definição de OVNI incluída neste livroConheça a definição em Disco Voador. pode receber dois números: sua “Classificação” segundo a sua “Estranheza” e sua classificação quanto à “Probabilidade”.

No modelo do professor, Estranheza e Probabilidade passam a ser os dois critérios chaves de avaliação. Esses dois elementos intuitivos, após quantificados, permitirão realizar comparações entre diferentes ocorrências quanto à sua credibilidade e relevância. Vejamos o que Hynek escreve sobre o primeiro deles.J. Allen Hynek. op. cit.  p. 36.

A Classificação quanto a Estranheza é, para expressá-la com simplicidade, uma medida de quanto um relatório é “excêntrico” dentro de sua ampla classificação particular. Mais precisamente, pode ser tomado como uma medida do número de informações contidas no relatório que são difíceis de explicar em termos de senso comum. Uma luz vista à noite no céu cuja trajetória não pode ser atribuída a um balão, avião, etc. seria classificada, apesar disso, como uma classificação de estranheza baixa de vez que só há uma coisa estranha a ser explicada no relatório: seu deslocamento. Um relatório sobre um aparelho descomunal que desceu até ficar a 100 pés de distância de um carro numa estrada deserta, fez com que o motor parasse de funcionar, o rádio também e apagou os faróis do veículo, deixou marcas sobre o solo e parecia estar sob um controle inteligente é classificado como se tendo um fator de estranheza elevado, pois contém alguns  itens muito estranhos, desafiando cada um deles o senso comum.

Assim, a Estranheza seria uma medida de estoque – o acúmulo de anomalias nos fatos constantes no relatório. Hynek  destaca que não encontrou dificuldade em determinar o Fator Estranheza, escalando-o de 1 a 10, mas não teve a mesma facilidade com o outro fator, a Probabilidade.Idem. p. 35.

A determinação do Fator de Probabilidade de um relatório torna-se uma questão profundamente subjetiva. Começamos com a credibilidade que foi atribuída aos indivíduos envolvidos no relatório e calculamos até que ponto, segundo as circunstâncias daquele momento em particular, os relatores poderiam ter se enganado. Os fatores que devem ser estudados neste caso são a consistência intrínseca do referido relatório, a coerência entre os diversos relatórios existentes sobre o mesmo incidente, a maneira usada para redigir o relatório, a convicção transmitida pelo relator ao investigador e, finalmente, o julgamento sutil para “ver se tudo aquilo é coerente”.

O autor continua, um pouco mais adiante:

Uma certeza (P = 10) é praticamente impossível, isso é claro; P = 0 também é impossível, devido às circunstâncias, pois o relatório original nem teria sido levado em consideração. O número de pessoas envolvidas no relatório, principalmente se forem feitos relatórios individuais, é de grande valia. Não concedo mais de 3 pontos ao Fator de Probabilidade a nenhum relatório feito por uma pessoa apenas e, assim mesmo, é preciso que ela goze de uma reputação muito sólida. Assim agindo, não pretendo difamar a pessoa mas simplesmente proteger-me contra a possibilidade de que aquele relator possa ter se equivocado honestamente a respeito da experiência porque passou.

Quando o relatório é “coerente” no seu todo não posso, honestamente, encontrar razões para duvidar das palavras dos relatores – ou melhor, amenos que eu, deliberadamente e sem nenhum motivo, resolvesse chamá-los todos de mentirosos – concedo Probabilidade 5 ou mais alta.

Fica claro que a análise da probabilidade depende de uma série de julgamentos subjetivos quanto à coêrencia e credibilidade, demandando um robusto trabalho investigativo. Apresentamos a seguir, em número de casos, o diagrama Estranheza-Probabilidade (EP) elaborado pelo autor. Nele foram considerados apenas o conteúdo dos relatórios, sem qualquer julgamento das testemunhas.Idem. p. 37. Considerando na tabela apenas o número total de casos.

ESTRANHEZA(E)
1 2 3 4 5 6 7 8 9
PROBABILIDADE(P) 9 5 1 1 1 1 2 3
8 2 5 8 8 7 5 6 6 2
7 3 6 12 5 12 4 11 6 2
6 2 4 8 2 2 6 6 3
5 3 8 5 6 7 3 7 10 1
4 2 8 1 2 1 1 3 1
3 1 2 3
2 2 1
1

Segundo a experiência empírica de Hynek, qualquer relatório que alcance classificação a partir de um índice conjulgado EP = 35 (Estranheza 3 e Probabilidade 5) deveria chamar a atenção e desafiar a ciência sob todos os aspectos.Idem. p. 36.

O esquema Estranheza-Probabilidade teve pouca projeção, tendo sido eclipsado por outro sistema classificatório, o de Contatos Imediatos, também criado pelo autor. Sem dúvida, os Contatos Imediatos possuem muito mais apelo para o grande público, mas entendemos que a Estranheza-Probabilidade é bem mais útil para estudos especializados.

ADEQUANDO O MODELO

Em parte, a baixa adoção do sistema Estranheza-Probabilidade talvez venha do grande número de combinações EP possíveis, sendo muitas delas equivalentes para fins práticos. Sem qualquer prejuízo à metodologia, os conjuntos de valores que podem ser atribuídos aos dois eixos podem ser reduzidos. Agregando-se os valores 1, 2 e 3; 4, 5 e 6; e 7, 8 e 9 para 1, 2 e 3, respectivamente, temos uma diminuição substancial do número de combinações possíveis. Isso permite um ganho considerável de uniformidade, o que é vantajoso.

Como vimos, devido às circunstâncias, Hynek descartou de seu modelo os valores E=0 e P=0, considerando que, nesses casos, o relatório original nem teria sido levado em consideração como evidência ufológica. Em nosso caso, contudo, é útil a utilização desses parâmetros para indicar as possibilidades de engano e fraude.

Assim, os quatro valores possíveis para a Estranheza podem ser definidos da seguinte maneira:

Estranheza 3 – O conhecimento estabelecido não é capaz de apresentar teorias ou hipóteses consistente para explicar a ocorrência.

Estranheza 2 – O conhecimento estabelecido possui hipóteses explicativas, mas elas dependem de um conjunto de presunções pouco prováveis.

Estranheza 1 – O conhecimento estabelecido possui teorias consistentes, capazes de explicar grande parte da ocorrência.

Estranheza 0 – O conhecimento estabelecido é capaz de explicar a ocorrência de forma consistente.

Vale notar que as noção de acúmulo de anomalias sugerida por Hynek permace. Quanto menos anomalias, mais viável uma explicação tradicional e menor a Estranheza do caso. A quantidade de anomalias, contudo, não é necessariamente o fator preponderante. Em nosso critério, uma única característica anômala que não possua explicação teórica ou hipotética é suficiente para elevar a Estranheza do evento para o máximo. Um evento com E = 0 representa um engano por parte das testemunhas, uma vez que o evento pode ser satisfatoriamente explicado por aquilo que conhecemos.

A Probabilidade de um relatório só pode ser determinada com o estudo exaustivo do caso, analisando-se a coerência e consistência dos fatos, além de considerar a credibilidade das testemunhas envolvidas. Esse estudo exaustivo deve trazer os elementos necessários e suficientes para determinar se uma ocorrência se deu ou não como foi registrada. Algumas vezes, contudo, não é possível determinar tal coisa definitivamente. Isso acontece, em especial, quando a definição envolve algum julgamento de valor sobre o caráter das testemunhas e não há informações biográficas suficientes.

Os quatro valores possíveis para a Probabilidade podem ser definidos da seguinte maneira:

Probabilidade 3 – O evento ocorreu comprovadamente como descrito.

Probabilidade 2 – Não é possível assegurar a ocorrência do evento com base nas evidências apresentadas, mas há outros eventos semelhantes já comprovados.

Probabilidade 1 – Não é possível assegurar a ocorrência do evento com base nas evidências apresentadas.

Probabilidade 0 – O evento não ocorreu como descrito.

Assumimos, como Hynek, que casos com testemunhas únicas, sem outros elementos corroborativos, jamais podem alcançar P = 3. Também assumimos, como ele, que é inadequado descartar arbitrariamente casos onde haja mais de uma testemunha, quando não há elementos claros apontando sua desonestidade. Esses casos são classificados como tendo P = 1 ou P= 2, dependendo da existência ou  não de outros casos P = 3 com as mesmas características. A lógica é que se outras pessoas presenciaram comprovadamente casos semelhantes, não há motivos para duvidar da sinceridade das testemunhas. Mas, se o caso relatado trouxer elementos novos, é preciso tratá-lo com mais cautela.

A matriz original 9×9 de Hynek pode assim ser simplificada para uma matriz 4×4.  Diminuindo de 81 para 16 as combinações possíveis. O quadro reduz drasticamente a complexidade, permitindo uma classificação mais uniforme.

E
0 1 2 3
P 3 EP = 03 EP = 13 EP = 23 EP = 33
2 EP = 02 EP = 12 EP = 22 EP = 32
1 EP = 01 EP = 11 EP = 21 EP = 31
0 EP = 00 EP = 10 EP = 20 EP = 30

Aplicamos a metodologia Estranheza-Probabilidade (EP) tanto para casos ufológicos quanto para outros fenômenos correlatos que demandem análise. Esses casos são reunida no site pela tag Ocorrências.

RELEVÂNCIA

A relevência é uma maneira sintética de expressar o valor de uma pesquisa ou artigo para o estudo ufológico. A relevância varia de 0 a 3. De maneira simplificada, uma relevância 3 denota que um caso constitui uma anomalia concreta, enquanto uma relevância 0 aponta para uma fraude ou acontecimento trivial. Em Ufologia Objetiva, representaremos a relevância por uma cobinação de três estrelas, sendo seu valor em cada caso derivado diretamente da sua avaliação Estranheza-Probabilidade (EP), conforme tabela a seguir.

E
0 1 2 3
P 3
2
1
0

Um atributo como a relevância é muito útil, pois simplifica significativamente a comunicação. Uma vez tendo conhecimento do conceito, qualquer pessoa, tenha ou não familiaridade com eventos fortianos, pode rapidamente saber em que direção apontam as pesquisas de determinado caso. Aplicamos uma indicação de cada relevância, conforme abaixo.

 Fraude ou Equívoco.

 Insinuação de Anomalia.

 Indício de Anomalia.

 Evidência de Anomalia.

 Artigo auxiliar.

Quando a ocorrência não apresenta a etiqueta Análises, as avaliações são apenas estimadas. Isso significa que a relevância foi determinada por uma impressão geral subjetiva. Casos assim não usados como referência em nossos estudos. Ocorrências que apresentam a etiqueta Análises, ou seja, distinguidos pela combinação de etiquetas Ocorrência+Análises, possuem suas avaliações sustentadas de forma consistente. Apenas essas ocorrências compõem nosso universo efetivo de estudo, estando todas as demais dependentes de análise.

Os artigos auxiliares são aqueles que não demandam uma análise de relevância, ou seja, que não trazem eventos que necessitam ter uma avaliação para saber se de fato ocorreram ou o que os originou.

Apresentamos a seguir uma decrissão mais detelhada de cada combinação.

EP = 00 

Fantasia. Há teorias tradicionais capazes de explicar a ocorrência e ela não aconteceu como foi registrada. A testemunha sofreu algum tipo de fantasia, delírio ou perturbação, originando o relato.

EP = 01 

Provável fantasia. Há teorias tradicionais capazes de explicar a ocorrência e não é possível determinar se ela aconteceu como foi registrada. Provavelmente, a testemunha sofreu algum tipo de fantasia, delírio ou perturbação.

EP = 02 

Provável equívoco. Há teorias tradicionais capazes de explicar a ocorrência e não é possível determinar se ela aconteceu como foi registrada, apesar de haver outras semelhantes comprovadas. Provavelmente, a testemunha confundiu alguma ocorrência natural com um fenômeno anômalo.

EP = 03 

Equívoco. Há teorias tradicionais capazes de explicar a ocorrência mas ela comprovadamente aconteceu  como foi registrada. A testemunha, de fato, confundiu alguma ocorrência natural com um fenômeno anômalo

EP = 10 

Provável fantasia. Há possíveis hipóteses explicativas para a ocorrência e ela não aconteceu como foi registrada. Provavelmente, a testemunha sofreu algum tipo de fantasia, delírio ou perturbação.

EP = 20 

Provável fraude. Há teorias tradicionais capazes de explicar grande parte da ocorrência e ela não aconteceu como foi registrada. Provavelmente, a testemunha elaborou algum tipo de embuste, forjando a ocorrência.

EP = 30 

Fraude. Há teorias tradicionais capazes de explicar a ocorrência e ela aconteceu como foi registrada. A testemunha, de fato, elaborou algum tipo de embuste, forjando a ocorrência.

EP = 11 

Provável fantasia. Há possíveis hipóteses explicativas para a ocorrência e não é possível determinar se ela aconteceu como foi registrada. Provavelmente, a testemunha sofreu algum tipo de fantasia, delírio ou perturbação.

EP = 12

Provável equívoco. Há possíveis hipóteses explicativas para a ocorrência, não é possível determinar se ela aconteceu como foi registrada, apesar de haver outras semelhantes comprovadas. Provavelmente, a testemunha confundiu alguma ocorrência natural com um fenômeno anômalo.

EP = 13 

Possível equívoco. Há possíveis hipóteses explicativas para a ocorrência e ela comprovadamente aconteceu como foi registrada. É possível que a testemunha tenha confundido alguma ocorrência natural, mas é necessária uma comprovação mais conclusiva.

EP = 21

Provável fraude. Há hipóteses capazes de explicar parte da ocorrência e não é possível determinar se ela aconteceu como foi registrada. Provavelmente, a testemunha elaborou algum tipo de embuste, forjando a ocorrência.

EP = 31 

Possível fraude. A ocorrência não pode ser adequadamente explicada e não é possível determinar se ela aconteceu como foi registrada. É possível que a testemunha tenha elaborado algum tipo de embuste, mas é necessária uma comprovação mais conclusiva.

EP = 22 

Insinuação de Anomalia. Há hipóteses capazes de explicar parte da ocorrência, não é possível determinar se ela aconteceu como foi registrada, mas há outras semelhantes comprovadas. São necessárias mais informações  e comprovação mais conclusiva.

EP = 23

Indício de Anomalia. Há hipóteses capazes de explicar parte da ocorrência e ela comprovadamente aconteceu como foi registrada. O caso desafia o paradigma científico, enquanto a efetividade das hipóteses explicativas não for comprovada.

EP = 32

Indício de Anomalia. A ocorrência não pode ser adequadamente explicada, as evidências não podem sustentar sua veracidade, mas há outras semelhantes já comprovadas. O caso desafia o paradigma científico, enquanto não existirem terorias capazes de explicar a estranheza dos fatos.

EP = 33

Evidência de Anomalia. A ocorrência não pode ser adequadamente explicada e comprovadamente aconteceu como foi registrada. Casos assim são legítimas evidências ufológicas ou fortianas, desafiando frontalmente o atual paradigma científico.

A relevância de um caso pode mudar conforme avançam as pesquisas sobre ele. Para a ufologia, os casos de relavância 2 e 3 são os mais importantes na casuística. Entendemos que esse método aumenta a objetividade das análises. As discussões sobre um caso deixam de ser genéricas, centrando-se nos pontos de Estranheza e Probabilidade que sustentam sua relevância.

FICHAMENTO

Data: 20100911.

TAGS: Ufologia.

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